segunda-feira, 28 de abril de 2014

Profissão: mãe

Esses dias eu fui perguntada se estava trabalhando e senti uma puta vergonha de dizer que não. Quase corei, respondi gaguejando. Fiquei remoendo aquilo, era como caminhar com alguma coisa presa dentro do sapato: pequena demais para conseguirmos remover, mas suficientemente incômoda para continuar caminhando. Agora já fazem quase dois anos que não trabalho. Vim fazer o mestrado, depois veio a Malu e vocês sabem o resto. Mas espera aí, como não trabalho? COMO NÃO TRABALHO? Como raio eu respondo que não trabalho? Vá lá, vamos recomeçar. Agora já fazem quase dois anos que estou fora do mercado de trabalho. Fazem quase dois anos que não saio de casa, pego metrô lotado, fico o dia fora comendo mal e recebendo trocados no fim do mês. Aí sim. Fazem quase 2 anos que não sei o que é isso.

Minha mãe vivia dizendo: estou morta! Cansada! E eu nunca entendia. "Mas cansada de quê, minha gente?". Hoje eu tenho que pedir perdão a ela publicamente por ter questionado/duvidado tantas vezes. Ela trabalhava fora e dentro de casa. Chamam de jornada dupla. Eu chamo de múltiplas jornadas, infinitas. Há quase 8 meses estou cansada, alguns dias mais, outros menos. Mas cansada, fisica e mentalmente. São muitas horas extras, turnos trocados e exaustão. Exaustão. Criar alguém é sim um trabalho. Um trabalho fora de esquemas patronais, sem carteira assinada. Talvez trabalho e não emprego, para deixar tudo nos seus devidos termos. 

Maternidade e maternagem vêm ambas ensinando-me uma data de coisas, isso não é novidade. Muitas são óbvias, outras nem tanto. Aprendi que os julgamentos (os dos outros e os nossos próprios) são os maiores inimigos. Já julguei muita gente, muitas mães. Já apontei o dedo, já falei "se fosse comigo não era assim". Mas nada como um dia atrás do outro, nada como vestir a carapuça. Se fosse comigo era do mesmo jeito, se não pior. Talvez a minha vergonha em dizer que "não trabalho" seja fruto do julgamento que faça de mim mesma. Vergonha de dizer que "abandonei a minha brilhante carreira de jornalista" para estudar receitas de papinhas ou ficar aflita esperando um dente nascer. Vergonha de assumir a minha escolha. Vergonha de ser diminuída por fazê-la. Quando eu engravidei, muitos disseram que foi uma pena ter acontecido isso a alguém tão inteligente. Fiquei incomodada, mas não escondi a barriga de ninguém. Não sou vítima da maternidade. Escolhi, apesar da vergonha que me fazem sentir às vezes por tê-lo feito. Escolhi. Uma sorte que outras não têm.

Aprendi ainda que essa ideia divinal de ser mãe é uma treta. Ser mãe é ser bem humana. Há dias em que queremos poetizar, colocar tudo em verso e rimas ricas, mas mãe é muito gente. Passei a ter uma certa aversão àquela imagem sacralizada da maternidade, aquele ar quase etéreo, aquela coisa idílica. Foda-se essa história toda. Mãe come, mãe gosta de sexo, mãe xinga, mãe tem vontade de partir uma louça pra libertar a tensão, mãe cede, mãe não é obrigada. Ser mãe é ser muito real, muito de carneossoelágrimas. Ser mãe é se sentir muito sozinha às vezes, apesar do Zeca Baleiro dizer que "mesmo o mais sozinho nunca fica só".

Isso tudo para dizer que sim, eu trabalho. E talvez precise dizer isso mais a mim mesma do que a vocês. Talvez precise me lembrar que o fato de ser mãe não fez desvanecer o meu bacharelado, os estágios, os contracheques recebidos, as matérias suadas. Talvez precise me lembrar que não abandonei nada, que não há uma coisa em detrimento da outra. Talvez precise me lembrar de responder que sim, eu trabalho, apesar de não ter emprego.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pera, uva, post salada mista

Daí que sumi e volto quase um mês depois com a cara limpa como se nada tivesse acontecido, né, minha gente? Perdoem, mas agora tem andado um bocadinho mais complicado me organizar com o tempo e sentar a bunda na cadeira para escrever (ou digitar de pé mesmo, como está acontecendo neste justo momento). Então, vou tentar fazer aqui um apanhado do que se tem passado por cá e ficamos com os ponteiros acertados (ou quase isso), ok?

