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sexta-feira, 15 de maio de 2015

5 vantagens de amamentar um bebê maior que ninguém nunca te contou

Pronto. Lá vem a chata da amamentação com aquele discurso evangelizador dela de que a OMS preconiza o aleitamento materno pelo menos até os 2 anos e blá blá blá. Disso vocês já sabem e cada um toma as suas decisões, inclusive a de não amamentar. Não estou aqui para enfiar LM goela abaixo em ninguém. Sou uma pessoa pacífica, de bem, pouco conflituosa. Maaas, como eu adoro falar sobre esse assunto, achei que ele merecia outro post, talvez com um novo recorte.

Tenho certezinha absoluta que todo mundo conhece os benefícios do leite materno, sabe que a amamentação também reduz as chances da mãe desenvolver um câncer de mama, que pode auxiliar na perda de peso pós-parto, coisa e tal, tal e coisa. Quem amamenta sabe também que nem sempre é fácil. Mesmo que superemos todos os problemas de pega, alergias, intolerâncias, mastites e afins, há sempre aquele dia (ou aqueles dias, semanas) em que estamos um caco, o bebê só quer mamar e o nosso pensamento é "onde é que eu fui me meter?". É um bocado viver na dualidade. Adoramos os momentos de aconchego, mas tem alturas...ai, tem alturas em que só queremos as mamocas para nós. Estou mentindo? Não estou nada porque sei que tem mais gente nesse barco! Ora, não se escondam! Assumam lá!

Por essas e outras, muitas outras, há mães que desistem da livre demanda e da amamentação no geral. O cansaço é extenuante e todos temos formas diferentes de lidar com ele. Depois tem também aquela coisa, bebê crescido é bebê sabido. Eles ganham uma habilidade de sacar a mama fora que nem nós, as donas das ditas cujas, temos. Já viram as situações que podem surgir, não é? As posições contorcionistas que eles escolhem para mamar também são um caso à parte...Fora a nossa própria experiência, têm as vozes da sabedoria. "Ai, ainda mama tão grande? Ai que isso é vício!" "Vai mamar até casar?" "Mas já anda e ainda mama?". Essa última...é de uma cientificidade que comove!

Forças contrárias existem muitas e alguns fatores pesam, como já mencionei. Se você não quer desistir, o melhor a fazer é positivar ainda mais a experiência. Como? Encontrando vantagens mais práticas e menos pragmáticas! A teoria todo mundo tem na ponta da língua, mas quando o calo aperta...Aqui contamos com 20, quase 21 meses da livre demanda e já percebi que posso otimizar o momento da maminha (que ainda não muitos). Então, decidi partilhar esses "plus". Pode ser que ajudem alguém naqueles dias mais punks. Ou que pelo menos faça alguém pensar que existe maluco pra tudo (o que é mais provável, aliás).



1- Transforme no momento do "check up"
Quando querem, os bebês são muito pouco colaborativos. Por isso, aquele momento de tirar a caca do nariz pode ser um tormento. Aproveito para fazer isso quando a Malu está mamando. Nem sempre ela acha bonito, mas ainda é mais fácil do que em situações menos lactíferas. Também confiro as orelhas e o cabelo (que sempre tem algum nó).


2- Dá para aparar as mini-navalhas
Essa foi a que descobri mais recentemente. Andava há 2 dias em uma negociação frequente com a pequena para cortar as unhas, fazendo de tudo para que não houvessem berros. Uma bela tarde, ela chegou da creche, pediu para mamar e lá fui eu com a tesourinha, achando que não ia funcionar. Pois não é que deu certo? Cortei todas, ainda acertei e ela continuou fazendo o que tinha que fazer.


3- É mais fácil tentar um acordo
Muitas vezes, os bebês maiores mamam porque ficam entediados. Lembram-se assim do nada ou sentem certa saudade de nós. Naqueles dias em que estamos com pouca disponibilidade, vale tentar um acordo. Como eles já têm um grande poder de percepção, pode ser que funcione, não recusar, mas negociar. Por exemplo, se a Malu tiver mamado há pouco tempo e pedir de novo, eu digo que a mimi está cansada. Ela pede para dar um beijo (<3 <3 <3) e vai brincar ou fazer outra coisa. Funciona sempre? Não, mas as chances de fazer-me compreender são maiores do que se eu dissesse à Malu com 5 meses que a maminha precisava descansar HAHAHAHA Ela ia entender, ia.

