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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pera, uva, post salada mista

Daí que sumi e volto quase um mês depois com a cara limpa como se nada tivesse acontecido, né, minha gente? Perdoem, mas agora tem andado um bocadinho mais complicado me organizar com o tempo e sentar a bunda na cadeira para escrever (ou digitar de pé mesmo, como está acontecendo neste justo momento). Então, vou tentar fazer aqui um apanhado do que se tem passado por cá e ficamos com os ponteiros acertados (ou quase isso), ok?

- Vocês devem estar se perguntando: por que tão complicado se organizar se já havia bebê antes, Naruna? Havia, havia bebê sim. Mas um bebê tranquilo, de boa, que ficava entretido com o seu mordedor de chaves enquanto eu lavava a louça ou escrevia. Agora...agora, minha gente, Malu tá com a macaca. Primeiro que ela senta e só quer viver sentada, mas de vez em quando tomba, então tenho que ficar de olho para ela não andar aí se machucando. Já deu duas cabeçadas, tadinha, e foi aquele chororô. Segundo, ela está entrando na fase da ansiedade de separação. O que diabos é isso? Basicamente, dos 6 aos 15 meses, os bebês entendem que eles e as mães são pessoas diferentes e acham que quando ela se afasta é porque vai embora, mesmo que o se afastar seja só ir até a cozinha. Muitas vezes, estou aqui tentando agilizar alguma coisa, deixo-a no seu sofá-cama-parque-multiuso com os brinquedos e ela já grita logo. Grita bonito. Terceiro que ela quer atenção mesmo, companhia. Se eu sento do lado com o computador no colo, fica revoltadíssima. Olha pra mim com uma cara de desapontamento e ficar "GRWARRR BABABABA" como quem diz "Mãe, deixa essa coisa! Brinca comigo!". Fazer o que, né? Aposento o pc e fico inventando brincadeira atrás de brincadeira porque cada uma só a consegue entreter por uns poucos minutos. Resumo da ópera: Malu tem demandado muito a nossa atenção e reclama se não a tem. Justíssimo.

- Malu foi a um parquinho pela primeira vez e esteve mais interessada em colocar a boca em todas as coisas. Fase oral maravilhosa!

- Vou desistir de falar sobre o sono, o que que vocês acham? Desisto. Desisto mesmo. Um dia ela vai dormir bem, tenho fé. Pra já, tá bem instável, há dias que dorme razoavelmente, há outros em que acorda aos berros (mais um sinal da ansiedade de separação) e mais outros que rola pra lá e pra cá, acorda na cama dela, de barriga para baixo e chora porque não consegue voltar à posição anterior. HAHAHAHA Sonecas diurnas: um caos. Protesta muito pra dormir e, quando dorme, dura uns 20 minutos. Aí vocês imaginam, quando eu finalmente consigo que ela durma, a Meg late/passa um motoqueiro a 300km/h na rua/a vizinha ,que não sabe o que sutileza é e mora no terceiro andar, grita pela nora que mora no primeiro. A vontade de sair correndo nessa hora grita mais que a vizinha.

- Habilidades motoras da Malu se resumem a: parece uma cobrinha que rasteja apenas em círculos. Só sai do lugar girando de 180º a 360º. Gira e fica um tempão lá olhando para coisas que ela ainda não consegue alcançar. 

- Brinquedos são uma bela forma de gastar dinheiro e só, na maior parte do tempo. Ela tem alguns vários, brinca, é capaz de ficar entretida, mas prefere infinitamente as etiquetas (ainda as etiquetas!). Para além disso, caixas de papel, saco de plástico, pacote de biscoito, embalagem de barra de cereal, colher, controle remoto, tudo é mais interessante do que o tecladinho maravilhoso com as notas musicais. Como eu sou menas, deixo de bom grado ela brincar com utensílios de cozinha e embalagens. Deixo, até vir o José a reclamar: "Olha lá que ela engole isso blá blá blá" "Não engole nada que eu to de olho. Tá pensando que eu sou doida?" "Tou". Respeito pela mãe: zero elevado ao cubo.

- Brincadeira favorita: encher a mãozinha de baba/comida e ficar abrindo e fechando para ouvir o som que faz. É impressionante a capacidade que ela tem de ficar longos minutos nesse divertimento. Acho tão engraçado que tenho vontade de fazer também.

