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sexta-feira, 15 de maio de 2015

5 vantagens de amamentar um bebê maior que ninguém nunca te contou

Pronto. Lá vem a chata da amamentação com aquele discurso evangelizador dela de que a OMS preconiza o aleitamento materno pelo menos até os 2 anos e blá blá blá. Disso vocês já sabem e cada um toma as suas decisões, inclusive a de não amamentar. Não estou aqui para enfiar LM goela abaixo em ninguém. Sou uma pessoa pacífica, de bem, pouco conflituosa. Maaas, como eu adoro falar sobre esse assunto, achei que ele merecia outro post, talvez com um novo recorte.

Tenho certezinha absoluta que todo mundo conhece os benefícios do leite materno, sabe que a amamentação também reduz as chances da mãe desenvolver um câncer de mama, que pode auxiliar na perda de peso pós-parto, coisa e tal, tal e coisa. Quem amamenta sabe também que nem sempre é fácil. Mesmo que superemos todos os problemas de pega, alergias, intolerâncias, mastites e afins, há sempre aquele dia (ou aqueles dias, semanas) em que estamos um caco, o bebê só quer mamar e o nosso pensamento é "onde é que eu fui me meter?". É um bocado viver na dualidade. Adoramos os momentos de aconchego, mas tem alturas...ai, tem alturas em que só queremos as mamocas para nós. Estou mentindo? Não estou nada porque sei que tem mais gente nesse barco! Ora, não se escondam! Assumam lá!

Por essas e outras, muitas outras, há mães que desistem da livre demanda e da amamentação no geral. O cansaço é extenuante e todos temos formas diferentes de lidar com ele. Depois tem também aquela coisa, bebê crescido é bebê sabido. Eles ganham uma habilidade de sacar a mama fora que nem nós, as donas das ditas cujas, temos. Já viram as situações que podem surgir, não é? As posições contorcionistas que eles escolhem para mamar também são um caso à parte...Fora a nossa própria experiência, têm as vozes da sabedoria. "Ai, ainda mama tão grande? Ai que isso é vício!" "Vai mamar até casar?" "Mas já anda e ainda mama?". Essa última...é de uma cientificidade que comove!

Forças contrárias existem muitas e alguns fatores pesam, como já mencionei. Se você não quer desistir, o melhor a fazer é positivar ainda mais a experiência. Como? Encontrando vantagens mais práticas e menos pragmáticas! A teoria todo mundo tem na ponta da língua, mas quando o calo aperta...Aqui contamos com 20, quase 21 meses da livre demanda e já percebi que posso otimizar o momento da maminha (que ainda não muitos). Então, decidi partilhar esses "plus". Pode ser que ajudem alguém naqueles dias mais punks. Ou que pelo menos faça alguém pensar que existe maluco pra tudo (o que é mais provável, aliás).



1- Transforme no momento do "check up"
Quando querem, os bebês são muito pouco colaborativos. Por isso, aquele momento de tirar a caca do nariz pode ser um tormento. Aproveito para fazer isso quando a Malu está mamando. Nem sempre ela acha bonito, mas ainda é mais fácil do que em situações menos lactíferas. Também confiro as orelhas e o cabelo (que sempre tem algum nó).


2- Dá para aparar as mini-navalhas
Essa foi a que descobri mais recentemente. Andava há 2 dias em uma negociação frequente com a pequena para cortar as unhas, fazendo de tudo para que não houvessem berros. Uma bela tarde, ela chegou da creche, pediu para mamar e lá fui eu com a tesourinha, achando que não ia funcionar. Pois não é que deu certo? Cortei todas, ainda acertei e ela continuou fazendo o que tinha que fazer.


3- É mais fácil tentar um acordo
Muitas vezes, os bebês maiores mamam porque ficam entediados. Lembram-se assim do nada ou sentem certa saudade de nós. Naqueles dias em que estamos com pouca disponibilidade, vale tentar um acordo. Como eles já têm um grande poder de percepção, pode ser que funcione, não recusar, mas negociar. Por exemplo, se a Malu tiver mamado há pouco tempo e pedir de novo, eu digo que a mimi está cansada. Ela pede para dar um beijo (<3 <3 <3) e vai brincar ou fazer outra coisa. Funciona sempre? Não, mas as chances de fazer-me compreender são maiores do que se eu dissesse à Malu com 5 meses que a maminha precisava descansar HAHAHAHA Ela ia entender, ia.

4- É engraçado
Vocês acham que não tem piada nenhuma um bebê grande mamando? Eu acho, gente, principalmente o jeito que eles arranjam de pedir. A Malu, quando quer mudar de um lado para o outro diz: ôta mimi! ôta! Se eu tento enganá-la de uma alguma forma, ela tem que ser mais enfática: cutuca a mama e diz "essa!". A primeira vez que isso aconteceu foi em uma noite particularmente difícil. Ela sentou-se na cama, cruzou os braços e falou altíssimo (tenho certeza que todos os vizinhos ouviram): ÔTA MIMIIIII! Que mau humor resiste à "ôta mimi"? Se nos faz rir, acaba por ser mais prazeroso que desgastante.


5- Se tudo der errado, tire selfies (ou brelfies)
E pronto. Você não conseguiu fazer o check-up, nem cortar as unhas, a criança não quis conversa? Vá tirar umas selfies nesse tempo livre! Aposto como só tem fotos do bebê entupindo a memória do smartphone, não é? Já que tem que ficar sentada ali mesmo esses minutos, vale se permitir " a ousadia". Eu sou adepta, tanto da versão selfie, como da brelfie (que foi o raio do nome que inventaram para as fotos que tiramos enquanto damos de mamar).

Selfie sim, e se reclamar vai ter brelfie também!





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"Mama África tem tanto que fazer..."

"...além de cuidar neném,
além de fazer denguim.
Filhinho tem que entender
que Mama África vai e vem
mas não se afasta de você"


Não estou trabalhando como empacotadeira nas Casas Bahia, mas sim, estou trabalhando. Todas comemora a conquista! Melhor do que isso, é trabalhar de casa. Não...espera...eu disse melhor? Ok, vá lá, pode ser.

Outro dia, assisti um workshop sobre organização (e é nessas horas que eu percebo o meu nível de adultice para com a vida) e a formadora (minha amiga Ligia Noia), aliás, e você deveria fazer like na página dela citou alguém que disse algo como "Nós só percebemos o quanto desorganizados somos quando começamos a fazer home office". E, meus amigos, essa é a dura verdade para quem trabalha em casa: caos! Confusão de horários, procrastinação no mais alto nível, a deadline chegando, e você vendo as gaivotinhas a passarem voando pela janela. Tudo bem, deve ter gente que já tem a malemolência para lidar com a coisa toda, o que ainda não é muito o meu caso. Tendo a Malu então e mesmo que ela vá para creche, é preciso coordenar as coisas de alguma forma minimamente funcional.

Analisando friamente a questão, eu ainda nem tenho um grande fluxo de trabalho, nada comparado com o que já foi a minha vida de jornalista-plantonista-não-preciso-parar-para-comer. É absolutamente suave na nave. Ou seria, não fosse o atual contexto e o fato de eu ter passado 2 anos mais ou menos sem escrever na linha profissional. Se eu contar pra vocês o desespero pessoal até a engrenagem funcionar...

E pronto, esse era mais um post prestação de contas com vocês se, por acaso, eu ficar muito tempo ausente. Pensaram que eu ia dar dicar, né, gente? Fuém...não vou mesmo. Não vou porque não deve haver caso de sucesso no mundo que trabalhe eficientemente, com bom aproveitamento, mergulhado em uma sala cheia de brinquedos e com um notebook afogado em migalhas de pão. Muito amor <3

Mas é isso aí, né? Bom de voltar à ativa, ainda que em passos lentos de quem recomeça, é poder escrever sobre coisas tipo esta. Afinal, falar com conhecimento de causa é outro nível. hahahihihoho

Não me abandonem, tá? "Mama África vai e vem, mas não se afasta de você"

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Precisamos falar sobre a febre

Vocês leem os posts que transpiram tranquilidade, com o modo "deixa a vida me levar" ligado e devem pensar "Nossa, como a Naruna é calma, super de boa, relax..."...porém não, hein, minha gente? Há duas coisas com que eu sou bem psicopata: alimentação e febre. Sobre a primeira, um dia eu volto a falar. Hoje o foco é mesma essa segundinha aí, essa fulaninha aí. 

As correntes homeopáticasantroposóficasrelaxosóficas podem dizer o que quiserem, mas eu tenho um certo pânico de febre. Sei que é um resposta normal do corpo aos invasores de treta. Eu já li, pesquisei, meditei e percebi muito em relação, só que não adianta. Ajo calmamente enquanto o meu interior trava uma batalha entre não baixá-la a todo custo e achar que é melhor medicar logo antes que suba demais. 