4- É engraçado
Vocês acham que não tem piada nenhuma um bebê grande mamando? Eu acho, gente, principalmente o jeito que eles arranjam de pedir. A Malu, quando quer mudar de um lado para o outro diz: ôta mimi! ôta! Se eu tento enganá-la de uma alguma forma, ela tem que ser mais enfática: cutuca a mama e diz "essa!". A primeira vez que isso aconteceu foi em uma noite particularmente difícil. Ela sentou-se na cama, cruzou os braços e falou altíssimo (tenho certeza que todos os vizinhos ouviram): ÔTA MIMIIIII! Que mau humor resiste à "ôta mimi"? Se nos faz rir, acaba por ser mais prazeroso que desgastante.


5- Se tudo der errado, tire selfies (ou brelfies)
E pronto. Você não conseguiu fazer o check-up, nem cortar as unhas, a criança não quis conversa? Vá tirar umas selfies nesse tempo livre! Aposto como só tem fotos do bebê entupindo a memória do smartphone, não é? Já que tem que ficar sentada ali mesmo esses minutos, vale se permitir " a ousadia". Eu sou adepta, tanto da versão selfie, como da brelfie (que foi o raio do nome que inventaram para as fotos que tiramos enquanto damos de mamar).

Selfie sim, e se reclamar vai ter brelfie também!





sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um post honesto sobre amamentação

Vamos começar esse post com um exercício de imaginação. Preparados?

Imaginem as suas pérolas de bebês doentes depois de apenas 15 dias na creche. Chato, não é? Expectável, mas chato.

Agora imaginem as suas pérolas de bebês apanhando duas doenças ao mesmo tempo. Ai caramba! Super chato!

Puxem pela mente mais um bocadinho e imaginem bebês, papais e mamães doentes ao mesmo tempo, na mesma casa, uns passando vírus aos outros. Oh minhanossasenhora! Chato é favor!

Calma que estou quase a acabar...mas imaginem que o bebê começa a melhorar, retoma o interesse pela atividade qualificada de escalar móveis e os pais continuam a querer apenas morrer. Ui...

Então, tá. Beleza. Tudo estabilizado. Vamos restabelecer a rotina? Bebê na creche, mãe nos projetos, pai ao trabalho. Pensam que acabou, não é? Imaginem só mais uma coisa (juro que é a última!): o bebê tem uma recaída. Imaginaram tudo? Direitinho? Querem saber o nome do filme? "Minha vida na última semana". 8 dias de gripe AND virose, dos quais só a Meg escapou ilesa.

Malu andou aí praticamente em aleitamento materno exclusivo porque não aceitava mais nada. Com a virose, fiquei um dedinho à beira de desidratar, e o pânico da produção de leite cair? Felizmente não foi o caso. O José andou de baixa do trabalho...olha, levamos ao pé da letra o "na saúde e na doença". Lindo. Muitos lencinhos de papel, fraldas e "virulências" depois, acho que nos safamos. A-c-h-o porque, né, começou o outono. Outono numa creche rima com doenças de outono adquiridas na creche e passadas aos pais. Estou à espera daquela boa e velha catapora que não apanhei na infância, uma caxumba também quem sabe...Bichezas de criança pegas na fase adulta são sempre maravilhosas.

