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terça-feira, 30 de agosto de 2016

3

Minha filha, anda tudo muito esquisito. O mundo dos adultos é sempre muito esquisito, na verdade. Não tenhas pressa de crescer. A vista aqui de cima dá vertigem muitas vezes, faz o estômago embrulhar e só temos vontade de pedir colo, tal como fazes. A diferença é que dizem que somos grandes demais para colos.

Perdoa-me se gritei demais, se brinquei de menos, se nem sempre atendi quando me chamaste nesses últimos tempos. É o que eu digo, ser adulto é uma chatice. Preferimos ficar com o rabo colado no sofá em silêncio do que correr e gritar atrás da Meg. Perdoa-me se fui e continuo a ser muitas vezes incapaz de acolher a tua crise, o teu choro. Esqueci-me de como é ser pequenina, como é deitar tudo o que se sente cá para fora. Sabes, a tua mãe aprendeu a calar, a engolir o choro, a baixar a cabeça, não confrontar. Quando despejas tudo o que não consegues suportar, irrito-me, fico frustrada. Queria que fosses como eu.
Não, não queria.
Não quero.
Teu choro é legítimo e eu estou a aprender a não silenciá-lo. Perdi um pouco da minha voz, estou a correr atrás dela e não me posso admitir calar a tua desde tão cedo.

Obrigada por seres uma irmã mais velha tão incrível para a Ava. Às vezes só enxergamos os ciúmes, mas vai tão além...Seguras naquela pequena mãozinha quando ela chora e dizes "Calma, a Malu está aqui". O que mais eu posso cobrar de ti?

Eu reclamo, debato-me com as minhas escolhas, minhas crenças, arrependo-me para depois desarrepender-me. Talvez só entendas essa parte em um futuro bem distante ou sequer entendas, mas sou grata pelos eixos que reorientaste em mim desde que chegaste.

Obrigada pelo todo dia que me dás há 3 anos. Nunca chorei tanto. Nunca frustrei-me tanto. Nunca amei tanto. Nunca fiquei tão triste. Nunca fui tão feliz.

Teu 31 de agosto passou a ser o meu divisor de águas. Ora tempestades, ora calmarias, sempre a navegar. Porto (in)seguro somos nós, filha.

Amo-te.
Feliz vida.
Obrigada. Obrigada.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pera, uva, post salada mista

Daí que sumi e volto quase um mês depois com a cara limpa como se nada tivesse acontecido, né, minha gente? Perdoem, mas agora tem andado um bocadinho mais complicado me organizar com o tempo e sentar a bunda na cadeira para escrever (ou digitar de pé mesmo, como está acontecendo neste justo momento). Então, vou tentar fazer aqui um apanhado do que se tem passado por cá e ficamos com os ponteiros acertados (ou quase isso), ok?

- Vocês devem estar se perguntando: por que tão complicado se organizar se já havia bebê antes, Naruna? Havia, havia bebê sim. Mas um bebê tranquilo, de boa, que ficava entretido com o seu mordedor de chaves enquanto eu lavava a louça ou escrevia. Agora...agora, minha gente, Malu tá com a macaca. Primeiro que ela senta e só quer viver sentada, mas de vez em quando tomba, então tenho que ficar de olho para ela não andar aí se machucando. Já deu duas cabeçadas, tadinha, e foi aquele chororô. Segundo, ela está entrando na fase da ansiedade de separação. O que diabos é isso? Basicamente, dos 6 aos 15 meses, os bebês entendem que eles e as mães são pessoas diferentes e acham que quando ela se afasta é porque vai embora, mesmo que o se afastar seja só ir até a cozinha. Muitas vezes, estou aqui tentando agilizar alguma coisa, deixo-a no seu sofá-cama-parque-multiuso com os brinquedos e ela já grita logo. Grita bonito. Terceiro que ela quer atenção mesmo, companhia. Se eu sento do lado com o computador no colo, fica revoltadíssima. Olha pra mim com uma cara de desapontamento e ficar "GRWARRR BABABABA" como quem diz "Mãe, deixa essa coisa! Brinca comigo!". Fazer o que, né? Aposento o pc e fico inventando brincadeira atrás de brincadeira porque cada uma só a consegue entreter por uns poucos minutos. Resumo da ópera: Malu tem demandado muito a nossa atenção e reclama se não a tem. Justíssimo.

- Malu foi a um parquinho pela primeira vez e esteve mais interessada em colocar a boca em todas as coisas. Fase oral maravilhosa!

- Vou desistir de falar sobre o sono, o que que vocês acham? Desisto. Desisto mesmo. Um dia ela vai dormir bem, tenho fé. Pra já, tá bem instável, há dias que dorme razoavelmente, há outros em que acorda aos berros (mais um sinal da ansiedade de separação) e mais outros que rola pra lá e pra cá, acorda na cama dela, de barriga para baixo e chora porque não consegue voltar à posição anterior. HAHAHAHA Sonecas diurnas: um caos. Protesta muito pra dormir e, quando dorme, dura uns 20 minutos. Aí vocês imaginam, quando eu finalmente consigo que ela durma, a Meg late/passa um motoqueiro a 300km/h na rua/a vizinha ,que não sabe o que sutileza é e mora no terceiro andar, grita pela nora que mora no primeiro. A vontade de sair correndo nessa hora grita mais que a vizinha.

- Habilidades motoras da Malu se resumem a: parece uma cobrinha que rasteja apenas em círculos. Só sai do lugar girando de 180º a 360º. Gira e fica um tempão lá olhando para coisas que ela ainda não consegue alcançar. 

- Brinquedos são uma bela forma de gastar dinheiro e só, na maior parte do tempo. Ela tem alguns vários, brinca, é capaz de ficar entretida, mas prefere infinitamente as etiquetas (ainda as etiquetas!). Para além disso, caixas de papel, saco de plástico, pacote de biscoito, embalagem de barra de cereal, colher, controle remoto, tudo é mais interessante do que o tecladinho maravilhoso com as notas musicais. Como eu sou menas, deixo de bom grado ela brincar com utensílios de cozinha e embalagens. Deixo, até vir o José a reclamar: "Olha lá que ela engole isso blá blá blá" "Não engole nada que eu to de olho. Tá pensando que eu sou doida?" "Tou". Respeito pela mãe: zero elevado ao cubo.

- Brincadeira favorita: encher a mãozinha de baba/comida e ficar abrindo e fechando para ouvir o som que faz. É impressionante a capacidade que ela tem de ficar longos minutos nesse divertimento. Acho tão engraçado que tenho vontade de fazer também.

- Gosta muito de água. Tipo muito. Tipo ama. Vê o copo e já começa a sacudir os braços que nem uma doidinha. Um dia, inclusive, peguei o copo e tive a impressão de ouvir ela dizer "aba", mas nunca mais repetiu. Acho que foi loucura da minha cabeça mesmo.

- O José fala "Pipinha" e ela acha graça sempre. Sempre. PIPINHA. Pipinha, minha gente! Sei lá de onde eles tiraram essa brincadeira interna...

- Com o bom tempo de primavera, estamos começando a aposentar casacos, macacões de fleece, pijamas quentes...sejam benvindas, manguinhas curtas! Vamos colocar os bracinhos gordos da Malu de fora!

- Introdução alimentar: Ai, a introdução alimentar. Tenho um post a meio sobre isso, mas faltou coragem para terminar. Só vos digo uma coisa: SAGA. Tem uma galera no meu Facebook que já fica só esperando a postagem diária sobre o assunto para se divertir. Juro que não sou neurótica para que ela coma desesperadamente, bata um pratão, até porque mama super bem e o leite continua a ser o principal alimento até um ano, mas meu esforço e preocupação é para que eu siga um bom rumo e não faça das refeições uma hora de tortura. Estamos nessa há quase 1 mês e meio e lentamente progredimos todos os dias. A grande questão não é que ela recuse as coisas, é que, como teve durante 6 meses apenas o reflexo de sucção, enche a boca de comida e não sabe que aquilo é para ser engolido. Resultado: cospe tudo fora. Acredito verdadeiramente que ela tem que se divertir com os alimentos, lambrecar tudo, passar no cabelo, na cara e, obviamente, Malu corrobora a minha teoria porque faz isso todo santo dia. É uma fofura, a Meg então, está amando os novos sabores que tem encontrado pelo chão, já fica a postos quando nos ver preparando tudo. Agora minha confissão: ela acaba de comer e me dá uma preguiça só de olhar a bagaceira, ter que limpar bebê, chão, cadeirão, etc. Apesar da preguiça e dela ir comendo poucas colheradas, repito o processo todo santo dia mais ou menos na mesma hora pra ir criando o hábito mesmo. Hoje ela comeu uma banana quase toda! Ficou uma colheradinha só <3 Detalho a saga toda num post só, prometo.



- Falando em Meg...as duas estão criando uma relação que é uma coisa muito gostosa de ver. Malu  já sabe que a Meg é a Meg, ou seja, liga o nome ao bicho. Acorda procurando, dá bom dia do jeito dela, abre a boca pra Meg lamber (escatologia define nossas vidas ultimamente <3), puxa orelha, pelo, rabo, pata, grita com ela. A cadela retribui o "carinho" e deixa ela fazer o que quer, ainda senta no colo. Ás vezes, eu e José ficamos só olhando e rindo a brincadeira delas duas. Alguém tinha que vir e nos colocar um babador nessas horas. 