Se formos falar de febre por febre, a primeira vez que a Malu fez uma foi ao tomar as vacinas dos 2 meses. E pronto, essa eu desconto. Aliás, desconto todas as que sejam em decorrência de vacinas porque, vejam bem, eu sei a causa. Não medico, não surto. Deixo ela fazer o seu trabalho. 

No milionésimo episódio febril: só o colo salva
Com 3 ela teve uma bronquiolite. O quadro foi outro. Imagine acordar de madrugada com o bebê gemendo, colocar o termômetro e aquilo apitar 40,5ºC. Já narrei tudo aqui com a devida dramaticidade. O atendimento dela nas urgência esteve focado em fazer ceder o raio da febre que não ia embora por nada, para preocupação das enfermeiras e meu desespero. Creio que foi nessa altura em que fiquei traumatizada. Os outros sintomas pareciam menores, tanto que eu sequer os tinha percebido. A febre, para mim, era a doença, o mal, a causa da internação. 

Passado o susto, foram largos meses sem nada. O termômetro sempre a marcar 36,7ºC, 37ºC, no máximo. Como é doce a vida...como foi...até outubro, quando foi aberta a temporada de doenças 2014/2015. Desde então, ma friends, já perdi as contas de quantas vezes a febre veio. Sabem o que me deixa mais tensa? É que ela vem primeiro, anuncia que dias de tormenta estão a caminho. Geralmente, só quando ela cede ou passadas umas boas 24 horas é que conseguimos saber qual a moléstia da vez. Até lá..."será que é pneumonia? será que é catapora? meu deus, será que é febre aftosa?" e, felizmente, têm sido só aquelas viroses estúpidas e uns resfriados, uns 157 resfriados. Com esse vasto leque de bichezas, a Malu já teve febre baixa, mas que a deixa completamente abatida, a febre que só a deixa abatida quando passa dos 39ºC e aquela que chega aos 40ºC com ela completamente elétrica, tudo isso dependendo muito de como o organismo dela está e o tipo de vírus que veio dessa vez.

Devo surtar muitas vezes ainda, mas, como disse, aprendi coisas que me fizeram tentar encarar isso da forma menos louca possível. Então, deixo aqui alguma dicas:

- É bom avaliar a temperatura sempre na mesma parte do corpo. Se for na axilas, mantenha. Se for no rabinho, mantenha também.

- Eu avalio sempre via retal e, vejam bem, é uma temperatura mais alta do que a real. Pode variar de 0,3ºC a 1ºC. Dou um desconto de 0,5ºC. Então, para mim, só passa a ser febre acima dos 38ºC. Os últimos médicos que nos atenderam só têm considerado a partir de 38,5ºC (O que deixa fumaçando! Como assim a criança tem 38,1ºC há 3 dias e eles desconsideram????)

- Cuidado com a medicação, até porque ela pode mascarar os outros sintomas e retardar um diagnóstico. Só recorro a esse recurso se estiver muito alta ou se ela estiver muito abatida.

- Pés e mãos frios durante o estado febril são normais! Eu não sabia disso e achei que fosse sinal de uma convulsão. HAHAHAHAHAHA O que acontece é que a febre faz um caminho pelo nosso corpo e o último lugar em que ela chega é nas extremidades. Se estão frias é porque o caminho não está completo e ela ainda vai subir.

- Banho frio não! No máximo, 2ºC abaixo da temperatura do corpo do bebê. Não que eu ande medindo temperatura de água..pfff...Deixem-na tépida. Água gelada em corpo quente (além de ser uma tortura filha da mãe a qual fui submetida várias vezes na vida) é risco grande de choque térmico. A temperatura pode descer bruscamente também e aí sim, vir uma convulsão.

- Compressas mornas na testa, nas axilas e virilhas ajudam a fazê-la baixar. Nada de álcool.

- Hidratar é super importante! A febre desidrata. Oferecer líquidos sempre.

- Deixá-la com menos roupa quanto possível pra temperatura não subir muito

- Avalie o estado geral da criança. Febre acima de 39ºC em um bebê com menos de 6 meses é médico. Sem desespero, mas médico. Nos maiorzinhos, é bom prestar atenção no surgimento de outros sintomas. Às vezes até o excesso de roupa faz a temperatura subir demais. 

- E calma, né, gente? Isso é pra vocês e pra mim também que ainda estou aprendendo a ser menos febrofóbica. Acho que no dia que ela, sei lá, deslocar algum osso ou tiver uma hemorragia nasal vou achar que a febre não era nada demais. Não que eu prefira que aconteça isso...não...não...UM OSSO DESLOCADO NÃO! MALU, NÃO! 


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"Eu voltei...

...e agora é pra ficar
porque aqui
aqui é o meu lugar"

Juro que senti saudades.
Juro que não senti.
Juro que pensei em voltar 897 vezes.
Juro que pensei em não voltar outras 489.

Mas voltei, sabe? Voltei porque este blog deu-me imensas coisas e era injusto deixá-lo em suspenso. Voltei porque aqui que é aqui e ora nem mais!

Nesse break de 3 meses e uns quebrados aconteceram mundos e fundos. Serei incapaz de relatar aqui pormenores. De longe, o maior acontecimento foi o aniversário de um ano da Malu, meu aniversário e do José como pais. Um ano, meus caros. Um ano inteirinho. 365 madrugadas de loucura e amor nas quebradas. Um ano de colo e peito em livre demanda. 

Não somos os mesmos. Nenhum de nós, nem a Meg. E vai soar o maior dos clichès, mas amadurecemos juntos sim. Vocês estudaram em Biologia que quando se põe uma fruta madura junto com outras verdes, elas acabam por amadurecer também? Pois. Foi isso. Somos 4 frutinhas em simbiose.

E sabe o que mais? Vim dizer que voltei, mas por hoje that's all, folks. Amanhã a Malu começa a adaptação na creche. Os pensamentos estão assim meio anuviados. Tenho uma madrugada inteira pra fazer a minha adaptação também.

Fiquem comigo. Segurem na minha mão, tá?

terça-feira, 3 de junho de 2014

Saindo sem a Malu

Daí que menina Malu fez 9 meses no sábado. Uma mocinha, uma adultinha. Era chegada a hora, o momento, a emancipação. Vou sair sem ela. Para onde? Como? Quando? Cabeleireiro? Fazer as unhas? Tarde de compras? Fazer um curso? Claaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaro...que não. Fui ao médico. MAS NÃO É SÓ APENAS ISSO. Fui fazer exames também! :OOOO Como eu consegui? Como sobrevivi? Leia agora, nas linhas abaixo.

A última consulta que eu tive foi 40 dias depois do parto. Achei que era hora de marcar uma de rotina, fazer análises, checar taxas, ver se está tudo nos conformes. Afinal, tenho uma criança aqui pra tomar de conta e não estou podendo morrer. Para tudo. Chamem a minha mãe pra ler isso. Mãe, olha eu responsável. Olha eu indo ao médico sem precisar que ninguém me obrigue! Olha eu adulta!

Então, marquei com certa antecedência e pedi ao José que ficasse com a Malu para que eu pudesse ~~me concentrar na consulta~~. É sério. Era capaz de esquecer até porque eu tinha ido lá. Ele avisou no trabalho e foi. Ficou com ela no carro enquanto eu era atendida. Prestem bem atenção. Entrei no centro de saúde sozinha, pela primeira vez em 9 meses. Sem bebê, sem cadeirinha, sem sling. Peguei o elevador sozinha. Fui à recepção sozinha e sentei na sala de espera sozinha. Uma senhora chegou, deu bom dia e eu tive vontade dizer "Bom dia! Tenho essa cara, mas sou mãe e minha bebê está lá fora. Ela tem cinco dentes. Quer ver uma foto?". Mas respondi só "bom dia" mesmo. Fui chamada. "Senhora Romana Vieira, gabinete 13". Chamaram meu nome, vocês acreditam? Não foi "Malu Silva", foi "Romana Vieira".

Malu, aparentemente sofrendo muito com a minha ausência
Papo vai, papo vem na consulta. Falei tudo. Pedi uma consulta com o oftalmologista. A médica me achou muito magra e pediu, além dos exames de rotina, outros pra investigar se eu tenho alguma desordem na tireoide. Acho eu que isso é alimentação bagunçada mesmo, mas ok. Aquele silêncio enquanto ela passa as receitas. "Saíram 5 dentes à Malu!". Qual a necessidade, né, gente? Ela é nossa médica de família, a Malu teria consulta dias depois e ela veria o raio dos 5 dentes. Qual a necessidade dessa minha obsessão com os dentes? Juro que foi incontrolável. 