And that's it. Ainda não me sinto nadinha preparada para falar sobre esse processo da creche. É um ponto sensível. Por isso, vou adiar bem mais o post sobre esse assunto e presto-me a falar de outro, infinitamente mais útil: amamentação. Eu ouvi alguém aí que disse "de noooooovo"? Pois é, de novo. De velho. Mesmo com toda a informação exuastivamente compartilhada, há muito preconceito, ignorância e desatualização em relação ao aleitamento materno. Antes de tudo, deixo registrado que fala daqui uma mãe normal, que não tem super leite, que fica cansada, que perde a paciência por vezes e que tem limites, como é óbvio. Não encaro esses 13 meses de amamentação como um sacrifício não porque eu sou fodona ou fundamentalista, mas porque acredito fielmente que estou a fazer o melhor que eu posso por nós duas. Então, peço que guardem as palavras deste escrito no fundo do coração, sem amarguras, porque hei de escrever com honestidade.

Durante a gravidez, lembro de chegar ao consultório da médica com uma listinha de perguntas sobre a amamentação. 20 e tal semanas e já neurótica sobre o que eu poderia/deveria fazer para amamentar com sucesso. A primeira pergunta da lista era: devo beber mais leite? A médica foi muito enfática e disse que se eu achasse que sim, tudo bem, mas que isso em nada influenciaria o fato de eu produzir mais leite, que isso era algo que o meu corpo resolveria depois, já com o bebê fora da barriga. E mais não disse. Fiquei passada. Então era isso? Não posso fazer nada? Ela não fala mais nada? Saí de lá diretamente para uma consulta com o olho que tudo vê e tudo sabe: internet. Um erro e um acerto. Há que filtrar essa informação toda ou caímos em esparrelas que só visto. Sendo mais prática do que pragmática, vou abrir tópicos. Atenção: perguntas e respostas foram tiradas destes meses todos como amamentadeira e pesquisadora autodidata sobre o assunto. São questões que eu mesma já fiz ou que ouvi fazerem. Em algumas, falo um pouco sobre o que se passou comigo. Em outras, respondo baseada em evidências. Claro que cada um tem a sua experiência e isso é absolutamente particular.


Perguntas que eu já fiz/pensei em fazer/deveria ter feito sobre amamentação


Estou grávida e quero muito amamentar. O que posso fazer para ter sucesso?
Em termos físicos, nada. Não há comprovadamente qualquer coisa que prepare o corpo para produzir ou ter mais leite (exceto a gravidez em si). Não existem evidências que comprovem o uso da bucha vegetal ou do sol nos mamilos para "fortalecê-los". A bucha, aliás, é muito questionável porque pode produzir o efeito contrário e sensibilizar a zona (que já estará muito sensível...ai os hormônios). O sol...hm...sinceramente não sei. Há quem tenha feito o "bronzeamento mamilar" e disse que ajudou a proteger contra as fissuras e tal...eu, particularmente, não usei desse artifício e não cheguei a ter fissuras. Considero a preparação mental muito importante. Ler, informar-se e cercar-se de apoio. Isso sim! O resto é o resto.


Estou aflita. A prima da cunhada do vizinho do meu tio disse que durante a gravidez começou a sair leite. A mim não saiu nada até agora. Já tenho 35 semanas! Será que não vou ter leite?
Keep calm, amiga! Isso não quer dizer nada, mas nada mesmo. Existem corpos e corpos, gravidezes e gravidezes. Algumas mulheres têm escape de leite durante a gestação, outras não e isso não quer dizer rigorosamente nada sobre a produção pós parto. Não me saiu nada, nenhuma gota, de verdade. Aliás, meu leite só desceu no quarto dia depois do parto. Antes disso, era só colostro, importantíssimo nessa primeira fase!



Minha avó disse que não vou ter leite porque meu peito não cresceu quase nada. E agora??
Anotem: tamanho de peito NÃO tem a ver com quantidade de leite. Os seios são produtores de leite e não depósito. É normal acontecer algum inchaço durante a gravidez e depois do parto (com a descida do leite), mas isso é bem relativo. O corpo é muito sábio e único. Não dá pra comparar o seu com o da fulana. No mais, é esperar pra ver e não ficar se martirizando. Aliás, essas pressões psicológicas são do pior e o que verdadeiramente compromete a produção de leite.


Não formei bico do peito. Estou conformada pois não vou conseguir amamentar...