- Gosta muito de água. Tipo muito. Tipo ama. Vê o copo e já começa a sacudir os braços que nem uma doidinha. Um dia, inclusive, peguei o copo e tive a impressão de ouvir ela dizer "aba", mas nunca mais repetiu. Acho que foi loucura da minha cabeça mesmo.

- O José fala "Pipinha" e ela acha graça sempre. Sempre. PIPINHA. Pipinha, minha gente! Sei lá de onde eles tiraram essa brincadeira interna...

- Com o bom tempo de primavera, estamos começando a aposentar casacos, macacões de fleece, pijamas quentes...sejam benvindas, manguinhas curtas! Vamos colocar os bracinhos gordos da Malu de fora!

- Introdução alimentar: Ai, a introdução alimentar. Tenho um post a meio sobre isso, mas faltou coragem para terminar. Só vos digo uma coisa: SAGA. Tem uma galera no meu Facebook que já fica só esperando a postagem diária sobre o assunto para se divertir. Juro que não sou neurótica para que ela coma desesperadamente, bata um pratão, até porque mama super bem e o leite continua a ser o principal alimento até um ano, mas meu esforço e preocupação é para que eu siga um bom rumo e não faça das refeições uma hora de tortura. Estamos nessa há quase 1 mês e meio e lentamente progredimos todos os dias. A grande questão não é que ela recuse as coisas, é que, como teve durante 6 meses apenas o reflexo de sucção, enche a boca de comida e não sabe que aquilo é para ser engolido. Resultado: cospe tudo fora. Acredito verdadeiramente que ela tem que se divertir com os alimentos, lambrecar tudo, passar no cabelo, na cara e, obviamente, Malu corrobora a minha teoria porque faz isso todo santo dia. É uma fofura, a Meg então, está amando os novos sabores que tem encontrado pelo chão, já fica a postos quando nos ver preparando tudo. Agora minha confissão: ela acaba de comer e me dá uma preguiça só de olhar a bagaceira, ter que limpar bebê, chão, cadeirão, etc. Apesar da preguiça e dela ir comendo poucas colheradas, repito o processo todo santo dia mais ou menos na mesma hora pra ir criando o hábito mesmo. Hoje ela comeu uma banana quase toda! Ficou uma colheradinha só <3 Detalho a saga toda num post só, prometo.



- Falando em Meg...as duas estão criando uma relação que é uma coisa muito gostosa de ver. Malu  já sabe que a Meg é a Meg, ou seja, liga o nome ao bicho. Acorda procurando, dá bom dia do jeito dela, abre a boca pra Meg lamber (escatologia define nossas vidas ultimamente <3), puxa orelha, pelo, rabo, pata, grita com ela. A cadela retribui o "carinho" e deixa ela fazer o que quer, ainda senta no colo. Ás vezes, eu e José ficamos só olhando e rindo a brincadeira delas duas. Alguém tinha que vir e nos colocar um babador nessas horas. 




- A mistura baba que não acaba nunca, restos de comida e cocôs estranhos taí pra me mostrar que eu sou um fracasso na lavagem de roupa. Mas um fracasso bonito. Não interessa que lavar roupa na máquina seja só colocar lá dentro, ligar e pronto. Eu sempre erro o modo de lavagem. SEMPRE. Resultado: Malu ganhou toda uma geração de roupas manchadas, desbotadas ou se desfazendo. Alguém me ajuda, gente? Como que lava isso?

- Malu aquática: e lá se foi o primeiro mês na natação! Nunca vim detalhar aqui a coisa toda, né? Mas pronto. Nós decidimos colocá-la não com a intenção real de que ela aprenda a nadar desde cedo, seja atleta, tenha atividades extras e isso tudo. Nossa principal preocupação foi por saúde mesmo. Vocês lembram, muito novinha ela teve uma bronquiolite, que, segundo a médica, é perfeitamente normal e tal. mas eu fui uma pessoa muito cheia de problemas respiratórios, asmática, pneumática, sei lá o que mais, e o José também sofreu muito com coisas parecidas. Lógico que pela genética, ela tem uma tendência clara a seguir pelo mesmo caminho. A natação é ótima para ampliar o repertório respiratório e o nosso intuito é mais preventivo que qualquer outra coisa. Desde a primeira aula, a reação dela foi fantástica, nunca teve medo. Leva com água na cabeça, na cara, deita na caminha flutuante, faz tudo. O professor disse que talvez o fato dela tomar banho de chuveiro tenha ajudado na adaptação. No último sábado, ela aprendeu a bater as perninhas. <3 <3 <3