- A mistura baba que não acaba nunca, restos de comida e cocôs estranhos taí pra me mostrar que eu sou um fracasso na lavagem de roupa. Mas um fracasso bonito. Não interessa que lavar roupa na máquina seja só colocar lá dentro, ligar e pronto. Eu sempre erro o modo de lavagem. SEMPRE. Resultado: Malu ganhou toda uma geração de roupas manchadas, desbotadas ou se desfazendo. Alguém me ajuda, gente? Como que lava isso?

- Malu aquática: e lá se foi o primeiro mês na natação! Nunca vim detalhar aqui a coisa toda, né? Mas pronto. Nós decidimos colocá-la não com a intenção real de que ela aprenda a nadar desde cedo, seja atleta, tenha atividades extras e isso tudo. Nossa principal preocupação foi por saúde mesmo. Vocês lembram, muito novinha ela teve uma bronquiolite, que, segundo a médica, é perfeitamente normal e tal. mas eu fui uma pessoa muito cheia de problemas respiratórios, asmática, pneumática, sei lá o que mais, e o José também sofreu muito com coisas parecidas. Lógico que pela genética, ela tem uma tendência clara a seguir pelo mesmo caminho. A natação é ótima para ampliar o repertório respiratório e o nosso intuito é mais preventivo que qualquer outra coisa. Desde a primeira aula, a reação dela foi fantástica, nunca teve medo. Leva com água na cabeça, na cara, deita na caminha flutuante, faz tudo. O professor disse que talvez o fato dela tomar banho de chuveiro tenha ajudado na adaptação. No último sábado, ela aprendeu a bater as perninhas. <3 <3 <3



- Sling, amor verdadeiro, amor eterno: estamos aqui na maior lua de mel com o sling de argolas! Acho que é a melhor fase. Andei um tempo reclamando que ela não relaxava lá dentro por causa da posição e não se i que...balela, minha gente! Acho que eu não estava sabendo ajustar direito. Certo é que coloco-a aqui direitinha na posição de lado, em cima do osso da minha bacia, e simbora passear! Pense na maravilha! Olha pra tudo, interaje com o mundo e até dorme. Obviamente que passado 1 hora e tal, cansa, afinal são 10kg, mas tem sido uma delícia passear com ela assim agora que o tempo melhorou. Uma delícia também os olhares de espanto feat. curiosidade das pessoas. "É um bebé que ali vai? :o"

- E a mãe? Eu tô aqui, né, gente? Retomando as pesquisas para voltar ao mestrado em setembro, verdadeiramente decidida a mudar de tema, o que vai fazer os professores me amarem ad eternum. Ultimamente tenho tido mais períodos de "meudeus, quero sair correndo!". Tanto por causa dessa fase da Malu que demanda ainda mais apego, como por uma questão hormonal também. A maravilhosa red voltou e com ela uma TPM do cão, mas do cão mesmo. Aliás, esquisitíssima essa volta da menstruação depois do parto. Instabilidade define. Por isso, se eu ficar grávida de novo, não se espantem, tá?...BRINCADEIRA, GENTE! 

- E o blog? O BLOG FEZ UM ANO, MEU POVO! Dia 12 de abril de 2013, estávamos eu e mais duas amigas iniciando esse puxadinho aqui. As meninas seguiram com a vida e sobrei eu com as minhas histórias. Quando começamos, tinha eu 20 e tal semanas de gravidez, sabia de nada (inocente!) e vejam só onde estamos hoje. Quero dar um presente a vocês que nos acompanham aqui, mas ainda estou resolvendo e me organizando (daqui pro segundo aniversário da Malu, a gente resolve).


Então, e vocês? Contem-me coisas bonitas.

terça-feira, 25 de março de 2014

Para quê a pressa?

Se tem uma coisa que os bebês adoram fazer, mesmo sem a menor intenção, é nos ensinar que eles têm um tempo próprio e muito particular: o tempo deles. O tempo de crescer dentro da barriga, de nascer, de crescer fora da barriga. E dentro do universo tempo do bebê, cada bebê tem seu tempo, por isso, é inútil compará-los. 

Nós, humanos adultos impacientes que somos, adoramos, por nossa vez, fazer com que os bebês sigam o nosso tempo. E o nosso tempo é cheio de pressa. Bebê tem que nascer às 38 semanas, bebê tem que ganhar 1kg por mês, bebê tem que sorrir antes do primeiro mês, bebê tem que sentar aos 6 meses e comer todas as frutinhas antes de completar os 7, bebê tem que engatinhar aos 8, falar aos 9 e andar aos 11. Tem que fazer porque o médico disse, porque a vizinha falou que é assim, porque quero logo que ele seja independente e vá dormir no quarto sozinho, a noite toda. São estímulos demais, quereres demais e ansiedades demais projetadas em cima de alguém com poucos centímetros e tantos instintos. Teimamos em ir contra, teimamos em apressá-los e depois o que fica? Saudade. Um lamento eterno porque passou rápido demais, porque o bebê cresceu e não quer mais andar ao colo.

A Malu demorou até as 28 semanas de gestação para nos dizer que ela era ela. Nasceu quando quis, às 39 semanas e 2 dias. Nunca mamou de 3 em 3 horas. Agora, quase aos 7, é que fica mais tempo sentada sem apoio. Agora, quase aos 7, é que ela gargalha.

Não vou ser aqui hipócrita e dizer que fui sempre um Buda da compreensão. Muitas vezes eu quis que passasse logo. Quis que aquelas noites longas do primeiros mês fossem passado, quis que ela dormisse umas horinhas seguidas sem lembrar de mamar, que caminhasse pelos próprios pés sem precisar de colo, que me deixasse almoçar sossegada enquanto brinca com os brinquedinhos dela. Noite passada, inclusive, ela acordou chorando n vezes e eu pensei: Malu, quando isso vai acabar? Parei de escrever esse post incontáveis vezes para sentar ao lado enquanto ela brincava. Se eu me afastava, ela protestava. Até que dormiu segurando o meu colar. Quando, nos seus próximos anos de vida, ela vai fazer isso de novo? Quando ela vai caber assim no meu colo?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ao pai

19 de março de 2014.
Dia de São José.
Dia do Pai em Portugal.
O primeiro dia do Pai do pai da Malu.
O José.

Então hoje, deem-me licença, vou falar ao pai.

Naquela altura do enamoramento, creio que ainda na época online, peguei-me pensando: "O José daria um bom pai". Não disse a ninguém. Guardei a constatação. Não que eu estivesse já cogitando, não que fosse um plano para tão breve. Apenas pensei. Pensei porque não me lembro de conhecer alguém tão preocupado com o outro, tão atento se estamos bem, se precisamos de algo. E já agora não consigo mais definir porquê pensei. Apenas pensei. 

Muitas vezes nesse meio tempo, as coisas estiveram confusas. Quando isso acontece, tento sempre lembrar do que me disseste um dia: "Vou enrolar teu cabelo para tudo continuar  funcionando". Nem precisa, amor, nem precisa. Basta você chegar. Toda vez que te vejo caminhando em minha direção, sei que as coisas vão ficar bem.

Mas aí estou falando do José "amor". Entre o pensamento que guardei e o José pai, levou tempo. Levou o tempo da Malu. Levou o tempo de analisar o valor da taxa de beta HCG. Levou o tempo de ir a cada consulta do pré natal. Levou o tempo de ouvir um coração bater, um coração feito por nós os dois. O tempo de frequentar aulas de preparação para o parto. O tempo de pesquisar e aprender sobre o parto, pesquisar e aprender sobre como cuidar de um bebê. O tempo de escolher um nome, de preparar a casa, a vida. O tempo de segurar a minha mão durante as contrações, de fazer piada entre uma e outra. O tempo das noites em claro, de saber se é normal o recém nascido respirar assim. O tempo de aprender o nosso jeito, descobrir as nossas formas. Levou o tempo de ver o amor multiplicar, crescer e fazer rir. O tempo. Levou o tempo que o tempo tem e que terá.

Não há nada que eu queira te dizer hoje que também não queira dizer outros dias. A Malu está muito bem de pai. Tem um pai que não ajuda. Tem um pai que faz. Um pai que é pai, que tem papel de pai. Um pai que paterna e não apenas assiste a mãe maternar. Malu tem um pai. Malu tem O pai e eu tenho sorte de ter  vocês os dois.

Feliz todos os dias de pai, neguinho

quinta-feira, 6 de março de 2014

6 meses de filha da mãe, 6 meses de mãe da filha

AHA UHU
Todo mundo pode vir comer o nosso bolo porque estamos de parabéns! Mãe, pai, filha e Meg. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos nessa primeira etapa de muitas.

Eu estaria mentindo se dissesse que você foi planejada. Não foi. Não foi porque eu e José somos bem ruins de planejamento. Capengas mesmo. Mas também estaria mentindo se dissesse que a gravidez foi uma surpresa. Não foi. A verdade é que ela foi sempre desejada. A verdade, filha, é que você é toda feita de amor. Da sua unha esquisita do dedão do pé até a sua mecha de cabelo branco do topo da cabeça. Tudo envolvendo você sempre envolveu também amor. Amor e números engraçados.

Foi assim que sua história começou, filha
No dia 11 do 11 de 2011, estava eu em cólicas no terminal 2 do aeroporto do Galeão, agarrada a uma garrafa de água e mirando impacientemente a porta do desembarque. Seu pai foi o último a sair de lá com aquela camisa do Rocky que hoje nem existe mais. Depois de 9 meses de relacionamento online, era a primeira vez que nos abraçávamos (e beijávamos). 15 dias depois, ele voltaria para o lado do oceano de onde tinha embarcado. Não sei quando o amor nasceu aí nesse meio, mas a data da saudade foi 26 de novembro de 2011. Chorei, choramos. Quase um ano depois, eu que atravessei o mar todo. E vim. Vim para o mestrado. Vim para o amor. O resto você já sabe. 