Saio de lá. Tudo na mais perfeita ordem com José e bebê. No acidentes. No choradeiras incontroláveis. Tudo em ordem nesses 40 minutos inteiros que eu me ausentei. Isso queria dizer que eu podia ir para mais longe, mais além, mais adiante: poderia ir fazer os exames e deixar os dois EM CASA. 

Adiei dias. Até ontem. Coloquei despertador, levantei cedinho e deixei as belezocas dormindo. Coloquei os papelinhos todos numa bolsa. Ora reparem: UMA BOLSA. Não foi mochila cheia de fraldas. Foi bolsa, das minhas, que eu já nem lembrava mais a última vez que tinha usado. Obviamente que antes de sair, deixei a frase clássica: "Qualquer coisa, me liga".

O laboratório não deve ficar nem a 3 km de casa, então fui à pé e ainda peguei um atalho. Atalho nessa cidade significa o caminho mais íngreme, eventualmente com degraus pelo meio. Sem carrinho e sem 10 kg a mais, óbvio que eu daria conta das escadas de boa. Óbvio eu dei conta dos 30 primeiros degraus e o resto foi rezando e sentindo a asma voltar. Depois da pagação de promessa, ainda tinha o raio de uma rua inclinada. Quando eu não aguentava mais, parei, abri a bolsa e fingi checar o celular enquanto recuperava o fôlego ou vocês acham que eu ia me entregar assim pros outros transeuntes?

Cheguei, entreguei as requisições. "A senhora já tem ficha aqui?" "Tenho sim", mas o que passou pela minha cabeça foi "Tenho sim. Foi aqui que fiz o meu beta HCG! Sabe que minha filha tem agora 9 meses????". Lá a mulher me chama pra coletar o sangue. "Senhora Romana Vieira". Primeira etapa concluída. A médica pediu também um papanicolau. Mais espera. Senta uma senhora do meu lado, pego no celular pra ver as horas. Aparece a foto da Malu na proteção de tela e a mulher parece interessada. "É minha filha. Tem 9 meses e saíram-lhe 5 dentes agora, sabia?". Não, não falei nada. Guardei o celular e já fui chamada de novo. "Exame de rotina?" "Sim" "Fica pronto daqui a 15 dias" "Ok, tudo bem" " Tem filhos?" "Simmmmmmmmmmmmmmmm" "Parto normal?" "Simmmmm". Dessa vez, eu não pensei em falar sobre os dentes. Só fiquei matutando que era a primeira vez que me perguntavam se eu tinha filhos. Nunca tinha sido necessário porque, né, ando sempre com a minha bolotinha a tiracolo.

Voltei pra casa de novo pelo atalho. Na descida, todo santo ajuda. Malu sequer soube que eu saí por motivo de: dormindo estava, dormindo ficou. Saldo: nenhuma ligação, nenhum acidente, nenhuma vez foto mostrada a estranhos, nenhuma palavra sobre os cinco dentes.

Para a próxima saída sozinha, estou pensando em, sei lá, ir ao mercado e demorar 1 hora inteira. O que vocês acham?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Badernação alimentar: primeira temporada

Aí que, né, reuni coragem hoje para falar sobre esse assunto. Hoje = quase 3 meses depois do início dessa jornada cheia de labuta, lágrimas e melecação pela casa.

Eu já nem lembro se antes do início da introdução alimentar tinha aquela coisa chamada "esperança que a Malu seja boa de boca". Se calhar sim porque ela começou a olhar para a nossa comida com os olhinhos cheios de cobiça, começou a colocar sorrateiramente a mãozinha no nosso prato. Na minha cabecinha ingênua ecoavam gritos de "vai ser sucesso, Narunaaa! É TETRAAAA!". Estava eu muito confiante, tinha estudado, tinha consultado a médica, sabia das técnicas, sabia dos paranauês todos da IA, sabia das quantidades, sabia da fórmula ideal da papinha, sabia de tudo. Sabia de nada, inocenteeeeee! Sabia de nada porque menina Malu não se mostrou aberta a novas experiências. Mas vamos começar pelo começo para vocês entenderem e chorarem  comigo.

Uma semana antes da Malu completar 6 meses, comecei a apresentar os novos apetrechos: prato, colher, copo de treinamento e cadeirão. Só de boinha mesmo pra ela brincar e ir se familiarizando (pffffff...cada ideia que passa pela nossa cabeça, viu?). Daí que ela achou aquilo tudo muito colorido e feliz, fiquei empolgada, ordenhei um bocado de leite, coloquei no copo e tentei dar. QUI-LA-RO que ela não aceitou. Ok, don't panic. Foi só um teste e ela não precisa de aceitar o leite fora da embalagem tradicional pra já. Sigamos. Era um domingo chuvoso, tinha essa bebê roliça seus 6 meses e um dia, decidi que era chegado o momento. "José, pega ali uma banana!". Lá veio José com a banana. Dei um pedaço na mão dela e o resto amassei. Pedaço na mão: carinha de nojo. Parte amassada: carinha de nojo ao cubo e desconfiança master com a colher. Rimos, achamos uma graaaaaaaaaça! "Aaaaaaai que tem tanta piada essa carinha de nojo dela". Coitados...mal sabiam...MAL SABIAM...

Então, foram passando os dias e meu plano era o seguinte: como já tinha começado com a banana, daria por 3 manhãs para ver reações, aceitação e tal. A médica tinha me orientado a começar pela papa salgada, mas como eu sou transgressora e meu âmago brasileira achou que ela saborearia muito melhor a fruta, tasquei a banana. Depois passei à pera, mais 3 dias de teste. Malu nem aí pra banana, nem aí pra pera. Passei ao raio da papa salgada, talvez ela aceitasse melhor. O plano alimentar da médica começava com uma base feita de cenoura, batata e abóbora que deveria ser dada durante 5 dias e só então alterada (leia-se adicionar mais algum ingrediente). E lá foi mamãe to-da confiante fazer a papa. Mesmo sabendo que o melhor é amassar com o garfo só, cozinhei os vegetais e passei pelo mixer. "Talvez ela aceite melhor assim, né? hehehehe". Porém não. Vocês não calculam o nojo desse bebê com comida molengatriturada. Deixei ela pegar, colocar a mão e ela passou em todas as partes do corpo, menos na boca. Nessa altura, desenvolveu o seu "gemido de desagrado".  Sempre que não curte a consistência das coisas, ela começa a gemer e joga o que estiver segurando no chão. É ela com o gemido e eu com a minha falta de paciência gritando e tocando tambor na cabeça. Ainda segui mais 3 dias com essa papa amalucada. Um dia, chutei o balde, decidi fazer do meu jeito e apertei o reset. Ia começar de novo, beeeeeem devagar, dando uma coisa de cada vez e só depois misturando. Ok. Cardápio de hoje: batata cozida só com o tal fio de azeite por cima. Amassei com o garfo e coloquei na mesinha do cadeirão. Qual não foi a minha surpresa quando Malu enfiou a mão na comida e levou à BOCA. À BOCA, MINHA GENTE! Não foi ao cabelo, não foi à roupa! O coração encheu de orgulho. "Eu sabia! Era isso mesmo! Tinha que fazer do meu jeito! Mãe sempre sabe das coisas". HAN RAN.

Vou resumir a coisa toda para vocês não me abandonarem. Seguimos razoavelmente bem até os 7 meses e meio, se não me engano. Passei a oferecer as frutas aos pedaços, esquema BLW (Baby Led Weaning, você oferece a fruta/vegetal inteiro ao bebê, ele pega com a mãozinha dele e decide quanto quer comer), e continuei a lutinha com a papa salgada. Como ela foi aceitando gradualmente, já tínhamos a rotina pequeno almoço (mama) - lanche da manhã (fruta) - almoço (papa salgada) - lanche da tarde (fruta) - jantar (papa salgada) - ceia (mama). Lembrando que a mama continuou (continua) em livre demanda, coloquei no ~~menu~~ só a título de orientação. Tudo muito bom, tudo muito bem. Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, vieram os dentes. Maaaaaaaaaaaaaaaaaaas, veio a crise dos 8 meses. E desandou tudo, desandou bonito. Eu dava pera, era pera jogada no chão. Dava maçã, era maça jogada no chão. Papinha de grão de bico, cenoura e sei lá mais o quê, chooooooro, dramaaaa. Só banana. Menina Malu só queria banana. Dá-lhe banana! Banana pra lá e pra cá, o que aconteceu? Dá-lhe prisão de ventre! Pela primeira vez, ficou um dia sem fazer cocô. Um dia inteiro. Eu já relembrando a minha vida dramática, de quem sofreu LITROZ com ressecamento. "ô minha filha, tanta malemolência para você herdar da sua mãe, e você herda logo a prisão de ventre???". Mas até que nem precisei recorrer aos métodos de tortura medievais. Fiz massagem e rezei um rosário  e ela fez, mas overdose de banana, nunca mais. Vieram os dentes, os dois de baixo de uma vez. A gengiva superior inchada, gritando, irritação master, tapa na cara da mãe, oceanos de baba pela casa, mas nada de saírem mais. Dias depois, pipoca um terceiro ao lado dos inferiores. Depois que esse benditinho saiu, ela foi sossegando. Status atual: depois de muito chorume no Facebook, no telefone e no ouvido de todo mundo, ela voltou a aceitar as refeições, num ritmo muito menos voraz que muitos bebês, mas olha, a vida já foi pior.