- Sling, amor verdadeiro, amor eterno: estamos aqui na maior lua de mel com o sling de argolas! Acho que é a melhor fase. Andei um tempo reclamando que ela não relaxava lá dentro por causa da posição e não se i que...balela, minha gente! Acho que eu não estava sabendo ajustar direito. Certo é que coloco-a aqui direitinha na posição de lado, em cima do osso da minha bacia, e simbora passear! Pense na maravilha! Olha pra tudo, interaje com o mundo e até dorme. Obviamente que passado 1 hora e tal, cansa, afinal são 10kg, mas tem sido uma delícia passear com ela assim agora que o tempo melhorou. Uma delícia também os olhares de espanto feat. curiosidade das pessoas. "É um bebé que ali vai? :o"

- E a mãe? Eu tô aqui, né, gente? Retomando as pesquisas para voltar ao mestrado em setembro, verdadeiramente decidida a mudar de tema, o que vai fazer os professores me amarem ad eternum. Ultimamente tenho tido mais períodos de "meudeus, quero sair correndo!". Tanto por causa dessa fase da Malu que demanda ainda mais apego, como por uma questão hormonal também. A maravilhosa red voltou e com ela uma TPM do cão, mas do cão mesmo. Aliás, esquisitíssima essa volta da menstruação depois do parto. Instabilidade define. Por isso, se eu ficar grávida de novo, não se espantem, tá?...BRINCADEIRA, GENTE! 

- E o blog? O BLOG FEZ UM ANO, MEU POVO! Dia 12 de abril de 2013, estávamos eu e mais duas amigas iniciando esse puxadinho aqui. As meninas seguiram com a vida e sobrei eu com as minhas histórias. Quando começamos, tinha eu 20 e tal semanas de gravidez, sabia de nada (inocente!) e vejam só onde estamos hoje. Quero dar um presente a vocês que nos acompanham aqui, mas ainda estou resolvendo e me organizando (daqui pro segundo aniversário da Malu, a gente resolve).


Então, e vocês? Contem-me coisas bonitas.

terça-feira, 25 de março de 2014

Para quê a pressa?

Se tem uma coisa que os bebês adoram fazer, mesmo sem a menor intenção, é nos ensinar que eles têm um tempo próprio e muito particular: o tempo deles. O tempo de crescer dentro da barriga, de nascer, de crescer fora da barriga. E dentro do universo tempo do bebê, cada bebê tem seu tempo, por isso, é inútil compará-los. 

Nós, humanos adultos impacientes que somos, adoramos, por nossa vez, fazer com que os bebês sigam o nosso tempo. E o nosso tempo é cheio de pressa. Bebê tem que nascer às 38 semanas, bebê tem que ganhar 1kg por mês, bebê tem que sorrir antes do primeiro mês, bebê tem que sentar aos 6 meses e comer todas as frutinhas antes de completar os 7, bebê tem que engatinhar aos 8, falar aos 9 e andar aos 11. Tem que fazer porque o médico disse, porque a vizinha falou que é assim, porque quero logo que ele seja independente e vá dormir no quarto sozinho, a noite toda. São estímulos demais, quereres demais e ansiedades demais projetadas em cima de alguém com poucos centímetros e tantos instintos. Teimamos em ir contra, teimamos em apressá-los e depois o que fica? Saudade. Um lamento eterno porque passou rápido demais, porque o bebê cresceu e não quer mais andar ao colo.

A Malu demorou até as 28 semanas de gestação para nos dizer que ela era ela. Nasceu quando quis, às 39 semanas e 2 dias. Nunca mamou de 3 em 3 horas. Agora, quase aos 7, é que fica mais tempo sentada sem apoio. Agora, quase aos 7, é que ela gargalha.

Não vou ser aqui hipócrita e dizer que fui sempre um Buda da compreensão. Muitas vezes eu quis que passasse logo. Quis que aquelas noites longas do primeiros mês fossem passado, quis que ela dormisse umas horinhas seguidas sem lembrar de mamar, que caminhasse pelos próprios pés sem precisar de colo, que me deixasse almoçar sossegada enquanto brinca com os brinquedinhos dela. Noite passada, inclusive, ela acordou chorando n vezes e eu pensei: Malu, quando isso vai acabar? Parei de escrever esse post incontáveis vezes para sentar ao lado enquanto ela brincava. Se eu me afastava, ela protestava. Até que dormiu segurando o meu colar. Quando, nos seus próximos anos de vida, ela vai fazer isso de novo? Quando ela vai caber assim no meu colo?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

100 dias

Daí que ontem, redondamente ontem, completamos 100 dias de maternagem, paternagem e filharagem. 100 dias (des)construindo uma imagem, passando valores, recebendo lições, revendo conceitos, aprendendo, errando, reaprendendo e errando mais uma vez para tentar acertar adiante. O certo é que estamos aqui, lindos e loiros   saudáveis prontos (ou nem por isso) para a próxima fase.