- Vocês devem estar se perguntando: por que tão complicado se organizar se já havia bebê antes, Naruna? Havia, havia bebê sim. Mas um bebê tranquilo, de boa, que ficava entretido com o seu mordedor de chaves enquanto eu lavava a louça ou escrevia. Agora...agora, minha gente, Malu tá com a macaca. Primeiro que ela senta e só quer viver sentada, mas de vez em quando tomba, então tenho que ficar de olho para ela não andar aí se machucando. Já deu duas cabeçadas, tadinha, e foi aquele chororô. Segundo, ela está entrando na fase da ansiedade de separação. O que diabos é isso? Basicamente, dos 6 aos 15 meses, os bebês entendem que eles e as mães são pessoas diferentes e acham que quando ela se afasta é porque vai embora, mesmo que o se afastar seja só ir até a cozinha. Muitas vezes, estou aqui tentando agilizar alguma coisa, deixo-a no seu sofá-cama-parque-multiuso com os brinquedos e ela já grita logo. Grita bonito. Terceiro que ela quer atenção mesmo, companhia. Se eu sento do lado com o computador no colo, fica revoltadíssima. Olha pra mim com uma cara de desapontamento e ficar "GRWARRR BABABABA" como quem diz "Mãe, deixa essa coisa! Brinca comigo!". Fazer o que, né? Aposento o pc e fico inventando brincadeira atrás de brincadeira porque cada uma só a consegue entreter por uns poucos minutos. Resumo da ópera: Malu tem demandado muito a nossa atenção e reclama se não a tem. Justíssimo.

- Malu foi a um parquinho pela primeira vez e esteve mais interessada em colocar a boca em todas as coisas. Fase oral maravilhosa!

- Vou desistir de falar sobre o sono, o que que vocês acham? Desisto. Desisto mesmo. Um dia ela vai dormir bem, tenho fé. Pra já, tá bem instável, há dias que dorme razoavelmente, há outros em que acorda aos berros (mais um sinal da ansiedade de separação) e mais outros que rola pra lá e pra cá, acorda na cama dela, de barriga para baixo e chora porque não consegue voltar à posição anterior. HAHAHAHA Sonecas diurnas: um caos. Protesta muito pra dormir e, quando dorme, dura uns 20 minutos. Aí vocês imaginam, quando eu finalmente consigo que ela durma, a Meg late/passa um motoqueiro a 300km/h na rua/a vizinha ,que não sabe o que sutileza é e mora no terceiro andar, grita pela nora que mora no primeiro. A vontade de sair correndo nessa hora grita mais que a vizinha.

- Habilidades motoras da Malu se resumem a: parece uma cobrinha que rasteja apenas em círculos. Só sai do lugar girando de 180º a 360º. Gira e fica um tempão lá olhando para coisas que ela ainda não consegue alcançar. 

- Brinquedos são uma bela forma de gastar dinheiro e só, na maior parte do tempo. Ela tem alguns vários, brinca, é capaz de ficar entretida, mas prefere infinitamente as etiquetas (ainda as etiquetas!). Para além disso, caixas de papel, saco de plástico, pacote de biscoito, embalagem de barra de cereal, colher, controle remoto, tudo é mais interessante do que o tecladinho maravilhoso com as notas musicais. Como eu sou menas, deixo de bom grado ela brincar com utensílios de cozinha e embalagens. Deixo, até vir o José a reclamar: "Olha lá que ela engole isso blá blá blá" "Não engole nada que eu to de olho. Tá pensando que eu sou doida?" "Tou". Respeito pela mãe: zero elevado ao cubo.

- Brincadeira favorita: encher a mãozinha de baba/comida e ficar abrindo e fechando para ouvir o som que faz. É impressionante a capacidade que ela tem de ficar longos minutos nesse divertimento. Acho tão engraçado que tenho vontade de fazer também.

- Gosta muito de água. Tipo muito. Tipo ama. Vê o copo e já começa a sacudir os braços que nem uma doidinha. Um dia, inclusive, peguei o copo e tive a impressão de ouvir ela dizer "aba", mas nunca mais repetiu. Acho que foi loucura da minha cabeça mesmo.

- O José fala "Pipinha" e ela acha graça sempre. Sempre. PIPINHA. Pipinha, minha gente! Sei lá de onde eles tiraram essa brincadeira interna...

- Com o bom tempo de primavera, estamos começando a aposentar casacos, macacões de fleece, pijamas quentes...sejam benvindas, manguinhas curtas! Vamos colocar os bracinhos gordos da Malu de fora!