O que você talvez não saiba é que sua mãe precisa de estar permanentemente apaixonada para funcionar. Foi sempre assim. Só estudei o que amei, só trabalhei onde amei, só carrego comigo quem eu amo. Eu me apaixonei por estar grávida e acho que por isso as coisas correram tão bem. Entreguei-me àquilo tudo, entreguei-me às transformações do corpo. Estudei exaustivamente o que acontecia e estava prestes a acontecer. Não foi difícil.

E então, você nasceu. Há 6 meses e uns dias, você nasceu. E foi um tal de me apaixonar pela maternagem. Até então, eu amava a ideia de ser mãe. Dia 31 de agosto de 2013 tive de por o plano em prática. Transformar todas aquelas leituras em ações, buscar minhas próprias saídas e lembrar um bocado do que a minha mãe (sua vó) dizia. Não tem sido fácil, filha. Entre as palavras escritas por outros e o nosso dia-a-dia existe um desfiladeiro enorme. Existem o nossos valores humanos, existem obstáculos, existem as nossas capacidades. Com você nos meus braços, 24h/dia, 7 dias por semana, aprendi que a maternagem ideal é aquela que aprendemos a construir na prática. Há sempre o nosso jeito. E o nosso jeito, aprenda isso logo, é o melhor para nós. Não significa que será o melhor para os outros porque as pessoas são diferentes. Isso se chama compreensão e foi você que me ensinou da forma mais genuína e indubitável possível.

Quando eu saí de baixo da asa da sua avó, aos quase 22 anos, cresci um bocado. Fui morar em outra cidade, com outras pessoas, pagando uma boa parte das contas e tendo que me virar para arranjar emprego onde ninguém sabia de quem eu era filha. Na altura, precisei disso para saber que era capaz. Ser sua mãe me fez mulher, enfim. Muito mulher. Não que eu ache que só é mulher quem se torna mãe. Mais uma vez, estamos falando da nossa experiência. 

Nesses 6 meses, vi minha paciência crescer a níveis astronômicos. Vi o meu senso de responsabilidade triplicar. Vi que eu posso. Sim, eu posso. Eu posso amar ainda mais porque é isso que acontece todos os dias quando você acorda: o meu amor só cresce.

Como boa taurina com ascendência em Touro, eu gosto de ter controle sobre as coisas, de estar segura, de saber o que vai acontecer. Tanto que tenho a mania intragável de ler a última página dos livros antes da primeira. Maternar é um pouco sobre perder o controle. E eu tenho perdido feio, Maluzinha. Tenho que seguir com os capítulos por vez porque simplesmente ainda não há última página. Quem foi que disse mesmo aquilo de "o caminho se faz caminhando"?

6 meses é só o começo e já caminhamos um bocado. 


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O último mimimi de 2013

A esta altura, em 2012, eu estava decidindo de que cor pintar as unhas e fazendo minha tradicional faxina de fim de ano (ou parte dela). A esta altura, em 2012, eu estava enchendo os cantos da casa de sal grosso e separando as roupas que não mais usava. A esta altura, em 2012, eu aguardava ansiosa para adotar um cão (fizemos um acordo de que ele viria em janeiro). A esta altura, em 2012, eu estava grávida e sabia que sim, mas achava que não. Nas primeiras horas do dia 1º, preparava-me para dormir. Troquei de roupa em frente  ao espelho. 

- Amor, olha a minha barriga! Olha pra isso!
- Ihhh! Tá grávida mesmo!
- Rum...rum hum...

E deitamos rindo os dois, achando graça, mas sabendo. Sim, sabendo. Oito dias depois a Meg chegou. A 15 de janeiro, o Beta confirmava que a Malu também estava a caminho.

Este ano, a esta altura, não tive tempo de fazer a faxina de fim de ano, não posso por sal grosso porque a Meg tem apetite para esse tipo de coisa. Estou aqui sentada no tapete, ainda de pijama, com uma bebê obcecada pelas próprias mãos e sons que aprendeu a fazer. A cadela...bem, a cadela acabou de destruir a bola que ganhou de Natal.

Sou muito sensível ao fim do ano, mais do que ao Natal. Foi quase sempre assim. Gosto daquele friozinho na barriga que precede o novo, daquela contagem regressiva em que todo mundo para. Não dá mais tempo fazer o que se queria, então vamos apenas parar e ver o novo ano chegar. Eu fico nervosa, rio nervoso, faço todas as simpatias, distribuo todos os abraços e sou suficientemente ingênua para acreditar que vai ser melhor, que vou fazer diferente. Ainda canto a melodia que a minha vó entoava em todos os reveillóns que passei na casa dela: "Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Que tudo se realize no ano que vai nascer...". Posso até dizer que cresci, mas continuo depositando todas as fichas no que está por vir. As mesmas fichas que eu depositava quando beber Cidra Cereser em um copo de plástico era a maior das minhas transgressões.

Entre o positivo e essa tarde chuvosa ainda de pijama no tapete, aprendi que nem tudo é sobre mim, nem tudo é sobre o que vou vestir na passagem do ano. Aprendi que o amor não é preguiçoso. Ele depende da sua dedicação, do seu cuidado, do seu colo, do seu peito. Ele vai te chamar às 4h da manhã e nem sempre é fome, nem sempre é fralda suja. Pode ser só saudade. Ele não vai fazer questão que você tenha lavado o cabelo. Vai demorar 4 horas para pegar no sono e acordar 20 minutos depois. Finalmente, ele vai rir quando te apetece chorar e você vai rir também. Pode parecer sadismo, mas aprendi que amar dói. Dói porque significa sair da zona de conforto. É a zona de confronto. Amar é o todo dia mesmo quando não te apetece sair da cama.

O que 2013 me trouxe vai durar bem mais que seus 365 dias. Passei os dedos pelo teclado imensas vezes tentando não fazer soar demasiado clichê, mas é mesmo isso: nasci e fiz nascer. Nasceu minha filha e eu nasci mãe. Nasci porque assim como ela aprende sobre suas mãos, eu descubro a melhor forma de fazê-la crescer feliz. 

Ontem eu achei em um bloquinho antigo a lista de coisas que eu tinha a fazer no dia que "conheci" o José  (um dia conto a vocês essa estória). Foi a única lista que lembro de ter cumprido até hoje. 11/11/11. Como não dizer que foi um reveillón? O que eu quero dizer é que venho reaprendendo a comemorar minhas passagens de ano. São agora passagens de dias. Como o reveillón do dia 31 de agosto. A contagem regressiva culminou às 18h38 com 3,630kg e 50cm de ano novo.

Não vou me alongar muito mais, até porque começo a não fazer sentido querendo fazer. Mas vale salutar também que, nascendo Malu e nascendo eu, nasceu o blog. Nasceram vocês para mim. Nasceram histórias para acompanhar. Nasceram laços. Nasceu a Nana tentante que gestou a gestação e agora tem um biscoito no forno. Nasceu a Marina cheia de força, cheia de graça, cheia de um novo bebê. As duas primeiras pessoas com quem entrei em contato na "blogosfera materna" costuram esse ano no próximo. E que venha a maternagem, que venha!

Espero não esperar muita coisa de 2014. Espero que a Malu siga bem com seus picos de crescimento, saltos de desenvolvimento e curiosidade pelo mundo que a cerca. Que o José continue encantado com as coisas que ela aprende do dia para o dia. Que a Meg tente manter seus brinquedos intactos por pelo menos 24 horas. 

Que 2000 e catarse, amigos. Catarse.

Até para o ano!


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Da impotência ou Quando um filho fica doente

Nenhum(a) leitura/pitaco/dica/conselho poderia preparar-me para ver meu bebê doente. Nenhuma. Nada. Ninguém. No auge da confusão, eu só conseguia pensar de onde os pais tiram tanta força para tomar decisões acertadas em um momento como aquele. Não há dor no mundo como aquela, não há maior entrega do que querer a dor do pequeno toda para si.

Ia tudo supermegablaster bem, fora o frio de rachar que vem fazendo e o fato de eu ter ficado de cama uns 2 dias na semana passada.  Usei máscara ao cuidar da Malu, amamentar e tudo. Passou-se um dia, melhorei e ela parecia okzinha também. Alívio. No dois dias a seguir, ela andou enjoadinha, reclamona, chorosa, mas mamando bem e evacuando normalmente. Pensei que era a crise dos 3 meses já à porta. Até que numa troca de fralda, decidi por o termômetro só por curiosidade. A temperatura só subia, loucamente, descontroladamente, tal qual uma sensação de pânico na boca do meu estômago. 38,8ºC. Fiquei cega, agarrei-a como se o abraço espantasse a febre. Uma hora depois, o José já tinha vindo do trabalho a correr e estávamos a caminho do centro de saúde. A nossa médica de família não estava. Ela foi vista por uma outra. Uma senhora absolutamente fria, "objetiva", que disse ser uma" infecçãozita", que não via caso pra se preocupar e era só dar-lhe paracetamol quando a febre subisse. Voltamos pra casa, mas não consegui ficar absolutamente tranquila. Maluzinha não fazia seu "agu uh uh" de sempre, não festejou no banho. 39,5ºC. A febre não cedia. Coloquei-a pra dormir tentando acreditar que o medicamento faria efeito.