Faço piadinha e não sei o quê, mas foi e continua sendo um bocado desgastante, confesso. O fato de eu colocar energia no preparo da papinha e ela desprezá-la totalmente me deixava completamente frustrada. Criava expectativas e caía tudo por terra. Tive dias de desânimo total, vontade nenhuma de fazer comida pra ela, cheia de negativismo na cabeça. Chorei achando que era minha culpa, pedinchei ajuda no oráculo (mães do Facebook), achei que ela ia ficar subnutrida, que não ia receber os nutrientes todos e ia adoecer e não sei que mais. Drama nessa cabeça. Não que agora eu esteja suuuuper ok e tranquila. Ainda tenho meus dias de culpabilização total, medo de estar fazer tudo errado, todas aquelas tretas. Essa introdução alimentar está sendo um belo quebra-cabeças e não dá pra cantar vitória porque todo dia é um dia. Sei que aprendi algumas coisas, dei n cabeçadas na parede e tenho mudado hábitos positivamente. Na gravidez, jaquei muito, mas era também mais cuidadosa com a alimentação. Nos últimos meses, a ogrice de lactante falou mais alto e tenho abusado. Com a Malu comendo frutas, acabo por comer com ela e isso tem sido um ganho. Ponto pra gente!

E qual a lição deste post, amiguinhos? Não há lição, simplesmente. A introdução alimentar é uma fase muito particular e existem inúmeras formas de começar e continuar. Cada bebê é de um jeito, aceita de um jeito. Eu mesma tenho que repetir esse mantra sempre que a Malu derrama a comida feita com tanto carinho. Você, mãe que está na mesma situação que eu, dá cá um abraço! Um dia eles comem, dizem. Só acho que deviam vender paciência na feira também, just in case, quê que cês acham? Era bem bom praquelas horas em que eles se afundam na cadeira e não abrem a boca nem pra Jesus.

Então assim, pra fechar (que já falei mais que homem da cobra, como diz minha avó), vou deixar não dicas, mas situações dessa nossa lamuriosa introdução alimentar que podem ajudar alguém aí. 

- O cadeirão da Malu é uma herança da prima dela. Não nos preocupamos em comprar. Ok. Lindo. Economia pura. Acontece que o bonito é em tecido e a cobertura não sai pra ser lavada. Só dá pra limpar com um paninho molhado ou esponja e não fica legal não. Vai ser substituído em breve por um mais prático, todo de plástico porque nem adianta ficar neurótica. Rola sujeira mesmo, pedaço de comida mesmo, cuspida mesmo. O negócio é facilidade para limpar depois.

- É visível aos olhos de todos que Malu nunca teve problema de peso. Antes o contrário, iniciou a introdução alimentar acima do peso médio para a idade, porém saudável, uma vez que era apenas amamentada. Mas o fator peso extra, faz-nos ter um cuidado a mais com o que lhe dar para comer. Não damos farinhas, massas, bolachas, a comida não tem sal e não entra nada industrializado no cardápio. Só frutas, legumes, grãos e frango, pra já.

- Babador sempre de plástico, peloamordedeus, porque eu sou o desastre da lavagem de roupa. Obrigada. De nada.

- Quando ofereço os alimentos em BLW, dou sempre num tamanho maior que a mão dela. Fica melhor para segurar.

- Tento me organizar pra dar a comida quando ela está bem disposta e sem sono (nem sempre funciona)

- Sempre que introduzo uma coisa nova, repito por 3 dias seguidos. Medinho de alergia alimentar. Também não misturo duas coisas novas de uma vez só na papa.

- Não costumo insistir muito se ela estiver naquele estado de choro inconsolável. A meu ver, associa a comida à hora da tortura.

- Mesmo quando ela só aceitava a banana, continuei oferecendo as refeições normalmente para não quebrar a rotina (e cortava o meu coração vê-la estragar comida, sério)

- P-A-C-I-Ê-N-C-I-A. Aos quilos, de verdade.



De resto, minhas santas. É dar tempo ao tempo e comemorar cada colheradinha.
Vocês sabem que esse é um post terapêutico e de autoconsolo, né?
Volto logo com assuntos menos sofridos.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Profissão: mãe

Esses dias eu fui perguntada se estava trabalhando e senti uma puta vergonha de dizer que não. Quase corei, respondi gaguejando. Fiquei remoendo aquilo, era como caminhar com alguma coisa presa dentro do sapato: pequena demais para conseguirmos remover, mas suficientemente incômoda para continuar caminhando. Agora já fazem quase dois anos que não trabalho. Vim fazer o mestrado, depois veio a Malu e vocês sabem o resto. Mas espera aí, como não trabalho? COMO NÃO TRABALHO? Como raio eu respondo que não trabalho? Vá lá, vamos recomeçar. Agora já fazem quase dois anos que estou fora do mercado de trabalho. Fazem quase dois anos que não saio de casa, pego metrô lotado, fico o dia fora comendo mal e recebendo trocados no fim do mês. Aí sim. Fazem quase 2 anos que não sei o que é isso.

Minha mãe vivia dizendo: estou morta! Cansada! E eu nunca entendia. "Mas cansada de quê, minha gente?". Hoje eu tenho que pedir perdão a ela publicamente por ter questionado/duvidado tantas vezes. Ela trabalhava fora e dentro de casa. Chamam de jornada dupla. Eu chamo de múltiplas jornadas, infinitas. Há quase 8 meses estou cansada, alguns dias mais, outros menos. Mas cansada, fisica e mentalmente. São muitas horas extras, turnos trocados e exaustão. Exaustão. Criar alguém é sim um trabalho. Um trabalho fora de esquemas patronais, sem carteira assinada. Talvez trabalho e não emprego, para deixar tudo nos seus devidos termos. 

Maternidade e maternagem vêm ambas ensinando-me uma data de coisas, isso não é novidade. Muitas são óbvias, outras nem tanto. Aprendi que os julgamentos (os dos outros e os nossos próprios) são os maiores inimigos. Já julguei muita gente, muitas mães. Já apontei o dedo, já falei "se fosse comigo não era assim". Mas nada como um dia atrás do outro, nada como vestir a carapuça. Se fosse comigo era do mesmo jeito, se não pior. Talvez a minha vergonha em dizer que "não trabalho" seja fruto do julgamento que faça de mim mesma. Vergonha de dizer que "abandonei a minha brilhante carreira de jornalista" para estudar receitas de papinhas ou ficar aflita esperando um dente nascer. Vergonha de assumir a minha escolha. Vergonha de ser diminuída por fazê-la. Quando eu engravidei, muitos disseram que foi uma pena ter acontecido isso a alguém tão inteligente. Fiquei incomodada, mas não escondi a barriga de ninguém. Não sou vítima da maternidade. Escolhi, apesar da vergonha que me fazem sentir às vezes por tê-lo feito. Escolhi. Uma sorte que outras não têm.

Aprendi ainda que essa ideia divinal de ser mãe é uma treta. Ser mãe é ser bem humana. Há dias em que queremos poetizar, colocar tudo em verso e rimas ricas, mas mãe é muito gente. Passei a ter uma certa aversão àquela imagem sacralizada da maternidade, aquele ar quase etéreo, aquela coisa idílica. Foda-se essa história toda. Mãe come, mãe gosta de sexo, mãe xinga, mãe tem vontade de partir uma louça pra libertar a tensão, mãe cede, mãe não é obrigada. Ser mãe é ser muito real, muito de carneossoelágrimas. Ser mãe é se sentir muito sozinha às vezes, apesar do Zeca Baleiro dizer que "mesmo o mais sozinho nunca fica só".

Isso tudo para dizer que sim, eu trabalho. E talvez precise dizer isso mais a mim mesma do que a vocês. Talvez precise me lembrar que o fato de ser mãe não fez desvanecer o meu bacharelado, os estágios, os contracheques recebidos, as matérias suadas. Talvez precise me lembrar que não abandonei nada, que não há uma coisa em detrimento da outra. Talvez precise me lembrar de responder que sim, eu trabalho, apesar de não ter emprego.

terça-feira, 25 de março de 2014

Para quê a pressa?