Quem te disse isso, mulher? Reitero: cada corpo é único. E sim, há mulheres que não formam o tal bico do peito ou os têm invertidos (para dentro). É um caso que exige mais dedicação? Sim. É impossível? Não. No caso dos mamilos planos, a preocupação deve ser fazer o bebê abocanhar a auréola toda (aliás, isso deve ser a preocupação de todas, pois abocanhar a auréola é o que define uma boa pega). No caso dos invertidos, diz-se que quando o bebê suga, o mamilo salta fora. Há mães que usam uma bomba de sucção para fazê-lo sair antes da mamada. Em ambos os casos, procurem ajuda. "Ai, a fulana disse que não conseguiu e que também não vou conseguir". Procurem segundas opiniões, experiências. Existem muitas mães que amamentam durante muito tempo nessas condições. Talvez exija mais paciência, mas não é impossível de todo.


Se meu bebê nascer de cesariana terei problemas com a produção de leite?
O que pode dificultar é aquela separação abrupta depois da cirurgia. Levam o bebê para o berçário e reaparecem com ele horas depois. Por que isso é um problema? Porque nessas horinhas ele fica com o reflexo de sucção mais comprometido. É apenas uma situação, mas não é definitivo. Imagina se todas as mães que tivessem passado por cesariana não conseguissem amamentar...Pode é depois custar um pouco mais para fazer o bebê pegar. Nessas horas de berçário já podem ter dado a famosa mamadeira...O que já acontece, aliás, o que deveria acontecer, era colocarem o bebê ao peito mesmo depois da cirurgia. Se ambos estiverem bem, não há evidências científicas que comprovem que esta separação abrupta é mandatória (separação esta que também tende a acontecer em partos normais, atenção!).Ao que parece, ela é apenas protocolar, como várias outras coisas dentro da realidade dos hospitais...Não vou entrar no mérito da questão. Apenas saibam: podem surgir essas questões, o leite pode demorar um pouco mais a descer...pode. Não é regra e não há nada que impeça a amamentação aqui. Vejam bem, tive parto normal, ficamos em alojamento conjunto e mesmo assim o leite demorou 4 dias a descer. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.


De quanto em quanto tempo devo dar de mamar?
Ora vejamos...sempre que o bebê quiser? Livre demanda sempre! Parece que estamos a assinar um tratado de escravidão quando se fala em dar o peito sempre que o bebê quiser. Sinceramente, existem coisas beeeeem piores. Para mim, a hora da mama foi sempre aquela em que eu podia estar ali sentada uns segundos que fossem. E quantas vezes a Malu mamava? Trocentrilhões. Quantas vezes a Malu ainda mama? Trocentrilhões. Nos primeiros tempos, a livre demanda é fundamental pra regular a produção. Um recém-nascido tem um estômago do tamanho de uma noz mais ou menos. Ele mama, evacua, faz xixi e já tem fome de novo. Esqueçam os relógios. Esqueçam.


O que fazer para ter mais leite?
Deixe o bebê mamar! Não há nada mais eficaz para aumentar a regular a produção do que a livre demanda. Quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido. Fora isso, beba água. Bastante. Se calhar, é até desnecessário eu dizer isso porque amamentar dá muita sede (e fome!!!!!). Outra coisa: o leite é produzido na sua cabeça, sabia? Stress, tensão e preocupações bloqueiam e fazem a produção cair. Portanto, foco em você, foco no bebê.


Socorro! O meu bebê só chora! Será que não tenho leite suficiente???? Será que meu leite não alimenta??? Meu marido disse que é melhor ir comprar suplemento!
Anotem mais essa: NÃO existe leite fraco! Repetindo: NÃO existe leite fraco. O seu leite alimenta sim, o seu leite é muito bom sim. Bebês choram por tudo e por nada. Ele vai ao peito direitinho? Pega bem? Dorme meia hora? Parabéns! É muito! Pode ser sempre fome e pode ser outra coisa qualquer. Lembrem que, além de alimento, estar ali nos braços da mãe é o melhor conforto de sempre pra um bebê. Ah, e sobre o seu marido: ligue o foda-se (desculpem, crianças!).