3h10 da manhã. Malu gemia, os movimentos eram lentos. 40,4ºC. Aqui veio o desespero. Desespero com todas as letras. Previ uma convulsão, que felizmente não veio. Demos-lhe um banho pra baixar a febre e corremos pras urgências. Então. começou uma saga. Só um dos pais podia acompanhá-la. O José ficou na recepção gelada enquanto eu carregava-a angustiada pra cima e pra baixo. Tomou antitérmico via supositório, foi alscutada n vezes, fez nebulizações, tiraram-lhe sangue do braço, dos pés, foi aspirada, eu tinha de evitar pegá-la ao colo pra ver se a temperatura descia, mais antitérmico, usou sonda pra colher xixi. Ela já tinha sido tão massacrada, que chorava desesperadamente só de ver alguém se aproximar. Eu só chorava. Não lembrava de comer, de beber água ou ir ao banheiro. Já às 15h, o José pode entrar por uns minutos. Foi quando eu "almocei". Ele levou mais fraldas, mais bodies. A febre ainda lá e não nos davam certeza do que ela tinha. Perto das 22h, disseram que ela precisava ser transferida para outro hospital. Eu não tinha dormido, comido direito ou tomado banho, e, naquela altura, as palavras soaram como uma sentença negativa. Pensei que o caso era tão grave que ela ia precisar de cuidados especiais. O José veio de novo. Chorei copiosamente, tinha as ideias todas atrapalhadas. Ele então parou uma enfermeira e pediu que ela nos explicasse exatamente o que estava acontecendo. A Malu, afinal, tinha uma bronqueolite aguda e precisava de um internamento de acompanhamento. Estávamos ainda nas urgências e eles não tinham equipe para acompanhá-la, por isso a transferência.

Às 23h, chegamos de ambulância ao Pedro Hispano. O médico mais cool que eu já vi na vida atendeu-nos a tranqulizou. Realmente era uma bronqueolite, uma espécie de gripe forte em nós adultos. Os pulmões dela estavam mega congestionados, o nariz entupido. Ainda tinha uma suspeita de infecção urinária. Estranhamente, por mais que os nomes pareçam assustadores, foi aqui que fiquei calma. Senti que tudo ia ficar bem. A Malu recebeu o tratamento mais humanizado que poderia ter tido. Cada médico e cada enfermeiro que por ela passou foi impecável, diferente da experiência nas urgências. Foram sempre cuidadosos, conversavam com ela, não a incomodavam se estivesse dormindo. No dia a seguir, apresentou melhora e assim seguiu até a alta, na tarde de ontem, uma vez que a suspeita de infecção urinária foi despistada. Como mãe, estive lá sempre. Não deixei de amamentar por nada, fazia-lhe as nebulizações necessárias, media-lhe a temperatura. O nosso protagonismo de pais foi sempre respeitado e, deus, como eu agradeço por isso. 

A princípio, senti-me extremamente falhada, impotente. Como o meu carinho não fazia a febre dela ir embora? Como o meu leite não foi capaz de protegê-la da doença? Poder tratá-la durante o internamento deu-me confiança. Recobrei a minha capacidade de acreditar que posso sempre ajudá-la do meu jeito. E o José ajudar-nos porque sabe-se lá o que teria sido sem ele ali. Tanto que a alta veio na véspera do aniversário dele. Nada é mesmo por acaso.

Esse relato me é tão caro quanto o do parto. Tive de exorcizar esse medo todo que fechou o primeiro trimestre de vida dela e de "revida" nossa. A fofinha completou seus 3 meses com um catéter no braço, mas infinitamente mais pronta pro que virá. 

E ontem, de volta a casa, ao deitarmos todos juntos, vi que atravessamos mais um rito, para o qual não estávamos prontos, mas que fez-se necessário. Na próxima, mamãe pode até chorar menos, mas vai sempre querer ter a dor ao invés da filhota dela.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

1 mês da Malu(ca)

Virei, remexi, digitei, apaguei, digitei de novo, apaguei e não consegui achar forma sensata de escrever um post comemorativo do primeiro mês da minha bichinha. Talvez porque ontem, no dia exatinho do seu mesaniversário, ela esteve impossível e nervosa, arrancou-me um tufo de cabelo e sequer me deixou tomar banho. Estive/estou exausta. Uma exaustão insanamente boa.

Podia então dizer pra vocês que nesse mês a única vez que chorei foi quando ela, pela primeira vez, fixou os olhos nos meus por uns segundinhos. Tinha lá seus 15 dias. Foi como uma lufada de ar fresco na cara. Senti uma queimação que começou no peito, passou garganta acima e verteu em forma de valentes lagriminhas. Podia dizer que ela descobriu que polegar e boca são uma combinação perfeita e que eu deixei algumas vezes porque fiquei enternecida. Depois resgatei meus culhões maternais e não deixei mais (com algum pesar porque é mesmo engraçado). Podia dizer ainda que ela tem o sono mais barulhento desse mundo e dos outros e que gosta de movimento em loop eterno. Podia dizer que o José aprendeu como segurá-la, desenvolveu suas próprias técnicas, mas ainda me pergunta se a cabecinha dela tá na posição correta. Que já estivemos muito desesperados de sono e ela desarmou-nos com o olhar. Podia dizer, por fim, que ela tem uma força descomunal, gargalha dormindo, adora agarrar-se às nossas roupas e que eu sou viciada no hálito dela porque é simplesmente a coisa mais cheirosa que existe. Mas eu não consegui produzir nada de jeito. Então achei o bilhete de boas vindas que tinha escrito (ou começado a escrever, já nem lembro). Escrevi e era pra ter publicado, mas as contrações não deixaram. Ela nasceu no dia seguinte. Ontem fizemos todos um mês e hoje eu completo um ano vivendo além mar. Deixo aqui então essas linhas de agosto, mas que ainda fazem todo sentido em outubro.


Oi filha.
Aqui quem fala é a sua mãe. Sim, eu sei que você já conhece minha voz e as minhas piadas infames. Eu te escrevo porque, você vai descobrir isso depois sozinha, sou melhor escrevendo certas coisas do que falando. Não teremos outro momento assim, em que somos a mesma pessoa, apesar de sermos duas. Sinto necessidade de registrar, mesmo sabendo que não vou esquecer. 

Deste limbo delicioso chamado espera pela sua chegada tenho vontade de verbalizar (ou tentar) o prazer que foi te carregar. Desde que me descobri grávida, o mundo girou e as coisas caíram em lugares tão maravilhosamente novos que eu nunca descobriria sozinha, acho. E então eu amei. Amei muito. Amei acompanhar seu crescimento, amei fazer as pessoas te amarem, amei te incluir nos nossos planos, amei mais ainda o homem que seu pai vem se tornando. Amei e amo. E aí, filha, aí eu chorei. Chorei mais do que me lembro de ter chorado nos últimos anos. Um choro sem vergonha. Choro de angústia, choro de felicidade, choro de chorar. E aí, filha, aí eu ri. Ri ainda mais do que eu ria sempre. Ri por tudo e por nada. Ri de você, dos outros, do seu pai, da Meg, de mim. Ri. E soube muito bem.

Falando em seu pai. Sim, ele também tem umas piadas infames. Eu sei disso. Pois é, são piores do que as minhas. É verdade também. Mas por trás desse piadismo todo, um José totalmente novo saiu da casca e isso graças a você. Na verdade verdadeirinha, ele só aprimorou o que tem de melhor, que é se preocupar e cuidar das pessoas. Temos sido muito bem cuidadas e mimadas e amadas. Seu pai tem interesse em saber como você está aí dentro, como vai ser quando vier cá pra fora, como trocar suas fraldas, como te acalmar, como te segurar. Ele tem lido, tem visto videos, tem se informado. Fisiologicamente, é na minha barriga que você está agora, mas estamos os dois grávidos. Estamos te gestando e você também tem nos gestado. Vamos nascer todos juntos, uns para os outros, quando for a hora.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Puerpara que agora é hora do show das poderosas


Antes de soltar o som pra vocês me verem dançando, um muito obrigada bem grande e só amor no coração pelo post do relato. Pensem numa repercussão! Não tinha nem como continuar com aquele “nó” depois do tanto de carinho que recebi. Já assentei minha cabecinha que fiz a coisa certa praquela altura e como disse a Vaquinha no comentário dela, “as vantagens de sermos pessoas esclarecidas e informadas é termos o poder da decisão nas nossas mãos”. Definitivamente fechei o capítulo parto.

Virando a folha, cheguei nele, o puerpério, o terror das famílias desse mundo e dos outros. Seu exército pode ser pesado e ter o poder que tiver, mas o pós-parto é LOUCURA. Loucura de amor, de sono, de choro, de babação. É loucura. Fim. Vou confessar que sempre que eu lia as dicas/textos/relatos dizendo que essa era uma fase delicada e tal, ficava meio naquela “ai, será que é isso tudo?”. É sim. É isso tudo que você está pensando. É tipo bater um suco pressionando o botão “pulsar” do liquidificador, aquele que tem toda força. Ok que eu posso estar com meu exagerômetro ligado, vir aqui uma mãe e dizer que a vida dela foi um mar de rosas no pós parto. Um beijo no coração dessa linda, mas acho que em 99,78% dos casos acontece uma piração em níveis variantes. Lembram que eu cheguei a dizer que a Malu(ca) era um bebê fantástico, uma santa que só chorava pra trocar a fralda? Na segunda semana em casa, ela resolveu despirocar. Resolveu não dormir à noite, resolveu que ela devia fazer uns barulhos estranhos enquanto respirava (motivo pelo qual fomos parar nas urgências aos 11 dias. Diagnóstico: gases), resolveu que ela ia abrir aqueles olhos rasgadinhos pra nos matar de amor, resolveu só querer dormir no bebê conforto, resolveu desistir do bebê conforto, resolveu que bom mesmo na vida é balançar e balançar infinitamente. Tadinha da minha criança. Falando assim até parece que ela, hoje com 27 dias, resolve alguma coisa. O mundo todo doido e a gente querendo que ela seja razoável. Quem nós pensamos que somos?