Se tem uma coisa que os bebês adoram fazer, mesmo sem a menor intenção, é nos ensinar que eles têm um tempo próprio e muito particular: o tempo deles. O tempo de crescer dentro da barriga, de nascer, de crescer fora da barriga. E dentro do universo tempo do bebê, cada bebê tem seu tempo, por isso, é inútil compará-los. 

Nós, humanos adultos impacientes que somos, adoramos, por nossa vez, fazer com que os bebês sigam o nosso tempo. E o nosso tempo é cheio de pressa. Bebê tem que nascer às 38 semanas, bebê tem que ganhar 1kg por mês, bebê tem que sorrir antes do primeiro mês, bebê tem que sentar aos 6 meses e comer todas as frutinhas antes de completar os 7, bebê tem que engatinhar aos 8, falar aos 9 e andar aos 11. Tem que fazer porque o médico disse, porque a vizinha falou que é assim, porque quero logo que ele seja independente e vá dormir no quarto sozinho, a noite toda. São estímulos demais, quereres demais e ansiedades demais projetadas em cima de alguém com poucos centímetros e tantos instintos. Teimamos em ir contra, teimamos em apressá-los e depois o que fica? Saudade. Um lamento eterno porque passou rápido demais, porque o bebê cresceu e não quer mais andar ao colo.

A Malu demorou até as 28 semanas de gestação para nos dizer que ela era ela. Nasceu quando quis, às 39 semanas e 2 dias. Nunca mamou de 3 em 3 horas. Agora, quase aos 7, é que fica mais tempo sentada sem apoio. Agora, quase aos 7, é que ela gargalha.

Não vou ser aqui hipócrita e dizer que fui sempre um Buda da compreensão. Muitas vezes eu quis que passasse logo. Quis que aquelas noites longas do primeiros mês fossem passado, quis que ela dormisse umas horinhas seguidas sem lembrar de mamar, que caminhasse pelos próprios pés sem precisar de colo, que me deixasse almoçar sossegada enquanto brinca com os brinquedinhos dela. Noite passada, inclusive, ela acordou chorando n vezes e eu pensei: Malu, quando isso vai acabar? Parei de escrever esse post incontáveis vezes para sentar ao lado enquanto ela brincava. Se eu me afastava, ela protestava. Até que dormiu segurando o meu colar. Quando, nos seus próximos anos de vida, ela vai fazer isso de novo? Quando ela vai caber assim no meu colo?

segunda-feira, 10 de março de 2014

Quando sai o sol

Eis que tem feito dias bonitos por cá. Mas assim bonitos mesmo de doer o coração e olhem que ainda vamos ali na beiradinha do inverno! Até o fim de semana do Carnaval estávamos sob o pior tempo ever: chuva ininterrupta, nevoeiro, granizo, frio, o mar todo maroto invadindo a marginal. Então, depois da quarta-feira de Cinzas, o sol saiu e temos vivido acima dos 20ºC. Amoramoramormuitoamor. Com uma temperatura dessa, a mãe (que andava há muito trancafiada em casa, contendando-se em ir à janela ver o movimento) pira. Já tinha prometido a mim mesma e a Malu: "Quando o tempo melhorar, vamos dar uma volta. Assim, as duas sozinhas. Caminhando e cantando e seguindo a canção". 

Daí que veio o sol. Ai que bom. Olha, fico até bem disposta. Vou dar um jeito nessa casa. Acabou o primeiro dia de sol, nada de Naruna e Malu saírem de casa. Como eu sou o tipo de pessoa que toma coragem na sexta, decidi: é hoje. Já disse aqui que tenho super o hábito de sair sozinha com a gordinha, mas vejam só, sair sozinha = levá-la ao médico de táxi e voltar pra casa. Sad life. Sair para um passeio despretensioso à pé significava também levar o carrinho monstro dela para um despretensioso passeio à pé. Sim, porque são 9,100kg, né, minha gente? Atualmente, só estamos com o sling de argolas. Calculem. Como ela já tá grandita e fica na posição de lado (aka escanchada. Alôu Piauí!), não consegue relaxar e dormir, aí já teríamos outro problema. Então, o melhor era levar o carrinho mesmo e pronto. Põe tudo na mochila, checa tudo que colocou na mochila, troca de roupa, leva casaco ou não?, "filha, meia não é pra comer", José no Facebook : "Cuidado com as escadas", bota bebê na cadeirinha, desencaixa cadeirinha do carrinho, desmonta carrinho, tchau Meg! Primeira etapa concluída com sucesso: estamos do lado de fora do apartamento. Só temos de descer 2 andares de escada e voilá: rua. 

Como boa mãe esperta, corajosa e das quebradas que sou, descia um lance de escadas com Malu na cadeirinha, corria, voltava e buscava o carrinho off-road-tração-nas-3-rodas. 15 minutos para descer, sei lá, 60 degraus. Beleza. Fase ultrapassada. Agora é tudo 5 estrelas. Remonta carrinho. Encaixa cadeirinha. Coloca protetor de sol. E vamos ao passeio primaveriiiiiiil, Maluzinha! ...CATAPLOFT...Caímos. Caímos as duas na descida dos dois degraus que separam o hall do prédio da rua. DOIS DEGRAUS DEPOIS DE DESCER SESSENTA E SOBREVIVER. Imaginem a cena: a cadeirinha quase desencaixou, ficou meio torta, vi Malu de bunda pro ar, porém seguríssima pelo cinto. Não sabia se segurava a cadeira, se falava com ela, se tentava me recompor, se segurava o resto do carrinho. Felizmente um casal que estava ao lado da porta (se pegando), veio nos ajudar. Mais felizmente ainda, Malu não sofreu um arranhão, só viu o mundo ficar ligeiramente de cabeça para baixo e ficou com os olhos arregaladíssimos, mas não chorou nem nada. A única coisa ferida foi meu orgulho mesmo. Pensei em subir pro apartamento imediatamente e ficar em posição fetal remoendo a minha burrice de não deixar pra montar o carrinho quando não houvessem mais degraus a descer. Agradeci ao casal num fio de voz, morta de vergonha, me sentindo a mais menas das menas. "Tá bem, filha? Foi só um susto tá? Mamãe tá aqui". Acho que estava consolando mais a mim mesma do que a ela, que olhava pra rua muito satisfeita. 

Eu podia ter voltado pra casa. Podia. Mas nããããão, eu continuei. Catei os cacos da minha vergonha do chão e fui embora. Não sei porque liguei pro José e contei do incidente. Já sabem o que ele disse, né? "Eu falei pra ter cuidado nas escadas mimimi" "Foi só um susto. Tchau. Estamos ocupadas sendo lindas sob esse sol maravilhoso da Euró-pah".

E fomos nós conversando e sacolejando pelas ruelas da Baixa do Porto enquanto eu pensava aonde ir. Já falei pra vocês que sou taurina. Já falei que preciso de segurança. Segurança nesse caso quer dizer um lugar para trocar fralda porque aprendi a duras penas que Malu não aceita ser trocada em qualquer tampa de privada. Então resolvi eleger como porto seguro o shopping ~~das proximidades~~ que eu já sabia ter um fraldário de jeito. Teria que ir lá mesmo comprar os nossos maiôs para a aula de natação da Malu (Siiiiimmmmmmmmmmm! A moçoila da água veio, para a água voltará. Próximo post vai ser sobre isso).

Passeio vai, passeio vem. Eu besta sem saber se botava manta, se tirava manta. As pessoas passando e falando "ai que coisa mais gordinha". Malu no seu babababa infinito. Aquele clima de primavera no ar. Tudo muito bom, tudo muito bem. E então ela dormiu, melhor ainda. Daí começaram a me parar para: pedir ajuda para instituições, pedir esmola, pedir informação porque empurrar carrinho de bebê = ter um coração mole.

Opa, Malu acordou. Reclamou. Hora de mamar e trocar a fralda. "Ai que eu sou espertíssima. Só pegar aqui um elevadorzinho e já está. Fraldinha trocada". Mas obviamente que como estava eu sozinha, a lei de Murphy resolveu providenciar aquele cocô explosivo que por muito pouco não escapou da fralda. Fichinha. Estamos acostumadas com estes (em casa). Bebê no colo para evitar "esparramamentos", tento desenrolar  e destacar um bocado de papel protetor com uma mão. Saiu todo amarrotado, parecendo que foi rasgado, mas dava pro gasto. Deita Malu no trocador, separa a fralda, os lenços. "FILHA, QUE QUE É ISSO NA TUA BOCA?". Tava se lambuzando com o pedaço mal destacado do papel protetor. Sem pânico.  Ela não engoliu nada. Fim da estadia no trocador. Compramos os maiôs. O sol já começava a ir embora e era melhor voltar pra casa. 