- Introdução alimentar: Ai, a introdução alimentar. Tenho um post a meio sobre isso, mas faltou coragem para terminar. Só vos digo uma coisa: SAGA. Tem uma galera no meu Facebook que já fica só esperando a postagem diária sobre o assunto para se divertir. Juro que não sou neurótica para que ela coma desesperadamente, bata um pratão, até porque mama super bem e o leite continua a ser o principal alimento até um ano, mas meu esforço e preocupação é para que eu siga um bom rumo e não faça das refeições uma hora de tortura. Estamos nessa há quase 1 mês e meio e lentamente progredimos todos os dias. A grande questão não é que ela recuse as coisas, é que, como teve durante 6 meses apenas o reflexo de sucção, enche a boca de comida e não sabe que aquilo é para ser engolido. Resultado: cospe tudo fora. Acredito verdadeiramente que ela tem que se divertir com os alimentos, lambrecar tudo, passar no cabelo, na cara e, obviamente, Malu corrobora a minha teoria porque faz isso todo santo dia. É uma fofura, a Meg então, está amando os novos sabores que tem encontrado pelo chão, já fica a postos quando nos ver preparando tudo. Agora minha confissão: ela acaba de comer e me dá uma preguiça só de olhar a bagaceira, ter que limpar bebê, chão, cadeirão, etc. Apesar da preguiça e dela ir comendo poucas colheradas, repito o processo todo santo dia mais ou menos na mesma hora pra ir criando o hábito mesmo. Hoje ela comeu uma banana quase toda! Ficou uma colheradinha só <3 Detalho a saga toda num post só, prometo.



- Falando em Meg...as duas estão criando uma relação que é uma coisa muito gostosa de ver. Malu  já sabe que a Meg é a Meg, ou seja, liga o nome ao bicho. Acorda procurando, dá bom dia do jeito dela, abre a boca pra Meg lamber (escatologia define nossas vidas ultimamente <3), puxa orelha, pelo, rabo, pata, grita com ela. A cadela retribui o "carinho" e deixa ela fazer o que quer, ainda senta no colo. Ás vezes, eu e José ficamos só olhando e rindo a brincadeira delas duas. Alguém tinha que vir e nos colocar um babador nessas horas. 




- A mistura baba que não acaba nunca, restos de comida e cocôs estranhos taí pra me mostrar que eu sou um fracasso na lavagem de roupa. Mas um fracasso bonito. Não interessa que lavar roupa na máquina seja só colocar lá dentro, ligar e pronto. Eu sempre erro o modo de lavagem. SEMPRE. Resultado: Malu ganhou toda uma geração de roupas manchadas, desbotadas ou se desfazendo. Alguém me ajuda, gente? Como que lava isso?

- Malu aquática: e lá se foi o primeiro mês na natação! Nunca vim detalhar aqui a coisa toda, né? Mas pronto. Nós decidimos colocá-la não com a intenção real de que ela aprenda a nadar desde cedo, seja atleta, tenha atividades extras e isso tudo. Nossa principal preocupação foi por saúde mesmo. Vocês lembram, muito novinha ela teve uma bronquiolite, que, segundo a médica, é perfeitamente normal e tal. mas eu fui uma pessoa muito cheia de problemas respiratórios, asmática, pneumática, sei lá o que mais, e o José também sofreu muito com coisas parecidas. Lógico que pela genética, ela tem uma tendência clara a seguir pelo mesmo caminho. A natação é ótima para ampliar o repertório respiratório e o nosso intuito é mais preventivo que qualquer outra coisa. Desde a primeira aula, a reação dela foi fantástica, nunca teve medo. Leva com água na cabeça, na cara, deita na caminha flutuante, faz tudo. O professor disse que talvez o fato dela tomar banho de chuveiro tenha ajudado na adaptação. No último sábado, ela aprendeu a bater as perninhas. <3 <3 <3



- Sling, amor verdadeiro, amor eterno: estamos aqui na maior lua de mel com o sling de argolas! Acho que é a melhor fase. Andei um tempo reclamando que ela não relaxava lá dentro por causa da posição e não se i que...balela, minha gente! Acho que eu não estava sabendo ajustar direito. Certo é que coloco-a aqui direitinha na posição de lado, em cima do osso da minha bacia, e simbora passear! Pense na maravilha! Olha pra tudo, interaje com o mundo e até dorme. Obviamente que passado 1 hora e tal, cansa, afinal são 10kg, mas tem sido uma delícia passear com ela assim agora que o tempo melhorou. Uma delícia também os olhares de espanto feat. curiosidade das pessoas. "É um bebé que ali vai? :o"

- E a mãe? Eu tô aqui, né, gente? Retomando as pesquisas para voltar ao mestrado em setembro, verdadeiramente decidida a mudar de tema, o que vai fazer os professores me amarem ad eternum. Ultimamente tenho tido mais períodos de "meudeus, quero sair correndo!". Tanto por causa dessa fase da Malu que demanda ainda mais apego, como por uma questão hormonal também. A maravilhosa red voltou e com ela uma TPM do cão, mas do cão mesmo. Aliás, esquisitíssima essa volta da menstruação depois do parto. Instabilidade define. Por isso, se eu ficar grávida de novo, não se espantem, tá?...BRINCADEIRA, GENTE! 

- E o blog? O BLOG FEZ UM ANO, MEU POVO! Dia 12 de abril de 2013, estávamos eu e mais duas amigas iniciando esse puxadinho aqui. As meninas seguiram com a vida e sobrei eu com as minhas histórias. Quando começamos, tinha eu 20 e tal semanas de gravidez, sabia de nada (inocente!) e vejam só onde estamos hoje. Quero dar um presente a vocês que nos acompanham aqui, mas ainda estou resolvendo e me organizando (daqui pro segundo aniversário da Malu, a gente resolve).