Minha vizinha veio aqui em casa e disse que meu bebê está sempre a mamar, que isso é muito ruim, que vai ficar viciado. Será verdade?
Olha que essa me dá cabo da cabeça...pior é ouvir do médico. Porque há médicos que dizem que existe o tal "vício da mama". ALÔU! Mas isso é heroína que nos sai do peito? Já existem estudos sobre? Amigan, viciado é esse pensamento. Sabe o botão que você ligou pro seu marido? Ligue pra vizinha também. Não existe bebê viciado em mama. Mas afinal, se existisse, era o melhor vício que se podia ter.


Que alimentos eu não posso comer estando a amamentar?
Já li muita coisa sobre e o meu conselho é: bom senso. Tenha bom senso. Considerando que está a amamentar e que isso implica um gasto calórico altíssimo, tem que comer bem. Não lembro de, em momento algum, chegar a evitar aquelas coisas que todo mundo diz que são más, tipo chocolate. Na primeira semana pós parto, já estava acompanhada de uns tabletes. A Malu nunca reagiu mal. A questão é ser cuidadosa e saber que o que se ingere passa pro leite sim, sob pena de alterações de sabor a depender do alimento. De sabor e de humor! Por exemplo, depois das 18h, eu não bebo mais café porque isso deixa as nossas noites alteradas. Também praticamente o leite de vaca, mas ainda consumo os derivados, uma vez que a Malu não é alérgica. Há que conhecer o vosso corpo e o vosso filho.


E medicamentos, posso tomar?
Essa é uma pergunta recorrente e acho que das mais "mitadas" de sempre. Existem imensos medicamentos, anestesias, substâncias seguras com a amamentação. Muito, mas muito raramente mesmo é preciso deixar de amamentar para tomar qualquer coisa. Como saber? Entre no e-lactancia, digite a substância ativa/nome do medicamento e veja o risco real. É um site confiável, atualizado, gerido por profissionais e que toda mãe amamentadeira deveria ter no seus favoritos. Acho que é, possível, inclusive saber do nível de risco de procedimentos como depilação a laser.



E se eu achar que há alguma coisa errada, o que devo fazer? Ligo ao médico?
Agora eu posso soar um bocado pedante, mas, em relação à amamentação, o médico deveria ser a última opção. Sente que algo não está bem? Procure um Banco de Leite, uma conselheira de aleitamento materno. São locais e pessoas especializados e orientados para lidar adequadamente com situações relacionadas à amamentação. "Ai, mas os médicos estudaram para isso..." PÉIM! Errado. Os pediatras e obstetras têm pouquíssimas horas de estudo sobre amamentação quando comparados com uma conselheira. O conhecimento é, muitas vezes, obsoleto e as orientações, do século passado. Maaaaaaaas, se você realmente sente-se segura com o médico, vá em frente. Acha que é caso médico, urgente, seríssimo? Não hesite.


Minha irmã disse que, agora que o meu bebê começou com os sólidos, eu não posso dar de mamar logo depois dele ter comido porque o leite atrapalha a absorção de ferro. Isso é verdade?
Não, senhora. O leite materno NÃO atrapalha a absorção de ferro. Essa orientação vale se estamos a faltar do leite artificial. Como, ao fim e ao cabo, é derivado do leite da vaca, tem um nível de cálcio alto. Cálcio este que, sim, atrapalha a absorção de ferro.


Sinto os meus seios mais murchos, não enchem mais como antes. Estou a ficar sem leite?
Lembram do que eu disse anteriormente? Peito é fábrica de leite e não depósito. Depois que o corpo aprende a regular a produção, qual a necessidade de ficar enchendo o peito? Ele sabe quanto o bebê vai mamar e aquilo começa a ser produzido na hora que ele encosta a boca. <3 Imagina que horror ficar vazando leite meses e meses? O corpo é sábio, acreditem!