Volta tranquilíssima. Eu já pensando que essa saída podia render um post..."Espera...como eu saio daqui?". Metade do centro do Porto está sempre em obras e eu, sabe-se lá como, me enfiei com carrinho e tudo em um cercado sem saída onde só haviam máquinas trabalhando. Imaginem. Reflitam a cena. Os trabalhadores com aquela cara de Q, as pessoas que passavam se questionando "mas pra onde aquela louca vai?". Só me dei conta mesmo que não tinha saída quando rodei, rodei com esse carrinho e nada de ver um buraquinho aberto. 180º depois, achei por onde retomar meu rumo. A cara queimando de vergonha de novo. E a Malu "babababababababa".

Celular toca e é o José. "Tudo bem por aí?" "Tudo óóóóóótimo. Estamos passeadíssimas e voltando para casa".

Chego na rua do prédio e os vizinhos começam a me acompanhar com o olhar, certamente esperando uma desgraça. Mas eu vim, resplandecente e esplendorosa empurrando o carrinho. Estacionei-o na porta, tirei a cadeirinha, desmontei o carrinho e transportei tudo sem afobação, uma coisa de cada vez. Lindíssima, com meu look Zara, fechei a porta e deixei os fofoqueiros apenas de queixo caído. Porta fechada. Chutei o carrinho pra um canto, subi com a Malu na cadeirinha e mandei mensagem pro José: "Quando chegar, sobe com o carrinho. Ficou escondido embaixo da escada".

Lição de hoje: Yes, I can. Mas não sou nem obrigada.


quinta-feira, 6 de março de 2014

6 meses de filha da mãe, 6 meses de mãe da filha

AHA UHU
Todo mundo pode vir comer o nosso bolo porque estamos de parabéns! Mãe, pai, filha e Meg. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos nessa primeira etapa de muitas.

Eu estaria mentindo se dissesse que você foi planejada. Não foi. Não foi porque eu e José somos bem ruins de planejamento. Capengas mesmo. Mas também estaria mentindo se dissesse que a gravidez foi uma surpresa. Não foi. A verdade é que ela foi sempre desejada. A verdade, filha, é que você é toda feita de amor. Da sua unha esquisita do dedão do pé até a sua mecha de cabelo branco do topo da cabeça. Tudo envolvendo você sempre envolveu também amor. Amor e números engraçados.

Foi assim que sua história começou, filha
No dia 11 do 11 de 2011, estava eu em cólicas no terminal 2 do aeroporto do Galeão, agarrada a uma garrafa de água e mirando impacientemente a porta do desembarque. Seu pai foi o último a sair de lá com aquela camisa do Rocky que hoje nem existe mais. Depois de 9 meses de relacionamento online, era a primeira vez que nos abraçávamos (e beijávamos). 15 dias depois, ele voltaria para o lado do oceano de onde tinha embarcado. Não sei quando o amor nasceu aí nesse meio, mas a data da saudade foi 26 de novembro de 2011. Chorei, choramos. Quase um ano depois, eu que atravessei o mar todo. E vim. Vim para o mestrado. Vim para o amor. O resto você já sabe. 

O que você talvez não saiba é que sua mãe precisa de estar permanentemente apaixonada para funcionar. Foi sempre assim. Só estudei o que amei, só trabalhei onde amei, só carrego comigo quem eu amo. Eu me apaixonei por estar grávida e acho que por isso as coisas correram tão bem. Entreguei-me àquilo tudo, entreguei-me às transformações do corpo. Estudei exaustivamente o que acontecia e estava prestes a acontecer. Não foi difícil.

E então, você nasceu. Há 6 meses e uns dias, você nasceu. E foi um tal de me apaixonar pela maternagem. Até então, eu amava a ideia de ser mãe. Dia 31 de agosto de 2013 tive de por o plano em prática. Transformar todas aquelas leituras em ações, buscar minhas próprias saídas e lembrar um bocado do que a minha mãe (sua vó) dizia. Não tem sido fácil, filha. Entre as palavras escritas por outros e o nosso dia-a-dia existe um desfiladeiro enorme. Existem o nossos valores humanos, existem obstáculos, existem as nossas capacidades. Com você nos meus braços, 24h/dia, 7 dias por semana, aprendi que a maternagem ideal é aquela que aprendemos a construir na prática. Há sempre o nosso jeito. E o nosso jeito, aprenda isso logo, é o melhor para nós. Não significa que será o melhor para os outros porque as pessoas são diferentes. Isso se chama compreensão e foi você que me ensinou da forma mais genuína e indubitável possível.

Quando eu saí de baixo da asa da sua avó, aos quase 22 anos, cresci um bocado. Fui morar em outra cidade, com outras pessoas, pagando uma boa parte das contas e tendo que me virar para arranjar emprego onde ninguém sabia de quem eu era filha. Na altura, precisei disso para saber que era capaz. Ser sua mãe me fez mulher, enfim. Muito mulher. Não que eu ache que só é mulher quem se torna mãe. Mais uma vez, estamos falando da nossa experiência. 

Nesses 6 meses, vi minha paciência crescer a níveis astronômicos. Vi o meu senso de responsabilidade triplicar. Vi que eu posso. Sim, eu posso. Eu posso amar ainda mais porque é isso que acontece todos os dias quando você acorda: o meu amor só cresce.

Como boa taurina com ascendência em Touro, eu gosto de ter controle sobre as coisas, de estar segura, de saber o que vai acontecer. Tanto que tenho a mania intragável de ler a última página dos livros antes da primeira. Maternar é um pouco sobre perder o controle. E eu tenho perdido feio, Maluzinha. Tenho que seguir com os capítulos por vez porque simplesmente ainda não há última página. Quem foi que disse mesmo aquilo de "o caminho se faz caminhando"?

6 meses é só o começo e já caminhamos um bocado. 


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O salto da discórdia

Toda vez que eu faço um backup das últimas semanas, aquela música da Kátia começa a tocar como trilha sonora. Que Kátia? Sério, gente? Anos 80, paradas de sucesso? Não?  Ninguém? Vá lá:



É que não está sendo fácil, meus amigos. Não está sendo fácil viver assim. A Malu está no ápice do salto de desenvolvimento mais longo e doloroso que pode existir na face da Terra. Um calvário bebezístico. Na verdade, ela engatou crise dos 3 meses com salto dos 4 meses e meio e o furdunço ficou feito. Feito e feio. Bem feio. 

Tá, Naruna. Já entendemos que a coisa deu ruim por aí, mas o que diabos é esse salto de desenvolvimento? Basicamente é uma fase em que o bebê ganha novas habilidades e fica meio (totalmente) obcecado com aquilo. Tão obcecado que quer ficar fazendo over over and over again. Dormir pra que se ele pode, sei lá, abrir e fechar as mãos? Como consequência, vocês imaginam...batalha árdua para dormir, soneca mal tirada e um humor de fazer inveja a qualquer bipolar. 

To fazendo gracinha pra desanuviar, mas o assunto merece atenção. Isso porque pode ser confundido com outras coisas, tipo mãe achar que o bebê tem fome, que são cólicas e afins, quando ele só está crescendo. E crescer dói, né? Para entenderem melhor sobre o assunto, deem uma lidinha aqui.

Mas ok, voltando ao estudo de caso, meu caso. Depois que eu fiz aquele post sobre o sono, no dia exato para ser bem dramática, a Malu endoidou com o sono da noite. Endoidou bonito. Quando ela deveria estar entrando em sono profundo, despertou do NADA e começou a chorar. Chorou, chorou, chorou e depois, ploft, dormiu. Como eu tinha mencionado no post, são alterações de sono. Acontecem. De boa. Beleza. Só que depois daquela noite, nossas vidas nunca mais foram as mesmas. Viemos num processo de "desevolução" constante do sono que culminou com a atual situação: zero sono de dia, zero sono de noite. Com muita batalha, as sonecas do dia duram 20 minutos, às vezes meia hora. À noite, depois da rotina, ela cai no sono por uma hora e depois é um tal de mamar eterno. Mamar, mamar, mamar como se não houvesse amanhã. Tínhamos adotado a cama compartilhada estendida já (nós na cama grande e ela na caminha dela, sem a grade lateral, colada na nossa), tivemos que retroceder à cama compartilhada normal por duas razões: dou de mamar deitada pelo menos para descansar as costas e ela simplesmente não aceita ficar no seu canto sozinha, não interessa se é ali do lado. Então, estamos assim: José no canto dele entrevado, eu no meio bem entrevada e Malu na ponta num mix de agitação sonâmbula e contentamento por não estar sozinha. Ela tem dormido com o peito na boca. Sério. Peito na boca e mão agarrando meu pijama. Se eu me afasto um pouquinho pra tentar relaxar o braço ou ela acorda ou vem se arrastando com a cabeça (???????????) até encostar em mim de novo.