Dizem que tal como ocorre na gravidez, o desenvolvimento dos bebês fora da barriga é dividido por trimestres. Levando em conta essa teoria, fechamos o primeiro. O intenso primeiro. Não que eu ache que os outros serão mais tranquilos, mas o primeiro é sempre o primeiro. Tem aquele sabor de primeiro, aquele frio na barriga, aquele "Não sei o que é isso. Pare o mundo que eu quero descer" e o natural "Será que é normal?". Seja lá o que vier pela frente, 3 meses foi um bom período para desenvolver minha autoconfiança. A primeira vez que tivemos de sair com a Malu foi absolutamente assustadora. Ela tinha 4 dias, fazia um calor e depois começou a ventar loucamente. Eu tinha os pontos ainda e muito medo de tudo. De andar rápido e o carrinho sacolejar demais, da poluição, dos carros, dos tambores de lixo, dos vírus que as outras pessoas carregavam. Esqueci os documentos que deveria ter levado. Foi estressante e achei que nunca fosse dar conta de fazer aquilo de novo. Fiquei tão freak que chegamos em casa e fui logo dar banho nela. O José dizia que eu precisava relaxar. E eu relaxei. Fui relaxando. Aprendi a me preparar para sair com ela, a verificar infinitas vezes se coloquei tudo na bolsa, a escolher a roupa no dia anterior e confirmar os horários. Faço-o muitas vezes sozinha, inclusive. Aí a Super Naruna entra em ação carregando bolsa, cadeirinha, bebê eventualmente fora da cadeirinha e alguma manta aleatória. O celular sempre toca nesse momento crítico. SEMPRE. Nesse meio tempo, já tivemos que sair com ela para resolver burocracias, médico ou simplesmente dar uma volta porque eu amo estar em casa, minha gente, mas tenho meus limites. Estive tanto tempo trancafiada com meu medo besta que reformaram uma rua inteirinha na Baixa e eu nem tinha me dado conta. Para mim, o reaprender a sair de casa foi um obstáculo pessoal que vem sendo vencido, sem muitos abusos, claramente.

Em 3 meses, há que também passar a entender os sinais do bebê. Com umas 2 semanas de Malu, o José me perguntou se eu já sabia identificar os motivos dos choros e eu respondi receosíssima que ainda não. Sério que eu queria ser a mega tradutora de choradeira aos 15 dias? Até hoje não tenho muita certeza do que cada um significa. Recorro mesmo à checklist: fome? fralda suja? mimo? tédio? O único infalível e inconfundível é o do sono. Essa minha filhota tem uma relação muito objetiva com o sono dela. Se atrasarmos o ritual da noite, ela embirra totalmente. Chora até seu problema ser plenamente resolvido, leia-se banho, pijama e mama até cair pro lado. As sonecas do dia, se não forem respeitadas, é um deus-nos-acuda. Ela começa logo com um nhaaaaaaaim. Esse nhaaaaim quer dizer "me ponha pra dormir agora ou eu vou começar a gritar infinitamente".

Fora os clássicos, no geral, a Malu chora muito pouco. Muito pouco mesmo. Há dias em que ela sequer chora. Só resmunga e eu já descubro logo o motivo. Mas se você for médico, enfermeira ou alguém estranho, be careful. É melhor se aproximar com muito cuidadinho, sem vozinha cheia de frescura ou ela abre logo o berreiro. Isso vale também para troca de roupa. Devia ser proibido bebês viverem no inverno. Calculem um acidente de cocô onde é preciso trocar body, meias, blusa, calça e casaco sob a amena temperatura de 5ºC. Ninguém curte, né? Mesmo chorando muito pouco a meu ver, as pessoas adoram me perguntar se ela não usa chupeta. Não, minha gente, ela não usa. Vou fazer um mea culpa aqui e dizer que cheguei a oferecer. Num dia particularmente difícil, ali por volta do 1 mês e meio, cedi às pressões da sociedade e resultado? Ela abomina. Olha e já começa logo a tossir, chora ainda mais e faz caretas. A chupeta existiu cá em casa por umas 3 semanas, até que a Meg comeu-a. Qué dizê, morreu menina chupeta. Agora só chupeito mesmo e tem funcionado.