Como sei que o meu filho está mamando o suficiente? Ele quase não aumenta de peso...não é gordinho como os outros...
Primeiro de tudo, confie no seu leite. Lembra que não há leite fraco? Pois. Vou repetir só mais uma vez. Não há leite fraco. O ritmo de engorda/crescimento dos bebês não é igual, longe disso. Não é igual e nem linear. As tabelas e curvas de crescimento não muito relativas. Há que levar em conta o histórico do bebê. Afinal, ele é uma pessoa e não um conjunto de números. Ele é ativo? Bem disposto? Molha muitas fraldas durante o dia? Então aparentemente está ótimo! Mesmo que ganhe pouco peso, é normal. Pode ser o ritmo dele. Se não estiver a perder peso, não há razão para preocupação a princípio.


Quando devo desmamar? O médico disse que meu filho, com 15 meses, já está muito grande para mamar e que depois de um ano não há qualquer benefício no leite materno.
Primeiro, desmame quando você e seu filho quiserem. Segundo, vamos mandar esse médico ir pastar com as vaquinhas? A OMS preconiza o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais. Não sou eu que estou falando e nem a dona Maria da quitanda. É a OMS. Uma entidade séria, atualizada e que prega a medicina baseada em evidências científicas. Eles devem saber bem o que estão a falar, não? Leite não vira água depois do primeiro aniversário, antes o contrário. A composição altera-se e passa a ser um complexo nutritivo que continua a ser muito importante no desenvolvimento da criança. Há um medo de criar bebês dependentes, um trauma de que eles andem sempre agarrados à barra das nossas saias . Veja bem, estamos a falar de bebês, não de marmanjos de 18 anos que ainda mamam. Ninguém tem rigorosamente nada a ver com o vosso desmame. Será a idade que vocês acordarem. O resto é resto.


Depois desse palavreamento todo, ninguém deve ter dúvidas de que eu sou defensora inegável do aleitamento materno. Defendo-o, defendo-o e defendo-o, além de praticar em casa o que prego aqui. Nem sempre a coisa corre bem, nem sempre conseguimos resolver os problemas de pega sozinhas. É preciso reconhecer quando se precisa de ajuda e saber onde procurar. A quem acompanha ou cerca uma mulher que amamenta: custa tanto assim apoiá-la? Custa tanto abraçar a escolha dela ao invés de apontar o dedo porque o bebê é muito "magro"? Custa tanto não ser desagradável e julgá-la por amamentar sem horários? Já há muitas coisas que temos que ouvir de desconhecidos, tudo o que queremos é que quem esteja ao lado nos apoie.

O mundo anda muito imediatista e isso vale para tudo. Os efeitos de amamentar não são imediatos e nem isolados. A obesidade é evitada a longo prazo, os riscos de diabetes são minimizados a longo prazo, o risco de câncer do útero para a mãe é reduzido com o tempo. Não será amanhã que todos os efeitos irão aparecer em onda e isso ensinou-me muito sobre a máxima "aguarde e confie".

Não acho, nem de longe, que eu sou maior, melhor e mais completa por ter escolhido e persistir amamentando. Veio no meu pacote e é algo que faz parte da minha vida. Da nossa vida, aliás. Tenho dias de impaciência completa, dias em não me apetece nada estar disponível. Amamentar é ter de estar quase sempre disponível física e mentalmente. É muito pouco aquela aura cândida e angelical das propagandas e muito mais real, tão real quanto todas as outras nuances da maternidade. Há pouco tempo, com a entrada da Malu na creche, vi-me extremamente preocupada e antecipadamente culpada. Achei que seria brutal para ela a separação, que não conseguiria tirar as suas sonecas sem mamar e que sofreria infinitamente. Para a minha surpresa e confirmação de tudo o que eu defendo, Malu adormece sozinha desde o primeiro dia sem stress, brinca sem precisar que fiquem o tempo todo ao seu lado e faz todas as refeições lindamente. Essa mesma Malu, criada a peito e colo em livre demanda, que ainda mama durante à noite e todas as outras vezes que quer quando está comigo. Veem como estou a criar um ser visivelmente dependente? :)

Não vou me alongar mais. Acho que já há muito dito. Acho fundamental que as mulheres e famílias informem-se, atualizem-se e não deixem-se levar por achismos ou opiniões dúbias, seja qual for a escolha, seja qual for o caminho.Vou deixar alguns links que sempre me foram muito úteis e que podem ajudar mais algumas cabeças.