Foram dias de aprender a lidar com ela e a lidar comigo mesma. Fisicamente, tinha os malditos pontos para administrar, um corpo voltando pro lugar no seu tempo e uma alergia. Não sabemos ainda exatamente o que, mas algo me intoxicou durante o internamento, provavelmente alguma medicação ou componente da epidural. Resultado? Uma empolação gigantesca nas pernas e nos braços. Coisa escabrosa mesmo. Imaginem carregar um bebê no colo quando a única coisa que você quer é se coçar como se não houvesse amanhã. Muito anti histamínico na fuça e só agora começo a ter minha pele de volta. Ficam aqui 2 alertas: medicação pra mãe que amamenta apenas com aval do médico e muito cuidado com as medicações dadas na maternidade. Sempre informem a que vocês têm alergia. Convém ficar atenta.

O meu leite desceu no 4º dia. E como desceu! Rolou um alto congestionamento mamário. Parecia que eu tinha duas bolas de boliche no lugar de peitos. Com massagens e mamadas, o perrengue passou em um, dois dias. Esse perrengue. Porque eu ainda tive a boa e velha fissura. Apesar de eu ser a patrulha da pega correta, ainda tive os mamilos machucados. Nada dramático, nada de querer morrer e matar, mas machucou. Caía uma lagriminha toda vez que ela vinha mamar tamanha a dor. Recorri ao melhor remédio de todos: o próprio leite. Passava nos mamilos depois da mamada, deixava secar e beijotchau. Mais 3 dias e tava tudo lindo. Machucar, machuca, é natural, mas pra coisa não ficar insustentável, o melhor mesmo é insistir pro bebê fazer a boa e velha boquinha de peixe. Ainda estou aprendendo a administrar todo esse fluxo lácteo. Jorra aqui que parece uma mangueirinha, porém sem válvula de ligar e desligar. E haja roupa manchada de leite, haja Malu se engasgando. Não sei como já tiveram coragem de perguntar se eu tinha leite suficiente "porque se ela chora deve ser fome" e a criança com uma bela barriga ganhando meio quilo por semana. Queridan, melhore! 

A senhorita aqui de casa basicamente tem os mesmos padrões de sono que tinha na barriga. Entre 23h e meia noite, ela desperta e aí, meus amigos, só com reza. Não tem embalo, banho e gracinha que dê jeito. Quando ela não chora, fica nos encarando deixando claro que todos os esforços em fazê-la dormir serão inúteis. Não tem “The happiest baby on the block” que dê jeito. Já tivemos vários momentos de “desistir”, pousá-la na cama e esperar ajuda divina. Geralmente nessa parte ela se cala e foca em qualquer coisa que esteja ao alcance dos seus 20 cm de visão. A essa hora da tarde parece cômico, mas no auge da madrugada é tudo muito desesperador.

Aí que você tem um peito jorrador de leite, não dorme mais que 2 horas seguidas por noite, está com o pescoço, braços e ombros todos destroçados e ainda tem que ouvir os bons e velhos conselhos/palpites. Porque de bebê, futebol, política e fofoca todo mundo entende. Com a alergia e até para nos habituarmos uns aos outros, ficamos esses dias todos sem visitas, o que foi fundamental para não pirarmos. Maaaaaaaaas, sempre tem um ou outro (leia-se vizinhos) que topam conosco na escada ou aparecem como-quem-não-quer-nada pra dar um “recado”. Nessa, tinha a Malu 5 dias e eu já estava escutando que não devia acostumá-la ao colo porque blá blá blá blá blá “eu fiz isso com a minha filha e blá blá blá blá”. “Carrega ela assim nessa posição” “Ai, tá chorando! Não será fome?” “Serão gases?” “Tem que ter uma chupeta. Eles ficam calmos com chupeta”. Ainda não derramei uma lágrima de desespero, mas já tive vontade de cortar muitas cabeças. Acontece que eu não sou barraqueira (porém devia) e nem retruco. Escuto as coisas, engulo seco, sorrio e finjo que não é comigo. Cada frase dessa rende um post à parte, principalmente a da chupeta. Pra já, resumo a minha opinião em “não vou colocar na boca da minha filha um pedaço de silicone fingindo que é meu peito. Beijos”.

Se eu pudesse dar uma dica a todas as mães que estão nessa fase ou vão entrar em breve, diria: tomem banho. É sério, gente. É mágico. O momento do dia em que eu sou minha e consigo restaurar a minha dignidade. Tem tido uma grande importância na manutenção da minha sanidade. O mundo já pareceu muito perdido, mas eu encontrei-o de novo debaixo do chuveiro. Depois de 20 minutos/meia hora ali, volto pro campo de batalha cheirosa, asseada, parecendo gente de novo e muito mais calma. Santo remédio pra essa semvergonhice de baby blues. 

Tenho uma penca de coisa pra falar, mas vai ficando pra depois. Tagarelar é ótimo pra manter a sanidade também, mas melhor ainda é conseguir almoçar antes que ela acorde. Só reiterando que tenho lido os blogs dazamigue, mas comentar é raro porque tenho usado mais o celular e ele nem sempre ajuda. 

Vou fazer que nem a Carol e deixar com vocês a foto da semana da barrig...não pera

Reclama da vida, mas ainda tem tempo de tirar foto no espelho

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Relato de parto - Malu

Enquanto a realeza desta casa dorme tranquilamente até a próxima mamada, aproveitei pra vir fazer o relato. Engraçado como só fazem 18 dias e parece que foi há uma vida. Aliás, logo depois que eu cheguei em casa e estive olhando as fotos parecia já tão distante. O parto é realmente um rito de passagem que só entende quem passa. Volta e meia ainda tento processar, relembrar, mas acho que me faltava relatar para poder fechar o ciclo. Vamos a isso.

Lembram do post sobre a trollagem do falso TP? Naquele mesmo dia, as contrações aumentaram loucamente. Assim que subi a postagem no blog, elas vinham seguidinhas. Sim, senhores, tínhamos um ritmo. Tentei não me impressionar com o fato, visto que a semana inteira elas tinham vindo e nada. Não liguei o Contraction Timer. Segui com a vida. Ou tentei porque além de ritmadas, elas ficaram mais dolorosas. Muito mais. 

Antes de seguir adiante, vou me permitir voltar uns dias. Na sexta-feira anterior, com 38s +2d, comecei a perder o tampão. Era uma questão de tempo, eu sabia, até o TP. Tempo. Não se sabia quanto. Horas ou semanas. Na segunda, começaram as contrações. Malu se anunciou, se anunciou bem, com paciência, fez-nos viver cada etapa, cada sintoma. Na quinta, tive mais uma consulta de acompanhamento. 39 semanas e 1 dia. Colo 50% extinto, 2 a 3cm de dilatação e a bomba: o médico  me fala da indução. Na verdade, ele cumpriu o protocolo da maternidade. Em Portugal (no sistema público de saúde, pelo que sei) e, especificamente na Maternidade Júlio Dinis, o trabalho de parto espontâneo é esperado até as 41 semanas. Sim, eu já sabia disso, mas não esperei chegar a ter essa conversa. Eu não queria ser induzida. Eu não precisava ser induzida. Meu corpo estava indo bem. Malu chegaria no tempo dela. Ele marcou a indução pro dia 11, dali a 2 semanas, uma semana exata depois da DPP. Fiquei abalada, muda. Enquanto o médico explicava os procedimentos todos, olhei para o José com uma cara desconsolada. Quando fui me despir pra ser avaliada, ouvi os dois conversarem qualquer coisa, mas a minha cabeça ainda zumbia alto demais para prestar atenção. “Eu fico tão insatisfeito quanto você por ter que marcar a indução”. Foi o que ouvi assim que saí da salinha de troca de roupa. Deduzi, então, que o José tinha dito ao médico a minha posição sobre ser induzida. Era examinada e  consolada. “É sempre melhor para a mulher entrar em trabalho de parto espontâneo. Acontece que 'eles' determinam os protocolos e resta-nos seguir. Mas temos aqui uma grande evolução. Isso está andando e muito bem!”. Falava ele da consistência do colo. Não foi o suficiente para me animar. Fim da consulta, eu com a maldita guia da indução debaixo do braço. Cumprimentos. “A Romana não se deixe ir abaixo. Confie em si. Você VAI entrar em trabalho de parto”. Cheguei em casa, olhei pro papel e me dei conta que não tinha perguntado se precisava marcar mais uma consulta pra semana seguinte. Dobrei-o de volta, coloquei na bolsa, passei a mão na barriga. “Deixa lá isso. Não vamos nem precisar desse papel, né, filha?”. 