Então, e vocês? Contem-me coisas bonitas.

terça-feira, 25 de março de 2014

Para quê a pressa?

Se tem uma coisa que os bebês adoram fazer, mesmo sem a menor intenção, é nos ensinar que eles têm um tempo próprio e muito particular: o tempo deles. O tempo de crescer dentro da barriga, de nascer, de crescer fora da barriga. E dentro do universo tempo do bebê, cada bebê tem seu tempo, por isso, é inútil compará-los. 

Nós, humanos adultos impacientes que somos, adoramos, por nossa vez, fazer com que os bebês sigam o nosso tempo. E o nosso tempo é cheio de pressa. Bebê tem que nascer às 38 semanas, bebê tem que ganhar 1kg por mês, bebê tem que sorrir antes do primeiro mês, bebê tem que sentar aos 6 meses e comer todas as frutinhas antes de completar os 7, bebê tem que engatinhar aos 8, falar aos 9 e andar aos 11. Tem que fazer porque o médico disse, porque a vizinha falou que é assim, porque quero logo que ele seja independente e vá dormir no quarto sozinho, a noite toda. São estímulos demais, quereres demais e ansiedades demais projetadas em cima de alguém com poucos centímetros e tantos instintos. Teimamos em ir contra, teimamos em apressá-los e depois o que fica? Saudade. Um lamento eterno porque passou rápido demais, porque o bebê cresceu e não quer mais andar ao colo.

A Malu demorou até as 28 semanas de gestação para nos dizer que ela era ela. Nasceu quando quis, às 39 semanas e 2 dias. Nunca mamou de 3 em 3 horas. Agora, quase aos 7, é que fica mais tempo sentada sem apoio. Agora, quase aos 7, é que ela gargalha.

Não vou ser aqui hipócrita e dizer que fui sempre um Buda da compreensão. Muitas vezes eu quis que passasse logo. Quis que aquelas noites longas do primeiros mês fossem passado, quis que ela dormisse umas horinhas seguidas sem lembrar de mamar, que caminhasse pelos próprios pés sem precisar de colo, que me deixasse almoçar sossegada enquanto brinca com os brinquedinhos dela. Noite passada, inclusive, ela acordou chorando n vezes e eu pensei: Malu, quando isso vai acabar? Parei de escrever esse post incontáveis vezes para sentar ao lado enquanto ela brincava. Se eu me afastava, ela protestava. Até que dormiu segurando o meu colar. Quando, nos seus próximos anos de vida, ela vai fazer isso de novo? Quando ela vai caber assim no meu colo?

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ao pai

19 de março de 2014.
Dia de São José.
Dia do Pai em Portugal.
O primeiro dia do Pai do pai da Malu.
O José.

Então hoje, deem-me licença, vou falar ao pai.

Naquela altura do enamoramento, creio que ainda na época online, peguei-me pensando: "O José daria um bom pai". Não disse a ninguém. Guardei a constatação. Não que eu estivesse já cogitando, não que fosse um plano para tão breve. Apenas pensei. Pensei porque não me lembro de conhecer alguém tão preocupado com o outro, tão atento se estamos bem, se precisamos de algo. E já agora não consigo mais definir porquê pensei. Apenas pensei. 

Muitas vezes nesse meio tempo, as coisas estiveram confusas. Quando isso acontece, tento sempre lembrar do que me disseste um dia: "Vou enrolar teu cabelo para tudo continuar  funcionando". Nem precisa, amor, nem precisa. Basta você chegar. Toda vez que te vejo caminhando em minha direção, sei que as coisas vão ficar bem.

Mas aí estou falando do José "amor". Entre o pensamento que guardei e o José pai, levou tempo. Levou o tempo da Malu. Levou o tempo de analisar o valor da taxa de beta HCG. Levou o tempo de ir a cada consulta do pré natal. Levou o tempo de ouvir um coração bater, um coração feito por nós os dois. O tempo de frequentar aulas de preparação para o parto. O tempo de pesquisar e aprender sobre o parto, pesquisar e aprender sobre como cuidar de um bebê. O tempo de escolher um nome, de preparar a casa, a vida. O tempo de segurar a minha mão durante as contrações, de fazer piada entre uma e outra. O tempo das noites em claro, de saber se é normal o recém nascido respirar assim. O tempo de aprender o nosso jeito, descobrir as nossas formas. Levou o tempo de ver o amor multiplicar, crescer e fazer rir. O tempo. Levou o tempo que o tempo tem e que terá.

Não há nada que eu queira te dizer hoje que também não queira dizer outros dias. A Malu está muito bem de pai. Tem um pai que não ajuda. Tem um pai que faz. Um pai que é pai, que tem papel de pai. Um pai que paterna e não apenas assiste a mãe maternar. Malu tem um pai. Malu tem O pai e eu tenho sorte de ter  vocês os dois.