Manual de Aleitamento Materno da Unicef
Recomendações da OMS
La Leche League
A cólica - por Dr. Carlos González (esse é pra quem acha que é sempre fome!)


13 meses, alguns dias de pouca disponibilidade e um saldo positivo, até o momento

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Puerpara que agora é hora do show das poderosas


Antes de soltar o som pra vocês me verem dançando, um muito obrigada bem grande e só amor no coração pelo post do relato. Pensem numa repercussão! Não tinha nem como continuar com aquele “nó” depois do tanto de carinho que recebi. Já assentei minha cabecinha que fiz a coisa certa praquela altura e como disse a Vaquinha no comentário dela, “as vantagens de sermos pessoas esclarecidas e informadas é termos o poder da decisão nas nossas mãos”. Definitivamente fechei o capítulo parto.

Virando a folha, cheguei nele, o puerpério, o terror das famílias desse mundo e dos outros. Seu exército pode ser pesado e ter o poder que tiver, mas o pós-parto é LOUCURA. Loucura de amor, de sono, de choro, de babação. É loucura. Fim. Vou confessar que sempre que eu lia as dicas/textos/relatos dizendo que essa era uma fase delicada e tal, ficava meio naquela “ai, será que é isso tudo?”. É sim. É isso tudo que você está pensando. É tipo bater um suco pressionando o botão “pulsar” do liquidificador, aquele que tem toda força. Ok que eu posso estar com meu exagerômetro ligado, vir aqui uma mãe e dizer que a vida dela foi um mar de rosas no pós parto. Um beijo no coração dessa linda, mas acho que em 99,78% dos casos acontece uma piração em níveis variantes. Lembram que eu cheguei a dizer que a Malu(ca) era um bebê fantástico, uma santa que só chorava pra trocar a fralda? Na segunda semana em casa, ela resolveu despirocar. Resolveu não dormir à noite, resolveu que ela devia fazer uns barulhos estranhos enquanto respirava (motivo pelo qual fomos parar nas urgências aos 11 dias. Diagnóstico: gases), resolveu que ela ia abrir aqueles olhos rasgadinhos pra nos matar de amor, resolveu só querer dormir no bebê conforto, resolveu desistir do bebê conforto, resolveu que bom mesmo na vida é balançar e balançar infinitamente. Tadinha da minha criança. Falando assim até parece que ela, hoje com 27 dias, resolve alguma coisa. O mundo todo doido e a gente querendo que ela seja razoável. Quem nós pensamos que somos?

Foram dias de aprender a lidar com ela e a lidar comigo mesma. Fisicamente, tinha os malditos pontos para administrar, um corpo voltando pro lugar no seu tempo e uma alergia. Não sabemos ainda exatamente o que, mas algo me intoxicou durante o internamento, provavelmente alguma medicação ou componente da epidural. Resultado? Uma empolação gigantesca nas pernas e nos braços. Coisa escabrosa mesmo. Imaginem carregar um bebê no colo quando a única coisa que você quer é se coçar como se não houvesse amanhã. Muito anti histamínico na fuça e só agora começo a ter minha pele de volta. Ficam aqui 2 alertas: medicação pra mãe que amamenta apenas com aval do médico e muito cuidado com as medicações dadas na maternidade. Sempre informem a que vocês têm alergia. Convém ficar atenta.