Agora quiséramos nós, o problema fosse só o sono. Quiséééééramos. Ela tem umas alterações bruscas de humor. Em um segundo estamos aqui lindamente brincando, sendo felizes. No segundo seguinte, chororô incrível sabe-se lá porque. Antes de chorar muito, ela aprendeu a gritar. Aí sempre rola a dúvida se o grito é uma verbalização primitiva de desejos não muito bem coordenados ou se vem zanga por aí. Nos dias mais críticos, ela não quer colo, não quer carrinho, não quer sling, não quer deitar de barriga pra cima, nem de barriga pra baixo, nem nada. Não anda muito afeita a brinquedos também. Duas coisas que ainda a entretém por um tempo são a Meg e a nossa cara. Ambas sempre tentando ser alcançadas por uns dedinhos cheios de baba. 

Estranha completamente as pessoas, exceto eu e o pai. Não quer nem saber dos outros. Não chegue junto, não fale perto, não faça contato visual. Ela bota logo a garganta no mundo! Começa a fazer aquele biquinho, as pessoas acham lindimais, falam ainda mais com ela e o resultado: UNHÉÉÉÉÉÉÉÉÉ! Só calará no peito. Ah o peito! Tenho impressão que ela olha pra mim e vê um peitão gigante (o que é quase verdade). Se recusa também a ficar no carrinho enquanto fazemos as refeições. Gosta de sentar no colo e observar o movimento dos copos, talheres, bocas. As mãos são um capítulo à parte. Ela está absolutamente maravilhada com seus dedinhos de salsicha. Encantada. Olha tanto pra elas que até fica vesga. Os pés ainda são só um detalhe curioso.

Meudeus, mas que coisa linda é essa que eu to vendo aqui? Ela se mexe!


Então, definitivamente, isto é um salto. O primeiro que eu soube reconhecer. Até porque, né, com essa agressividade toda, quem não reconheceria? Daí que eu tenho andado bem acabadinha, contando até 10 várias vezes, pedindo forças aos orixás, repetindo o mantra materno (Vai passar, vai passar). Já me senti bem menas por faltar a paciência alguns momentos. Já afundei minha cara no travesseiro e me perguntei: tanto bebê no mundo, por que logo o meu não dorme? Tentei banho de chuveiro, levar pra cama mais cedo, levar mais tarde, tirar soneca, botar soneca. Nada funciona e creio que não vá funcionar. O que me consola é que, pelas minhas contas, já vamos em quase 4 semanas de terror. Se o salto dura entre 4 e 6, logo deve passar (logo = mais umas duas semanas. senta e chora).

Daí que a lição de hoje é: não postar se achando a espertinha porque não há batalha vencida nessa coisa de maternagem. Não na minha maternagem.

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Tá todo mundo engravidando, gente! Que lindo! Também quero! (Brincadeira, mãe)
Parabéns, Talita! O em breve vai ser muito em breve mesmo.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Micromanual: como se comportar ao encontrar um bebê

Demorei, mas cheguei em 2014. Aeeeee!
Há tempos venho pensando em escrever sobre as manias estranhas, irritantes e incômodas que as pessoas têm ao encontrar com os nossos ricos bebezinhos, nossas pérolas criadas com amor e magia. Daí que tentei catalogar, reunir, listar as piores ou as que foram mais unânimes. Eis o resultado.

Não sei vocês, mas tem coisas que eu não consigo escrever, então acho melhor falar. Por isso, hoje habemus um ~~videopost~~. Videopost esse, aliás, totalmente dentro da maternidade do mundo real, com direito a olheiras, cabelo duvidoso e cachorro descontrolado.








segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O último mimimi de 2013

A esta altura, em 2012, eu estava decidindo de que cor pintar as unhas e fazendo minha tradicional faxina de fim de ano (ou parte dela). A esta altura, em 2012, eu estava enchendo os cantos da casa de sal grosso e separando as roupas que não mais usava. A esta altura, em 2012, eu aguardava ansiosa para adotar um cão (fizemos um acordo de que ele viria em janeiro). A esta altura, em 2012, eu estava grávida e sabia que sim, mas achava que não. Nas primeiras horas do dia 1º, preparava-me para dormir. Troquei de roupa em frente  ao espelho. 

- Amor, olha a minha barriga! Olha pra isso!
- Ihhh! Tá grávida mesmo!
- Rum...rum hum...

E deitamos rindo os dois, achando graça, mas sabendo. Sim, sabendo. Oito dias depois a Meg chegou. A 15 de janeiro, o Beta confirmava que a Malu também estava a caminho.

Este ano, a esta altura, não tive tempo de fazer a faxina de fim de ano, não posso por sal grosso porque a Meg tem apetite para esse tipo de coisa. Estou aqui sentada no tapete, ainda de pijama, com uma bebê obcecada pelas próprias mãos e sons que aprendeu a fazer. A cadela...bem, a cadela acabou de destruir a bola que ganhou de Natal.

Sou muito sensível ao fim do ano, mais do que ao Natal. Foi quase sempre assim. Gosto daquele friozinho na barriga que precede o novo, daquela contagem regressiva em que todo mundo para. Não dá mais tempo fazer o que se queria, então vamos apenas parar e ver o novo ano chegar. Eu fico nervosa, rio nervoso, faço todas as simpatias, distribuo todos os abraços e sou suficientemente ingênua para acreditar que vai ser melhor, que vou fazer diferente. Ainda canto a melodia que a minha vó entoava em todos os reveillóns que passei na casa dela: "Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Que tudo se realize no ano que vai nascer...". Posso até dizer que cresci, mas continuo depositando todas as fichas no que está por vir. As mesmas fichas que eu depositava quando beber Cidra Cereser em um copo de plástico era a maior das minhas transgressões.

Entre o positivo e essa tarde chuvosa ainda de pijama no tapete, aprendi que nem tudo é sobre mim, nem tudo é sobre o que vou vestir na passagem do ano. Aprendi que o amor não é preguiçoso. Ele depende da sua dedicação, do seu cuidado, do seu colo, do seu peito. Ele vai te chamar às 4h da manhã e nem sempre é fome, nem sempre é fralda suja. Pode ser só saudade. Ele não vai fazer questão que você tenha lavado o cabelo. Vai demorar 4 horas para pegar no sono e acordar 20 minutos depois. Finalmente, ele vai rir quando te apetece chorar e você vai rir também. Pode parecer sadismo, mas aprendi que amar dói. Dói porque significa sair da zona de conforto. É a zona de confronto. Amar é o todo dia mesmo quando não te apetece sair da cama.

O que 2013 me trouxe vai durar bem mais que seus 365 dias. Passei os dedos pelo teclado imensas vezes tentando não fazer soar demasiado clichê, mas é mesmo isso: nasci e fiz nascer. Nasceu minha filha e eu nasci mãe. Nasci porque assim como ela aprende sobre suas mãos, eu descubro a melhor forma de fazê-la crescer feliz. 

Ontem eu achei em um bloquinho antigo a lista de coisas que eu tinha a fazer no dia que "conheci" o José  (um dia conto a vocês essa estória). Foi a única lista que lembro de ter cumprido até hoje. 11/11/11. Como não dizer que foi um reveillón? O que eu quero dizer é que venho reaprendendo a comemorar minhas passagens de ano. São agora passagens de dias. Como o reveillón do dia 31 de agosto. A contagem regressiva culminou às 18h38 com 3,630kg e 50cm de ano novo.

Não vou me alongar muito mais, até porque começo a não fazer sentido querendo fazer. Mas vale salutar também que, nascendo Malu e nascendo eu, nasceu o blog. Nasceram vocês para mim. Nasceram histórias para acompanhar. Nasceram laços. Nasceu a Nana tentante que gestou a gestação e agora tem um biscoito no forno. Nasceu a Marina cheia de força, cheia de graça, cheia de um novo bebê. As duas primeiras pessoas com quem entrei em contato na "blogosfera materna" costuram esse ano no próximo. E que venha a maternagem, que venha!

Espero não esperar muita coisa de 2014. Espero que a Malu siga bem com seus picos de crescimento, saltos de desenvolvimento e curiosidade pelo mundo que a cerca. Que o José continue encantado com as coisas que ela aprende do dia para o dia. Que a Meg tente manter seus brinquedos intactos por pelo menos 24 horas. 

Que 2000 e catarse, amigos. Catarse.

Até para o ano!