Feliz todos os dias de pai, neguinho

segunda-feira, 10 de março de 2014

Quando sai o sol

Eis que tem feito dias bonitos por cá. Mas assim bonitos mesmo de doer o coração e olhem que ainda vamos ali na beiradinha do inverno! Até o fim de semana do Carnaval estávamos sob o pior tempo ever: chuva ininterrupta, nevoeiro, granizo, frio, o mar todo maroto invadindo a marginal. Então, depois da quarta-feira de Cinzas, o sol saiu e temos vivido acima dos 20ºC. Amoramoramormuitoamor. Com uma temperatura dessa, a mãe (que andava há muito trancafiada em casa, contendando-se em ir à janela ver o movimento) pira. Já tinha prometido a mim mesma e a Malu: "Quando o tempo melhorar, vamos dar uma volta. Assim, as duas sozinhas. Caminhando e cantando e seguindo a canção". 

Daí que veio o sol. Ai que bom. Olha, fico até bem disposta. Vou dar um jeito nessa casa. Acabou o primeiro dia de sol, nada de Naruna e Malu saírem de casa. Como eu sou o tipo de pessoa que toma coragem na sexta, decidi: é hoje. Já disse aqui que tenho super o hábito de sair sozinha com a gordinha, mas vejam só, sair sozinha = levá-la ao médico de táxi e voltar pra casa. Sad life. Sair para um passeio despretensioso à pé significava também levar o carrinho monstro dela para um despretensioso passeio à pé. Sim, porque são 9,100kg, né, minha gente? Atualmente, só estamos com o sling de argolas. Calculem. Como ela já tá grandita e fica na posição de lado (aka escanchada. Alôu Piauí!), não consegue relaxar e dormir, aí já teríamos outro problema. Então, o melhor era levar o carrinho mesmo e pronto. Põe tudo na mochila, checa tudo que colocou na mochila, troca de roupa, leva casaco ou não?, "filha, meia não é pra comer", José no Facebook : "Cuidado com as escadas", bota bebê na cadeirinha, desencaixa cadeirinha do carrinho, desmonta carrinho, tchau Meg! Primeira etapa concluída com sucesso: estamos do lado de fora do apartamento. Só temos de descer 2 andares de escada e voilá: rua. 

Como boa mãe esperta, corajosa e das quebradas que sou, descia um lance de escadas com Malu na cadeirinha, corria, voltava e buscava o carrinho off-road-tração-nas-3-rodas. 15 minutos para descer, sei lá, 60 degraus. Beleza. Fase ultrapassada. Agora é tudo 5 estrelas. Remonta carrinho. Encaixa cadeirinha. Coloca protetor de sol. E vamos ao passeio primaveriiiiiiil, Maluzinha! ...CATAPLOFT...Caímos. Caímos as duas na descida dos dois degraus que separam o hall do prédio da rua. DOIS DEGRAUS DEPOIS DE DESCER SESSENTA E SOBREVIVER. Imaginem a cena: a cadeirinha quase desencaixou, ficou meio torta, vi Malu de bunda pro ar, porém seguríssima pelo cinto. Não sabia se segurava a cadeira, se falava com ela, se tentava me recompor, se segurava o resto do carrinho. Felizmente um casal que estava ao lado da porta (se pegando), veio nos ajudar. Mais felizmente ainda, Malu não sofreu um arranhão, só viu o mundo ficar ligeiramente de cabeça para baixo e ficou com os olhos arregaladíssimos, mas não chorou nem nada. A única coisa ferida foi meu orgulho mesmo. Pensei em subir pro apartamento imediatamente e ficar em posição fetal remoendo a minha burrice de não deixar pra montar o carrinho quando não houvessem mais degraus a descer. Agradeci ao casal num fio de voz, morta de vergonha, me sentindo a mais menas das menas. "Tá bem, filha? Foi só um susto tá? Mamãe tá aqui". Acho que estava consolando mais a mim mesma do que a ela, que olhava pra rua muito satisfeita. 

Eu podia ter voltado pra casa. Podia. Mas nããããão, eu continuei. Catei os cacos da minha vergonha do chão e fui embora. Não sei porque liguei pro José e contei do incidente. Já sabem o que ele disse, né? "Eu falei pra ter cuidado nas escadas mimimi" "Foi só um susto. Tchau. Estamos ocupadas sendo lindas sob esse sol maravilhoso da Euró-pah".

E fomos nós conversando e sacolejando pelas ruelas da Baixa do Porto enquanto eu pensava aonde ir. Já falei pra vocês que sou taurina. Já falei que preciso de segurança. Segurança nesse caso quer dizer um lugar para trocar fralda porque aprendi a duras penas que Malu não aceita ser trocada em qualquer tampa de privada. Então resolvi eleger como porto seguro o shopping ~~das proximidades~~ que eu já sabia ter um fraldário de jeito. Teria que ir lá mesmo comprar os nossos maiôs para a aula de natação da Malu (Siiiiimmmmmmmmmmm! A moçoila da água veio, para a água voltará. Próximo post vai ser sobre isso).