Falando em peito, foram e têm sido 100 dias de muito. Livre demanda demandando, mandando e desmandando. São 7kg e 61 cm aí provando que leite fraco é a pqp. Isso tudo tem me rendido muitos elogios onde quer que vá. No hospital que a Malu ficou internada, virei tipo celebridade da amamentação. Ninguém acreditava que essas dobrinhas todas provém só da mama. Os pediatras andaram até discutindo o caso no café (???). Bate aquele orgulhinho de si e da cria, mas chego a ficar triste também por algo tão natural causar tanta surpresa. Durante a internação, só conheci mais uma mãe que amamentava, e olha que passei por várias. Aí que com a livre demanda, eu nunca sei que horas a Malu come, por quanto tempo e qual o intervalo entre as mamadas. Os enfermeiros não entendiam isso. Aí que com a livre demanda, perdi a vergonha de fazê-lo em público. E não coloco mais fraldinha por cima não. Vocês curtem comer com um pano na cara? Por que é que a Malu curtiria? Aí que já fui gentilmente censurada por isso. Disseram que eu deveria me "preservar". OH REALLY? A amamentação, se em público, tem uma carga tão sexual que dá o que pensar. Ando sinceramente até pensando em rever o tema da minha tese no mestrado.

Em 100 dias, teve pico de crescimento, salto de desenvolvimento, roupa ganha, roupa perdida, sorriso pra dar e vender, baaaaaaaaaaaba, muita baba, dedinhos curiosos apertando a nossa cara, a nossa roupa, os brinquedos, um converseiro danado (agu, abu, uh uh, aaahh, ehhhh, aaaaai, nhãe e coisas afins), uma afinidade com a Meg (prevejo puxação de rabo para breve. anotem.).

Eu (antes de ter um) achava que os bebês só tinham graça quando ficavam maiores, já sentando e tudo. Mas eu me divirto com a Malu todo santo dia. Ela respira e eu gargalho que nem uma abestada. Dizem que isso é amor. Deve ser um amor parecido com o que vejo nos olhos do José quando ele olha para ela. Sabem, é bonito amar, mas ver o amor nos outros é lírico, uma coisa meio idílica.

E eu nesses 100 dias? Eu definitivamente mudei e continuo sendo a mesma. Eu tenho impulsos de super mãe, super mulher, mas sei que não sou uma coisa nem outra, sigo fazendo o melhor. Eu já tive muita vontade de voltar a trabalhar e engoli o choro durante uns dias. Ainda tenho vontade, ainda tenho saudade, mas cada coisa a seu tempo. Tenho uma fome de me deixar com os nervos a flor da pele e quilos de cabelo começaram a cair (alou, prolactina!). Tenho ups e downs com o meu corpo. O peso é o mesmo, mas as curvas e formas são outras. Isso me deixa aflita às vezes. Penso todo dia que vou pintar as unhas assim que ela dormir. Apenas penso. Tornei-me uma criatura quase monotemática. Quase. Tenho ímpetos de fúria ao ver as pessoas na rua olhando para o meu lindo e redondo bebê (???). Sério, fico meio possessa achando que elas estão transmitindo más energias. Nóias. Tornei-me uma leitora lenta. Ganhei uns vícios estranhos tipo checar o nariz dela a cada meia hora, tal como analisar o conteúdo da fralda minuciosamente pra ver se tá tudo ok e deixar ela me babar a cara. O José acha essa parte particularmente nojinho. 



Apesar de costumeiramente buscar segurança, sempre tive um apego também com o futuro. Sempre achei que amanhã vai ser melhor e que os problemas vão se resolver magicamente e plim!, that's all, folks. Relendo esse texto e fazendo um backup expresso desses meses, noto que a primeira grande lição, habilidade ou seja lá o que for que a maternagem me trouxe foi apego ao presente, aos 30 minutos de sono e depois não sei. Atualmente eu tenho uma séria dificuldade em mentalizar que dia da semana é hoje, qual a data. Fica tudo num plano meio paralelo. O conceito de tempo meio distorcido. No meu calendário válido só tem uma marcação: agora. Daqui a 100 dias, quando for agora outra vez, a gente conversa mais sobre essa coisa de quanto tempo o tempo tem.