Um dia depois, estava eu pacientemente esperando o José chegar do trabalho e novamente monitorando as contrações. Algumas vinham muito fortes, outras bem fracas, os intervalos eram regulares e depois mudavam. Era sexta-feira, dia 30 de agosto. Eu estava cansada. A semana inteira sem dormir, a incerteza de quando viria a próxima. A cada contração, tentava descobrir a melhor posição para aliviar a dor. Não era agachada, não era deitada, não era na bola. Caminhando ficavam mais suportáveis. E eu caminhava de um lado pra outro. José chegou, elas continuavam. Pedi-lhe que fizesse as massagens que ensinaram no curso. Jantamos. Elas iam e voltavam. Com ritmo, sem ritmo. Praticamente de 5 em 5 minutos o José perguntava “Maternidade?” e eu “Não. Tenha calma”.  A noite caminhava e eu também. Agora as dores aumentavam e aumentavam. Eram lancinantes. Tinha vontade de gritar. Segui o conselho master: banho quente. Ajudou mesmo. Fiquei debaixo d'água até quando achei conveniente. Não sei se por 1 hora, meia ou 20 minutos. Deixei de controlar o tempo, abandonei o Contraction Timer e fui, inconscientemente, arrumando o que faltava na mala da maternidade. 5H da manhã de sábado, eu joguei a toalha. “Vamos pra maternidade”. Fizemos tudo devagar, sem afobação, mas em menos de meia hora eu já me via numa sala de CTG. Durante o exame NENHUMA contração. 20 minutos com o aparelho colado na barriga e nada, aliás, tive uma bem fraca e depois outra bem forte. A enfermeira não entendeu nada, mas eu sim. “Pronto. Vim pra maternidade e o TP estancou. Paciência...”. A médica do plantão me examinou. Colo 100% extinto e 3 cm de dilatação. Ainda teve um bom tempo discutindo se eu ficaria ou se voltaria pra casa. Fiquei. E tinha caído na minha própria armadilha: tentar chegar no hospital com a maior dilatação possível . Fui cedo demais. Senti falta de uma doula. 

Quando voltei à recepção, o José já estava devidamente paramentado com o crachá de acompanhante. “Ouvi dizer que vamos ficar” “Pois vamos”. E sorrimos os dois assim com frio na barriga sabendo, porém sem saber o que nos aguardava. Contração à espera da enfermeira. Subimos. Recebemos as nossas respectivas batas. Contração. Gozamos de nós mesmos com aquelas  roupinhas esquisitas de hospital. Estivemos um tempo à espera da outra enfermeira. Banheiro. Outra contração. Não queria sentar. Andava de um lado para o outro. Sabia que tinha que fazer a minha parte. Sabia que precisava ajudá-la a querer sair. 

Veio a outra enfermeira e fomos para a sala de expectantes, um estágio anterior à sala de partos. Cama 13. CAMA. Eu não queria ficar deitada. Eu precisava deitar um pouco. Estava tão cansada. A semana de contrações irregulares e noites mal dormidas insistia em me nocautear. Mais CTG. As contrações foram ficando espaçadíssimas. Achei que a bolsa tinha rompido. Alarme falso. Tentamos descansar meia hora que fosse. Eu na tal cama com o CTG na barriga indicando que Malu dormia profundamente, José encolhido na cadeira troncha de acompanhante. 

Pelas 9h, veio a médica. 4 cm de dilatação e a pergunta: “Mas que trabalho de parto é esse sem contrações?”. Nem eu entendi. O certo é que estava avançando, lentamente, no tempo dele, mas estava. Seria já transferida para a sala de partos. Fui libertada do CTG e caminhei. Caminhei de novo. Corredor acima, corredor abaixo. Agora as contrações vinham e eu tinha que me apoiar. Era isso. Continuávamos avançando. José ajudava com as massagens. Caminhei mais. Água. Chá. Mais contrações. Perdi-me. Eu já não estava sabendo lidar com a dor. Tentei focar, tentei me concentrar. Olhava pelo vidro as obras no prédio ao lado, via um pai saindo aflito da sala de partos ao lado, conversava com o José sem realmente dar conta do assunto. 




Chamaram-nos para a sala de partos. Mais CTG. E agora monitoravam também os meus batimentos e a pressão. Queria caminhar de novo, mas veio a onda de cansaço. As contrações. As contrações. As contrações. Só me apetecia chorar. Não procedia. Não fazia sentido. Por que chorar? Meu corpo inteiro gritava e eu comecei a ter medo de ouvi-lo. Fraquejei. Olhei para o José, que segurava a minha mão depois de uma contração particularmente difícil. “Vou pedir a epidural” “Tens a certeza?” “Sim”. Pedi. Estava eu com 5cm de dilatação na altura. Pedi relutante e reluto até hoje em ter feito o pedido. Senti falta de uma doula.

Veio a anestesista com todo aquele ar de anestesista e aqueles equipamentos de anestesista. Pus-me sentada na cama de costas pra ela agarrada a um travesseiro. Não podia mexer. Informava-lhe de todas as contrações. Senti a anestesia local. Sentia-a procurar o espaço epidural ali em qualquer lugar perto da minha coluna. Não conseguiu. Tentou uma segunda vez. Não conseguiu. E aqui eu tive muito medo. Medo do erro alheio. Pensei em desistir. Ela decidiu não prosseguir e chamou outra anestesista. Novamente pensei em desistir. O José estava longe, não podia segurar minha mão agora por conta da esterelização, mas dali sorriu e acenou com a cabeça pra dar segurança. Veio a outra anestesista, uma senhora enérgica que eu não lembro o nome, mas vou lembrar da voz para sempre. Ela conseguiu de primeira. A outra desculpou-se, disse que não estava bem. O ambiente quase cirúrgico foi desfeito. Eu tinha agora um catéter nas costas e continuava pensando se fiz a coisa certa. A analgesia começou a fazer efeito. Era hora do almoço. Nem me passava pela cabeça comer. Só queria água. Não me foi negada. Despachei o José para comer e fiquei sozinha. Fiquei com a Malu, na verdade. Pedi-lhe desculpas pela analgesia. Disse-lhe que queria recebê-la, queria ajudá-la a nascer e que quando precisasse eu teria força. Teria toda a força. 

Nem sei quanto tempo passou. Daqui em diante, não lembro mais das horas de nada. As coisas começaram a acontecer tão rapidamente. A dose da epidural foi forte o suficiente pra me deixar sem sensibilidade nas pernas. Tinha alguma, mas não conseguia levantá-la sozinha, por exemplo. Lembrei das aulas de preparação, dos exercícios a serem feitos pra ajudar o bebê mesmo com epidural. Pedi ao José que me ajudasse a fazê-los. Lembro que a bolsa rompeu com 6cm. Logo cheguei aos 8cm. A enfermeira Carla (a única que lembro o nome e a que mais me ajudou) ia a vinha animada com o progresso do TP. Malu estava bem orientada, tinha encaixado certinho. Continuamos com os exercícios. 9 cm. Não lembro de mais muita coisa que aconteceu pelo meio do caminho. Sei que em determinado momento, a enfermeira Carla veio e disse “Romana, preciso que, a partir de agora, assim que você sentir a contração, puxe com toda força. Mas a força não é aqui em cima, é lá embaixo. Lembra do assoalho pélvico? Então. É lá”. E assim eu fiz. As contrações não doíam, mas eu sentia a barriga endurecer e empinar. Passei a sentir também uma pressão. Era ela. Estava quase. “Muito bem, Romana. É mesmo isso. Mesmo isso! Você está indo muito bem!”. A pressão aumentava. A necessidade de fazer força. Pedi que colocassem a cama no sentido mais vertical possível. Inclinaram ao máximo. O José não saiu mais do meu lado. A anestesista voltou com a médica. Ouvi um bebê chorando em algum lugar. Ainda não era Malu. “Força, Romana! Força! Vamos lá!”. A cabeça coroou. “Ela já está aqui, Romana. Está quase! Tanto cabelo! Não saiu ao pai”. A cada puxo, o medidor dos meus batimentos ultrapassava 150bpm e apitava loucamente. Tive medo de novo. Achei que não fosse dar conta. Fiz força no lugar errado. Estancamos. Outra contração vindo. “Só mais uma forcinha, Romana! Só mais uma!” “Vai, amor, tá quase”. Segurei nos apoios da cama, respirei fundo, busquei força e puxei. Puxei com toda a força que eu tinha e com a que não tinha. Achei que fosse explodir naquele momento, mas aí ela nasceu. Urrei. Foi libertador. Nascemos. 18H38. “Olha a sua filha!”. Segurei-lhe meio embasbacada, desnorteada. O José cortou o cordão. Ele meio embasbacado, desnorteado. 

Pesaram, mediram e colocaram a fralda logo ali do lado. 3,630kg, 50cm. Apgar 9 no primeiro minuto de vida e 10 aos 5 minutos. Não tardou, ela voltou pros meus braços. Mexia a cabeça freneticamente. Eu ainda não sabia o que dizer. O que tinha acabado de passar ali naquela sala não dava pra ser traduzido assim de imediato. Logo eu, que tinha resposta pra tudo, tinha piada pronta pra tudo, achei melhor estar ali calada ou então sussurrando um “oi filha...”. Meu Deus, eu pari! Eu tenho uma filha!