Passeio vai, passeio vem. Eu besta sem saber se botava manta, se tirava manta. As pessoas passando e falando "ai que coisa mais gordinha". Malu no seu babababa infinito. Aquele clima de primavera no ar. Tudo muito bom, tudo muito bem. E então ela dormiu, melhor ainda. Daí começaram a me parar para: pedir ajuda para instituições, pedir esmola, pedir informação porque empurrar carrinho de bebê = ter um coração mole.

Opa, Malu acordou. Reclamou. Hora de mamar e trocar a fralda. "Ai que eu sou espertíssima. Só pegar aqui um elevadorzinho e já está. Fraldinha trocada". Mas obviamente que como estava eu sozinha, a lei de Murphy resolveu providenciar aquele cocô explosivo que por muito pouco não escapou da fralda. Fichinha. Estamos acostumadas com estes (em casa). Bebê no colo para evitar "esparramamentos", tento desenrolar  e destacar um bocado de papel protetor com uma mão. Saiu todo amarrotado, parecendo que foi rasgado, mas dava pro gasto. Deita Malu no trocador, separa a fralda, os lenços. "FILHA, QUE QUE É ISSO NA TUA BOCA?". Tava se lambuzando com o pedaço mal destacado do papel protetor. Sem pânico.  Ela não engoliu nada. Fim da estadia no trocador. Compramos os maiôs. O sol já começava a ir embora e era melhor voltar pra casa. 

Volta tranquilíssima. Eu já pensando que essa saída podia render um post..."Espera...como eu saio daqui?". Metade do centro do Porto está sempre em obras e eu, sabe-se lá como, me enfiei com carrinho e tudo em um cercado sem saída onde só haviam máquinas trabalhando. Imaginem. Reflitam a cena. Os trabalhadores com aquela cara de Q, as pessoas que passavam se questionando "mas pra onde aquela louca vai?". Só me dei conta mesmo que não tinha saída quando rodei, rodei com esse carrinho e nada de ver um buraquinho aberto. 180º depois, achei por onde retomar meu rumo. A cara queimando de vergonha de novo. E a Malu "babababababababa".

Celular toca e é o José. "Tudo bem por aí?" "Tudo óóóóóótimo. Estamos passeadíssimas e voltando para casa".

Chego na rua do prédio e os vizinhos começam a me acompanhar com o olhar, certamente esperando uma desgraça. Mas eu vim, resplandecente e esplendorosa empurrando o carrinho. Estacionei-o na porta, tirei a cadeirinha, desmontei o carrinho e transportei tudo sem afobação, uma coisa de cada vez. Lindíssima, com meu look Zara, fechei a porta e deixei os fofoqueiros apenas de queixo caído. Porta fechada. Chutei o carrinho pra um canto, subi com a Malu na cadeirinha e mandei mensagem pro José: "Quando chegar, sobe com o carrinho. Ficou escondido embaixo da escada".

Lição de hoje: Yes, I can. Mas não sou nem obrigada.


quinta-feira, 6 de março de 2014

6 meses de filha da mãe, 6 meses de mãe da filha

AHA UHU
Todo mundo pode vir comer o nosso bolo porque estamos de parabéns! Mãe, pai, filha e Meg. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos nessa primeira etapa de muitas.

Eu estaria mentindo se dissesse que você foi planejada. Não foi. Não foi porque eu e José somos bem ruins de planejamento. Capengas mesmo. Mas também estaria mentindo se dissesse que a gravidez foi uma surpresa. Não foi. A verdade é que ela foi sempre desejada. A verdade, filha, é que você é toda feita de amor. Da sua unha esquisita do dedão do pé até a sua mecha de cabelo branco do topo da cabeça. Tudo envolvendo você sempre envolveu também amor. Amor e números engraçados.

Foi assim que sua história começou, filha
No dia 11 do 11 de 2011, estava eu em cólicas no terminal 2 do aeroporto do Galeão, agarrada a uma garrafa de água e mirando impacientemente a porta do desembarque. Seu pai foi o último a sair de lá com aquela camisa do Rocky que hoje nem existe mais. Depois de 9 meses de relacionamento online, era a primeira vez que nos abraçávamos (e beijávamos). 15 dias depois, ele voltaria para o lado do oceano de onde tinha embarcado. Não sei quando o amor nasceu aí nesse meio, mas a data da saudade foi 26 de novembro de 2011. Chorei, choramos. Quase um ano depois, eu que atravessei o mar todo. E vim. Vim para o mestrado. Vim para o amor. O resto você já sabe. 