O meu leite desceu no 4º dia. E como desceu! Rolou um alto congestionamento mamário. Parecia que eu tinha duas bolas de boliche no lugar de peitos. Com massagens e mamadas, o perrengue passou em um, dois dias. Esse perrengue. Porque eu ainda tive a boa e velha fissura. Apesar de eu ser a patrulha da pega correta, ainda tive os mamilos machucados. Nada dramático, nada de querer morrer e matar, mas machucou. Caía uma lagriminha toda vez que ela vinha mamar tamanha a dor. Recorri ao melhor remédio de todos: o próprio leite. Passava nos mamilos depois da mamada, deixava secar e beijotchau. Mais 3 dias e tava tudo lindo. Machucar, machuca, é natural, mas pra coisa não ficar insustentável, o melhor mesmo é insistir pro bebê fazer a boa e velha boquinha de peixe. Ainda estou aprendendo a administrar todo esse fluxo lácteo. Jorra aqui que parece uma mangueirinha, porém sem válvula de ligar e desligar. E haja roupa manchada de leite, haja Malu se engasgando. Não sei como já tiveram coragem de perguntar se eu tinha leite suficiente "porque se ela chora deve ser fome" e a criança com uma bela barriga ganhando meio quilo por semana. Queridan, melhore! 

A senhorita aqui de casa basicamente tem os mesmos padrões de sono que tinha na barriga. Entre 23h e meia noite, ela desperta e aí, meus amigos, só com reza. Não tem embalo, banho e gracinha que dê jeito. Quando ela não chora, fica nos encarando deixando claro que todos os esforços em fazê-la dormir serão inúteis. Não tem “The happiest baby on the block” que dê jeito. Já tivemos vários momentos de “desistir”, pousá-la na cama e esperar ajuda divina. Geralmente nessa parte ela se cala e foca em qualquer coisa que esteja ao alcance dos seus 20 cm de visão. A essa hora da tarde parece cômico, mas no auge da madrugada é tudo muito desesperador.

Aí que você tem um peito jorrador de leite, não dorme mais que 2 horas seguidas por noite, está com o pescoço, braços e ombros todos destroçados e ainda tem que ouvir os bons e velhos conselhos/palpites. Porque de bebê, futebol, política e fofoca todo mundo entende. Com a alergia e até para nos habituarmos uns aos outros, ficamos esses dias todos sem visitas, o que foi fundamental para não pirarmos. Maaaaaaaaas, sempre tem um ou outro (leia-se vizinhos) que topam conosco na escada ou aparecem como-quem-não-quer-nada pra dar um “recado”. Nessa, tinha a Malu 5 dias e eu já estava escutando que não devia acostumá-la ao colo porque blá blá blá blá blá “eu fiz isso com a minha filha e blá blá blá blá”. “Carrega ela assim nessa posição” “Ai, tá chorando! Não será fome?” “Serão gases?” “Tem que ter uma chupeta. Eles ficam calmos com chupeta”. Ainda não derramei uma lágrima de desespero, mas já tive vontade de cortar muitas cabeças. Acontece que eu não sou barraqueira (porém devia) e nem retruco. Escuto as coisas, engulo seco, sorrio e finjo que não é comigo. Cada frase dessa rende um post à parte, principalmente a da chupeta. Pra já, resumo a minha opinião em “não vou colocar na boca da minha filha um pedaço de silicone fingindo que é meu peito. Beijos”.

Se eu pudesse dar uma dica a todas as mães que estão nessa fase ou vão entrar em breve, diria: tomem banho. É sério, gente. É mágico. O momento do dia em que eu sou minha e consigo restaurar a minha dignidade. Tem tido uma grande importância na manutenção da minha sanidade. O mundo já pareceu muito perdido, mas eu encontrei-o de novo debaixo do chuveiro. Depois de 20 minutos/meia hora ali, volto pro campo de batalha cheirosa, asseada, parecendo gente de novo e muito mais calma. Santo remédio pra essa semvergonhice de baby blues. 

Tenho uma penca de coisa pra falar, mas vai ficando pra depois. Tagarelar é ótimo pra manter a sanidade também, mas melhor ainda é conseguir almoçar antes que ela acorde. Só reiterando que tenho lido os blogs dazamigue, mas comentar é raro porque tenho usado mais o celular e ele nem sempre ajuda. 

Vou fazer que nem a Carol e deixar com vocês a foto da semana da barrig...não pera

Reclama da vida, mas ainda tem tempo de tirar foto no espelho