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

100 dias

Daí que ontem, redondamente ontem, completamos 100 dias de maternagem, paternagem e filharagem. 100 dias (des)construindo uma imagem, passando valores, recebendo lições, revendo conceitos, aprendendo, errando, reaprendendo e errando mais uma vez para tentar acertar adiante. O certo é que estamos aqui, lindos e loiros   saudáveis prontos (ou nem por isso) para a próxima fase.



Dizem que tal como ocorre na gravidez, o desenvolvimento dos bebês fora da barriga é dividido por trimestres. Levando em conta essa teoria, fechamos o primeiro. O intenso primeiro. Não que eu ache que os outros serão mais tranquilos, mas o primeiro é sempre o primeiro. Tem aquele sabor de primeiro, aquele frio na barriga, aquele "Não sei o que é isso. Pare o mundo que eu quero descer" e o natural "Será que é normal?". Seja lá o que vier pela frente, 3 meses foi um bom período para desenvolver minha autoconfiança. A primeira vez que tivemos de sair com a Malu foi absolutamente assustadora. Ela tinha 4 dias, fazia um calor e depois começou a ventar loucamente. Eu tinha os pontos ainda e muito medo de tudo. De andar rápido e o carrinho sacolejar demais, da poluição, dos carros, dos tambores de lixo, dos vírus que as outras pessoas carregavam. Esqueci os documentos que deveria ter levado. Foi estressante e achei que nunca fosse dar conta de fazer aquilo de novo. Fiquei tão freak que chegamos em casa e fui logo dar banho nela. O José dizia que eu precisava relaxar. E eu relaxei. Fui relaxando. Aprendi a me preparar para sair com ela, a verificar infinitas vezes se coloquei tudo na bolsa, a escolher a roupa no dia anterior e confirmar os horários. Faço-o muitas vezes sozinha, inclusive. Aí a Super Naruna entra em ação carregando bolsa, cadeirinha, bebê eventualmente fora da cadeirinha e alguma manta aleatória. O celular sempre toca nesse momento crítico. SEMPRE. Nesse meio tempo, já tivemos que sair com ela para resolver burocracias, médico ou simplesmente dar uma volta porque eu amo estar em casa, minha gente, mas tenho meus limites. Estive tanto tempo trancafiada com meu medo besta que reformaram uma rua inteirinha na Baixa e eu nem tinha me dado conta. Para mim, o reaprender a sair de casa foi um obstáculo pessoal que vem sendo vencido, sem muitos abusos, claramente.

Em 3 meses, há que também passar a entender os sinais do bebê. Com umas 2 semanas de Malu, o José me perguntou se eu já sabia identificar os motivos dos choros e eu respondi receosíssima que ainda não. Sério que eu queria ser a mega tradutora de choradeira aos 15 dias? Até hoje não tenho muita certeza do que cada um significa. Recorro mesmo à checklist: fome? fralda suja? mimo? tédio? O único infalível e inconfundível é o do sono. Essa minha filhota tem uma relação muito objetiva com o sono dela. Se atrasarmos o ritual da noite, ela embirra totalmente. Chora até seu problema ser plenamente resolvido, leia-se banho, pijama e mama até cair pro lado. As sonecas do dia, se não forem respeitadas, é um deus-nos-acuda. Ela começa logo com um nhaaaaaaaim. Esse nhaaaaim quer dizer "me ponha pra dormir agora ou eu vou começar a gritar infinitamente".

Fora os clássicos, no geral, a Malu chora muito pouco. Muito pouco mesmo. Há dias em que ela sequer chora. Só resmunga e eu já descubro logo o motivo. Mas se você for médico, enfermeira ou alguém estranho, be careful. É melhor se aproximar com muito cuidadinho, sem vozinha cheia de frescura ou ela abre logo o berreiro. Isso vale também para troca de roupa. Devia ser proibido bebês viverem no inverno. Calculem um acidente de cocô onde é preciso trocar body, meias, blusa, calça e casaco sob a amena temperatura de 5ºC. Ninguém curte, né? Mesmo chorando muito pouco a meu ver, as pessoas adoram me perguntar se ela não usa chupeta. Não, minha gente, ela não usa. Vou fazer um mea culpa aqui e dizer que cheguei a oferecer. Num dia particularmente difícil, ali por volta do 1 mês e meio, cedi às pressões da sociedade e resultado? Ela abomina. Olha e já começa logo a tossir, chora ainda mais e faz caretas. A chupeta existiu cá em casa por umas 3 semanas, até que a Meg comeu-a. Qué dizê, morreu menina chupeta. Agora só chupeito mesmo e tem funcionado.

Falando em peito, foram e têm sido 100 dias de muito. Livre demanda demandando, mandando e desmandando. São 7kg e 61 cm aí provando que leite fraco é a pqp. Isso tudo tem me rendido muitos elogios onde quer que vá. No hospital que a Malu ficou internada, virei tipo celebridade da amamentação. Ninguém acreditava que essas dobrinhas todas provém só da mama. Os pediatras andaram até discutindo o caso no café (???). Bate aquele orgulhinho de si e da cria, mas chego a ficar triste também por algo tão natural causar tanta surpresa. Durante a internação, só conheci mais uma mãe que amamentava, e olha que passei por várias. Aí que com a livre demanda, eu nunca sei que horas a Malu come, por quanto tempo e qual o intervalo entre as mamadas. Os enfermeiros não entendiam isso. Aí que com a livre demanda, perdi a vergonha de fazê-lo em público. E não coloco mais fraldinha por cima não. Vocês curtem comer com um pano na cara? Por que é que a Malu curtiria? Aí que já fui gentilmente censurada por isso. Disseram que eu deveria me "preservar". OH REALLY? A amamentação, se em público, tem uma carga tão sexual que dá o que pensar. Ando sinceramente até pensando em rever o tema da minha tese no mestrado.

Em 100 dias, teve pico de crescimento, salto de desenvolvimento, roupa ganha, roupa perdida, sorriso pra dar e vender, baaaaaaaaaaaba, muita baba, dedinhos curiosos apertando a nossa cara, a nossa roupa, os brinquedos, um converseiro danado (agu, abu, uh uh, aaahh, ehhhh, aaaaai, nhãe e coisas afins), uma afinidade com a Meg (prevejo puxação de rabo para breve. anotem.).

Eu (antes de ter um) achava que os bebês só tinham graça quando ficavam maiores, já sentando e tudo. Mas eu me divirto com a Malu todo santo dia. Ela respira e eu gargalho que nem uma abestada. Dizem que isso é amor. Deve ser um amor parecido com o que vejo nos olhos do José quando ele olha para ela. Sabem, é bonito amar, mas ver o amor nos outros é lírico, uma coisa meio idílica.

E eu nesses 100 dias? Eu definitivamente mudei e continuo sendo a mesma. Eu tenho impulsos de super mãe, super mulher, mas sei que não sou uma coisa nem outra, sigo fazendo o melhor. Eu já tive muita vontade de voltar a trabalhar e engoli o choro durante uns dias. Ainda tenho vontade, ainda tenho saudade, mas cada coisa a seu tempo. Tenho uma fome de me deixar com os nervos a flor da pele e quilos de cabelo começaram a cair (alou, prolactina!). Tenho ups e downs com o meu corpo. O peso é o mesmo, mas as curvas e formas são outras. Isso me deixa aflita às vezes. Penso todo dia que vou pintar as unhas assim que ela dormir. Apenas penso. Tornei-me uma criatura quase monotemática. Quase. Tenho ímpetos de fúria ao ver as pessoas na rua olhando para o meu lindo e redondo bebê (???). Sério, fico meio possessa achando que elas estão transmitindo más energias. Nóias. Tornei-me uma leitora lenta. Ganhei uns vícios estranhos tipo checar o nariz dela a cada meia hora, tal como analisar o conteúdo da fralda minuciosamente pra ver se tá tudo ok e deixar ela me babar a cara. O José acha essa parte particularmente nojinho. 



Apesar de costumeiramente buscar segurança, sempre tive um apego também com o futuro. Sempre achei que amanhã vai ser melhor e que os problemas vão se resolver magicamente e plim!, that's all, folks. Relendo esse texto e fazendo um backup expresso desses meses, noto que a primeira grande lição, habilidade ou seja lá o que for que a maternagem me trouxe foi apego ao presente, aos 30 minutos de sono e depois não sei. Atualmente eu tenho uma séria dificuldade em mentalizar que dia da semana é hoje, qual a data. Fica tudo num plano meio paralelo. O conceito de tempo meio distorcido. No meu calendário válido só tem uma marcação: agora. Daqui a 100 dias, quando for agora outra vez, a gente conversa mais sobre essa coisa de quanto tempo o tempo tem.