O que você talvez não saiba é que sua mãe precisa de estar permanentemente apaixonada para funcionar. Foi sempre assim. Só estudei o que amei, só trabalhei onde amei, só carrego comigo quem eu amo. Eu me apaixonei por estar grávida e acho que por isso as coisas correram tão bem. Entreguei-me àquilo tudo, entreguei-me às transformações do corpo. Estudei exaustivamente o que acontecia e estava prestes a acontecer. Não foi difícil.

E então, você nasceu. Há 6 meses e uns dias, você nasceu. E foi um tal de me apaixonar pela maternagem. Até então, eu amava a ideia de ser mãe. Dia 31 de agosto de 2013 tive de por o plano em prática. Transformar todas aquelas leituras em ações, buscar minhas próprias saídas e lembrar um bocado do que a minha mãe (sua vó) dizia. Não tem sido fácil, filha. Entre as palavras escritas por outros e o nosso dia-a-dia existe um desfiladeiro enorme. Existem o nossos valores humanos, existem obstáculos, existem as nossas capacidades. Com você nos meus braços, 24h/dia, 7 dias por semana, aprendi que a maternagem ideal é aquela que aprendemos a construir na prática. Há sempre o nosso jeito. E o nosso jeito, aprenda isso logo, é o melhor para nós. Não significa que será o melhor para os outros porque as pessoas são diferentes. Isso se chama compreensão e foi você que me ensinou da forma mais genuína e indubitável possível.

Quando eu saí de baixo da asa da sua avó, aos quase 22 anos, cresci um bocado. Fui morar em outra cidade, com outras pessoas, pagando uma boa parte das contas e tendo que me virar para arranjar emprego onde ninguém sabia de quem eu era filha. Na altura, precisei disso para saber que era capaz. Ser sua mãe me fez mulher, enfim. Muito mulher. Não que eu ache que só é mulher quem se torna mãe. Mais uma vez, estamos falando da nossa experiência. 

Nesses 6 meses, vi minha paciência crescer a níveis astronômicos. Vi o meu senso de responsabilidade triplicar. Vi que eu posso. Sim, eu posso. Eu posso amar ainda mais porque é isso que acontece todos os dias quando você acorda: o meu amor só cresce.

Como boa taurina com ascendência em Touro, eu gosto de ter controle sobre as coisas, de estar segura, de saber o que vai acontecer. Tanto que tenho a mania intragável de ler a última página dos livros antes da primeira. Maternar é um pouco sobre perder o controle. E eu tenho perdido feio, Maluzinha. Tenho que seguir com os capítulos por vez porque simplesmente ainda não há última página. Quem foi que disse mesmo aquilo de "o caminho se faz caminhando"?

6 meses é só o começo e já caminhamos um bocado. 


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Aleatórias de mãe e filha

Juro jurandinho da silva que eu tentei ser coerente e coesa (como me ensinaram na faculdade de Jornalismo)  e escrever sobre um assunto só. Mas quem liga, né, gente? Vamo chutar o balde e falar sobre coisas, no plural mesmo.

- Um dia, Malu despertou e "CORDEI! CADÊ MUNDO QUE EU QUERO DESCOBRIR?". Ligaram o botão da curiosidade nessa pessoa e nada, absolutamente nada passa despercebido. Em tudo ela quer colocar a mão, a boca, quer saber de onde vem todos os sons. É uma verdadeira rede de arrasto. Se eu vou trocá-la, ela sai puxando logo o que tem por perto, seja o pacote de lenços, seja fralda suja, seja roupa. Em bom~~ purtuguês de Purtugal~~, cuscuvilheira. Em bom piauiês, malina. A poucos dias de começarmos com a introdução alimentar (senta e chora), ela deu pra abrir a boca sempre que nos vê comendo. Mas não é um abrir de boca discreto. É um abrir de boca feat. jogação de tronco para a frente que configura uma clara movimentação "dá cá isso que eu também quero". Se eu fosse muito otimista, era capaz de pensar "jesus cristinho, que coisa maravilhosa! essa criança vai comer lindamente!". Como eu sou muito realista, chamo isso de fogo de palha. Mais uma demonstração da sua curiosidade inabalável ou o simples fato de repetir o que nos vê fazendo. Seja uma coisa ou outra, eu e o José nos fartamos de rir. Desculpa, filha. A gente ri muito da sua cara. Mesmo.

- A gente pondera bem sobre quando e que tipo de brinquedo dar. Como vemos que ela já se interessa e aquilo passa a ter algum sentido, vamos fazendo um rodízio. E muito bem, ela brinca...com a etiqueta das coisas. Fui aqui lavar as louças, totalmente no modo doméstico operante, e deixei-a no carrinho com  um elefante colorido que ela tem. Ficou ali do meu lado, muito calada. E eu "olha, que maravilha...brincando", mas sem desviar o olhar da pia ainda. Continuou calada..."gente...afinal, os brinquedos começam a fazer sent...filha, isso é a etiqueta do bicho??".