E estivemos ali os três namoriscando, um bom tempo. Tempo suficiente para a saída da placenta e pra médica fazer a sutura da laceração. Essa, definitivamente, foi a parte mais dolorosa. O efeito da epidural tinha passado ao tempo. Tentaram uma medicação que não adiantou de nada. Foram 6 pontos massacrantes, mas uma vez acabados a enfermeira perguntou se eu queria amamentar. “Peloamordedeus, com certeza!”. Já vestidinha, ela foi colocada ao meu lado, virei e fiquei eu mesma tentando ajustar a pega. E ela mamou. Estávamos juntas de novo, cada uma no seu corpo e no corpo da outra ao mesmo tempo. Só 4 horas depois do parto fui para o internamento. Dei-lhe todo o peito que ela queria, jantei, troquei de roupa e pedi pro José avisar que já éramos 3. Ninguém até então sabia que ela chegaria naquele dia. Já eram quase 23h quando fomos pro nosso quarto e o José para casa. Alojamento conjunto irrestrito durante os dois dias em que lá estivemos. Troquei-lhe todas as fraldas, vesti-lhe todas as vezes. Começávamos ali, de fato.

Ainda tenho um nó na garganta chamado epidural. Não consigo engolir que acabei recorrendo a ela. Acabei por medicalizar o parto e isso me inibiu algumas possibilidades, como a de estar em outras posições e mais ativa. Não vou negar que preciso exorcizar esse fato. Mas ninguém me tira o prazer que foi trazer minha filha ao mundo. Fui capaz sim e ninguém nunca disse que não seria, mesmo com o meu prolapso da válvula mitral. Fui respeitada a cada segundo. Mesmo na cama, fiz o que me foi possível. Ajudei-a e ela ajudou-me, por isso digo que pari e ela pariu-nos. Somos paridos todos os dias desde o tal 31 de agosto. A cada banho dado, fralda trocada, engasgo com leite, corte de unha, vacina tomada, a cada grama aumentada, nós nascemos de novo, eu e José.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Notícias do mundo de cá

O primeiro abraço

Então, minha gente, rolam boatos nas redes sociais que NASCEMOS!

Pari Malu e ela pariu-nos a nós, eu e José, no último sábado, 31 de agosto, às 18h38 depois de 12h de TP ativo e 40 minutos de expulsivo. 3,630kg e 50cm, um bebê enoooooooooorme para os médicos cesaristas que, amém, não cruzaram o meu caminho. Sim, foi parto normal, mas não natural. O relato, em breve. Ainda estou processando aquele segundo em que a enfermeira disse: “Olha a sua filha” e eu olhei e eu estou olhando enquanto escrevo a vocês. É surreal. Numa tentativa de definir toda a ode desses dias, digo que estou no céu das mães e a vista daqui de cima é qualquer coisa maravilhosa.

Não fosse a laceração de 2º grau e os 6 pontos que levei, estaria dançando louca por aí no ritmo Ragatanga uma vez que meu corpo tem respondido muito bem ao pós-parto. Tanto que me olhei no espelho ontem e tive um relance de como eu era antes de engravidar. Mentindo o José que eu estou muito mais bonita agora. A gentileza deste homem, ela não tem limites.

Nestes dias já sobrevivemos: a duas vacinas, teste do pezinho, primeira noite em casa, primeiro banho em casa, descida do leite (e que descida! Vai dar pra fazer estoque, doar, emprestar...) e reação da Meg. No mais, Malu é uma bebê fantástica, até a hora de trocar a fralda. Aí, meus queridos, o show é completo, com direito a se endurecer inteirinha e berrar como se não houvesse amanhã. Aos poucos, vamos ajeitando a rotina e os horários, exceto o das mamadas porque aqui é livre demanda sendo praticada desde o primeiro minuto. 

Logo eu volto com o relato. Nem acredito já chegamos aqui...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

36 semanas e a preguiça


Sabe preguiça, minha gente? Mas assim preguiça, preguiça aos montes, até de comer? Esta sou eu chegando às 36 semanas, também conhecidas como início do 9º mês. Desde a última postagem, comecei e parei uns 12 posts. Este é precisamente o arquivo paraoblogdefinitivo13.docx tamanha a minha corági. Porééééém, eu e José-José e eu temos aproveitado as últimas férias dele com Malu guardada para morgar no sofá em frente à TV como se não houvesse amanhã resolver pendências. Tipo montar o cantinho da curiquinha (coisa que ainda não foi feita) e arrumar as ~~malas da maternidade~~ (coisa que também não foi). Ok, ok, estivemos nos curtindo e acho que isso também conta.

Saí de casa pra subir escada? É sério isso?

O José. Ai, o José. Merece um post à parte depois porque tenho que costurar bem as palavras pra falar desse homem que elegeu a minha produção de ocitocina como projeto de vida. E isso muito graças às aulas de preparação para o parto, hein! Você jura que ele tá lá assim meio away enquanto a enfermeira fala, mas tem guardado as coisas na cabeça com uma destreza impressionante. Como já disse, a prioridade aqui agora é ocitocina. Portanto, estou proibida de me enervar, estressar, ficar ansiosa e/ou chorar. Qualquer uma dessas situações é motivo pra ele soltar: “Olha lá. Tá produzindo adrenalina. Com adrenalina, não tem ocitocina. Sem ocitocina não tem trabalho de parto. E aí, como fica?” ou então “Amoooor, fica calma. Cadê a ocitocina? Sem ocitocina não tem leitinho!”. Como que fica estressada ouvindo uma coisa dessas? Como que não manda a adrenalina pro caralhaquatro? Também não pode ver uma loja de roupa íntima que é um tal de “Vê lá se não tem sutiã de amamentação”. Outro dia me fez achar uma calculadora específica online pra saber quantas fraldas, em média, o bebê usará por semana. 

- 49. Mais ou menos 49 é o que diz aqui.
- 49. QUÊ? CHIÇA!
- Cadê tua ideia das fraldas de pano agora?
- Ehe...realmente...haja água. Quando ela ficar maiorzita a gente tenta.

Desde então, se fomos ao supermercado e ele sumir, pode ter certeza que está no corredor das fraldas fazendo comparações minuciosas que envolvem peso, quantidade de fraldas, resistência da fralda, avaliações de outros usuários e preço, claro. Um processo complicadíssimo. E ainda tem a intimidade dele com o Kegel. Lembram dos exercícios? Pois. Eu também não lembro sempre. Mas ai de mim se eu não fizer! Nem adianta mentir dizendo que sim, já fiz tudo porque ele fareja a verdade. “Não fez Kegel hoje? Ri, ri. Depois taí chorando porque o assoalho pélvico não tava treinado”.

Falando em Kegel, dica boa. Se vossas senhorias são como eu, indisciplinadas para qualquer exercício em casa, nada como uma ajudinha. Encontrei um aplicativo para Android (não sei se há para as outras plataformas) que chama Max Kegel. Ele funciona como um personal trainer mesmo. Tem lá os níveis todos e ele vai te orientando. Até conta os tempinhos pra você, olha que maravilha. A minha preguiça agradece de tal maneira que nem sei.

Dorzinha nova, quem curte? EEEEUU! Desde a semana passada tem uma cabeça querendo encaixar aqui na minha bacia. Resultado: uma fisgadona da virilha até o joelho de vez em quando. Fora o susto quando a dor vem, rola uma comoção :~~. Com o encaixe, a barriga deu uma descida considerável e ficou mais pesada. Mesmo assim, sou obrigada a caminhar pelo menos meia hora todo santo dia e fazer os exercícios para a pélvis na bola de pilates. Não me lembro de ser assim tão fitness antes da gravidez, o que não me impede de ter ganho 3kg só no último mês. #vaigordinha


São mini cheesecakes, ok? Mini! A culpa dos 3kg a mais não é deles


No mais, Malu mexe e soluça que é uma maravilha, dor nas costas só se ficar em má posição, pés inchados só se passar muito tempo caminhando ou parada, durmo consideravelmente bem, sonho com parto e bebês todo dia, já incluí uma xícara de chá de frutos vermelhos à minha dieta, a partir da próxima semana as consultas passam a ser semanais e na sexta temos a última aula de preparação para o parto. Ou seja, as coisas estão andando. Eu que prefiro estar sentada mesmo ou deitada ou encostada...mas vamos caminhar que tem gente que precisa de colaboração pra nascer.

Ok, ok. Uma foto a sério agora. Vá lá.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

"Ando devagar porque já tive preeeeeeessa..."


Que tapa na cara de uma pessoa avexada é uma barriga de 33 semanas e 4 dias, né, minha gente? Mar nem que eu quisesse muito conseguiria caminhar com a desenvoltura de outrora. Eu, que reclamei tanto dos turistas lentos no meu caminho. Eu, que já quis uma metralhadora giratória para ir contra quem parava no meio da calçada pra ver vitrine. Eu hoje sou uma dessas pessoas. Não que eu queira mesmo ver as vitrines. Só estou ali disfarçando, tentando reaprender a caminhar sem colocar os bofes pra fora. Meus melhores amigos são cadeiras, sofás, bancos. Aí na hora de levantar, a velha ~~dor nos quarto~~? Faço aquela careta básica e quem tá por ali olha com cara de dó. “A bichinha...toda entrevada”. Entrevada não, meu filho. Tenho uma pélvis cheia de mobilidade aqui, OK? Normal.

~~periguetismo gestacional~~: amo/sou
Voltando à barriga. Ai, essa barriga.
Esses dias, demos uma geral no guardarroupa e eu pratiquei meu esporte favorito: vestir as roupas que eu sei que não me servem mais apenas por motivo de auto trollagem. Nessa, achei uma das minhas blusinhas favoritas e fiquei no espelho admirando o palmo de barriga que ficava de fora. O José com toda a sua sinceridade. “Assim tá gira” “Que gira? Olhaqui a barriga toda de fora” “Ué, mas é bom andar assim no verão e tá mesmo gira”. Ele tinha razão. Foram meses penando debaixo de casacos, chorando pra por um pedaço de braço ao ar livre. Agora que eu podia, por que não mostrar a pança? Todo um investimento em creme gordo e óleo pra ela ficar redondamente escondida nesse calor? Deveria eu ter vergonha do meu maior objeto de amor e magia dos últimos tempos? Lembro de ter lido bem no início da gravidez uma espécie de manual do vestuário da grávida, escrito por uma senhora X que trabalhava numa revista X de moda em Nova York. Entre outras coisas, ela lá dizia que nuncajamaissobhipótese alguma devíamos sair por aí mostrando a barriga porque é cafona. Out of fashion. Inconscientemente, eu meio que adotei o conceito. Andava sempre cobrindo a redondância e comprando blusas que passassem do quadril. Aí eu me pergunto agora. PRA QUE ISSO? Em uma comparação bem ordinária, é como seguir o conselho da delegada da mulher da minha cidade, Teresina, mais conhecida como Terehell: andar sempre de calça comprida pra evitar um possível estupro. Ou seja, esconder-se sob a roupa pra evitar a fadiga. Então eu saí mesmo com a barriga semi de fora e causei. Causei olhares de afeto, olhares de condenação e olhares de surpresa. Nada que eu já não causasse vestida ~~dentro da moral e dos bons costumes~~. Querem saber? Foi libertador. Pança arejada = pança feliz. Temos certas amarras sociais que nem nos damos conta.

No mais, Braxton-Hicks começou a dar as caras fortemente! Já tinha dado, aliás. Eu é que só agora vim me tocar das benditas contrações de treinamento. Isso porque elas andam de mãozinha dada comigo todos os dias. Pra quem ainda tá na dúvida sobre como são as contrações: a barriga fica dura, irreconhecivelmente dura. Rola um mal estarzinho, mas indolor e SEMPRE na região abdominal. Se você sentir alguma coisa na lombar, melhor ficar atenta. No meu caso, sinto um peso na bexiga também e tenho loguinho que ir fazer xixi. Depois disso passa. Melhor coisa a fazer durante uma contração dessas é beber água. Se estiver caminhando, para e dá uma relaxada. Se estiver sentada, levanta e dá uma caminhada. Alerta mesmo só em caso de dor. Caso contrário, faça como eu: elogie o seu útero maravilhoso e saudável se preparando para o parto.

Definitivamente acho que estou grávida de um bebê insone ou de sono muito agitado porque, jesusamado, ela mexe o tempo todo! Mas sabem o que é o tempo todo? É TIPO O TEMPO TODO! Não to reclamando. Acho ótimo. Significa que está muito bem e hiperativa. Mas é que só não sinto mesmo quando to dormindo. Tem horas que ela estaciona numa zona e fica uma espécie de calombinho na barriga. A nós, restam as conjecturas. “Será um pé? Uma mão? O cotovelo?”. Outro dia, apoiei um livro em cima da pança. Vocês acham que ela curtiu? Não, né. Deu um tranco que o livro saltou, literalmente. Até pedi desculpas pelo incômodo. Tadinha. O espaço tá ficando apertado e ela é um bebê no percentil 83. Sejamos compreensivos. 

Ao fim e ao cabo, desejem-me sorte com a preguiça feat. cansaço medonhos que se instalaram no meu corpo. Ainda não arrumei o cantinho dela, faltam os produtos de higiene e ando adiando a arrumação dos nossos tarecos pra maternidade. Tudo a seu tempo, tudo a seu tempo...

Tá tudo passadinho e guardado, mas não resisto <3

terça-feira, 2 de julho de 2013

Em nome do filho, o nome do filho


Eu ia dar continuidade ao assunto parto normal passando aqui umas dicas de exercício de preparação, mas segurem aí que tenho um papo mais pendente pra já. 

Quem acompanha a ~~blogosfera materna~~ (adoro esse nome <3) sabe que o casal do Potencial Gestante teve uma bebezita linda mês passado. Eles não quiseram saber o sexo durante a gravidez e também deixaram pra escolher o nome depois que vissem a carita do bebê. 9 dias após o parto, a Luiza anunciou o nome da pequena: Constança <3 <3 <3  Aí quê que aconteceu? Enxurrada de amor, mas também de críticas. “Nooooooooossa, que estranho!” “Tadinha! Vai sofrer tanto buylling!” “Vou confessar que achei esquisito, mas o importante é ter saúde”. Minha gente, lia esses comentários e só pensava (tirem as crianças da frente do PC agora): Tomar no cu, né? Daí decidi falar sobre porque sim, eu tenho propriedade nessa área.

Vou começar logo dando a primeira e mais importante dica àqueles que não são os pais do bebê: a menos que sua opinião seja solicitada, APENAS AME o nome. Aliás, não precisa amar de verdade. Basta um “que lindo!” “que ótimo!”. Fim. Porque, convenhamos, por mais estranho que tenha sido o nome escolhido o filho não é de vocês. Ponto. Os pais têm as razões deles para escolherem aquele. Ponto dois. É indelicado. Ponto três. 

Não se cutuca uma grávida/lactante com vara curta. Imagina ela chegando toda pimposa pra te contar o nome e você faz aquela cara de AAAAAAAAAAAAAAFFFF SOCORRRQUENOMEÉESSE. Ou ela vai querer chorar litroz ou ela vai querer te matar. Mas é matar a sério, não é brincadeirinha não. Matar tipo pra ver seu sangue escorrendo pelo piso.

Escolher o nome de uma pessoa é um processo delicado. Demanda conversa, pesquisa, mais conversa, debates. Os pais ficam ali um tanto de horas discutindo. Um quer um nome, o outro quer outro. A mãe tem certos princípios, o pai tem outros. Eu mesma consultei N listas, baixei incontáveis aplicativos e interrompi várias vezes o jantar pra falar sobre isso aqui em casa até chegarmos ao consenso. Sempre valorizamos nomes curtos e que a pronúncia em pt-br e pt-pt não destoasse muito. A coisa do significado também foi sempre considerada. Simpatizávamos com Filipa, mas significa “amiga dos cavalos”. FUÉN! Um dia, Malu surgiu, costurou nossos interesses e tava feito. Quatro letrinhas, pronúncia igual. Fechô! Então, a sociedade começa a questionar: e o nome???? Adoro a tensãozinha que fica no ar até a gente falar. Ainda não ouvi nada exatamente negativo sobre a nossa escolha, mas já vi umas caras do gênero “Sério?” e também questionaram por que não um nome português ou ainda “Ahhh...é brasileiro, né?”. Ainda bem, viu? Porque já tava com minha metralhadora aqui enfiada no cabelo para qualquer eventualidade. É sério. É não, é brinks. Tô num momento zen.

Eu e a minha versão nipônica. Achei adequado.
Falei que tinha propriedade sobre o assunto porque vocês já repararam que nome eu tenho, né? Romana Naruna. Acho que nunca questionei meus pais sobre o tempo que levou para ser escolhido, mas não deve ter saído assim de cara. Romana tem toda uma história, Naruna tem outra e Romana Naruna mais outra. A questão é? Sabem quantas vezes eu ouvi coisas feias sobre o meu nome? Imensas! Sabem quantas vezes eu tenho que repetir pras pessoas entenderem? Milhares. Sabem quantas rimas maldosas já fizeram? Fãããrias! Sabem quantas vezes eu me importei? Total de zero. Fui ensinada a amar o nome que eu tenho. Desde cedo, desde sempre. Adoro a exclusividade dele. Lembro que a primeira vez que viajei de avião, tinha uma aeromoça chamada Romana. Eu, do alto dos meus 9 anos, fiquei #chatiadíssima porque aquela mulherzinha estava roubando o MEU nome. Já topei com outras Romanas e Narunas por aí, mas Romana Naruna...vaput! Só eu! 

A coisa toda é seja nome ~~diferente~~, seja nome comum, acho que a criança tem que ser ensinada a amar o nome que tem, divertir-se com ele, sentir prazer ao falar. E isso, eu acredito muito, vem da relação que os próprios pais criaram com o nome, como o defenderam diante dos benditos comentários. Mais uma vez repito, a decisão não é fácil. Estamos escolhendo algo que alguém vai carregar a vida toda. Façamos com amor e o rebentinho será grato (Anotem isso e se eu tiver problemas depois, por favor, esfreguem na minha cara).

E aos amigos, conhecidos, simpatizantes: aprenderam a lição que a tia passou hoje? Vale pra outros quesitos que não o nome também, aliás. OPINIÃO SÓ QUANDO SOLICITADA. A família agradece e nossa relação será muito melhor, acredite.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Sexo do bebê: FEMININO EXCLAMADO!

<3 <3 <3
Dessa vez não teve do que duvidar. Foi colocar o aparelhinho na barriga e confirmar que a antes 90% Malu é agora 100%!

Minha bichinha tá lá toda direitinha, 1,322kg, com cabelinho e, inclusive, já de cabeça para baixo. Ainda tem muito espaço e tempo pra ela se mexer e sentar e coiso, mas a médica disse que é um ótimo sinal. Vamo que vamo, parto normal!

Diz que agora já posso me concentrar nas deadlines do Mestrado...ou não...