- Se tem uma coisa que não me ofende minimamente é confundirem a Malu com um menino. Acho mesmo que as pessoas não têm qualquer obrigação de identificar à primeira (segunda, terceira...etc.), até porque visto-a sem esse propósito. Aliás, visto-a mesmo porque é o jeito. Tá frio e ainda não rola a operação Xingu. Quando ela tinha perto de um mês, fomos à consulta no Centro de Saúde e lá uma senhorinha olhou-a "Aah! Que riqueza! Tem mesmo carinha de menino!". Não me fez nem cócegas. Não achei aquilo ofensivo e foi então que me dei conta que essa confusão passava mesmo ao lado. Lembrei disso porque este fim de semana, no supermercado, um senhor confundiu-a com um rapaz e ficou visivelmente sem graça com isso. Pediu mil desculpas. Mal sabe ele que a minha cara de c* (desculpem, crianças) era pela pegação descontrolada na minha criança que dormia...

- Vocês já viram um bebê com cara de quem está te julgando? Essa é a Malu quando encontra pessoas que ela não conhece ou quando fazemos alguma coisa que ela não acha a menor graça. Porque vocês sabem, ser mãe e pai é se virar em palhaço também às vezes. Acontece que essa nossa cria aqui nem sempre vê piada por mais que nos esforcemos, mas não vê piada meeeeeesmo. Daí faz uma cara de "mas o que eles estão pensando da vida?".

- Ai, a maternidade e a arte de cuspir na testa...Eu, que já julguei tanto as pessoas que só postam fotos dos filhos, que jurei que nunca ia falar com o bebê que nem uma abestada...HAHAHAHAHAHAHA Preciso nem dizer, né? Nem dizer que meu Instagram tá atulhado de Malu, que meus status do Facebook são basicamente sobre Malu e que, antes de vir postar, estávamos numa conversa Abudigiguiguá Bibobutetedadá.
Resgatando a africanidade para tapar as entradas

- Minhas roupas começaram a cair. Só não mais que o meu cabelo...porque olhan...tenho aqui umas entradas maravilhosas. Estou me valendo da trucagem, resgatando a africanidade e sendo feliz, apesar de careca.

Eu tinha mais coisa pra relatar, mas vocês não imaginam o quanto eu emburreci, fiquei surda e meio desnorteada. Sério. Ando esquecendo de tudo e mais alguma coisa, mas esquecer de tirar foto da Malu e mandar pra listinha do Whatsapp, eu não esqueço.

Agora quero propor aqui uma coisa. Na verdade, pedir uma ajuda, uma sensibilização. O José está com um texto empacado há 3 meses. Dizendo ele que anda escrevendo sobre ~~dores e delícias~~ da paternagem. Há 3 meses, minha gente. Vamos fazer uma leve pressão para que ele libere essa obra prima pra gente? Peçam com carinho. Eu já tentei, já dei deadline, prazos, prometi que não quebrava mais nenhum copo...nada adiantou. Tentem vocês a ver se temos esse textinho lindo por aqui. Podem apelar. Ele está ouvindo. Garanto.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O salto da discórdia

Toda vez que eu faço um backup das últimas semanas, aquela música da Kátia começa a tocar como trilha sonora. Que Kátia? Sério, gente? Anos 80, paradas de sucesso? Não?  Ninguém? Vá lá:



É que não está sendo fácil, meus amigos. Não está sendo fácil viver assim. A Malu está no ápice do salto de desenvolvimento mais longo e doloroso que pode existir na face da Terra. Um calvário bebezístico. Na verdade, ela engatou crise dos 3 meses com salto dos 4 meses e meio e o furdunço ficou feito. Feito e feio. Bem feio. 

Tá, Naruna. Já entendemos que a coisa deu ruim por aí, mas o que diabos é esse salto de desenvolvimento? Basicamente é uma fase em que o bebê ganha novas habilidades e fica meio (totalmente) obcecado com aquilo. Tão obcecado que quer ficar fazendo over over and over again. Dormir pra que se ele pode, sei lá, abrir e fechar as mãos? Como consequência, vocês imaginam...batalha árdua para dormir, soneca mal tirada e um humor de fazer inveja a qualquer bipolar. 

To fazendo gracinha pra desanuviar, mas o assunto merece atenção. Isso porque pode ser confundido com outras coisas, tipo mãe achar que o bebê tem fome, que são cólicas e afins, quando ele só está crescendo. E crescer dói, né? Para entenderem melhor sobre o assunto, deem uma lidinha aqui.

Mas ok, voltando ao estudo de caso, meu caso. Depois que eu fiz aquele post sobre o sono, no dia exato para ser bem dramática, a Malu endoidou com o sono da noite. Endoidou bonito. Quando ela deveria estar entrando em sono profundo, despertou do NADA e começou a chorar. Chorou, chorou, chorou e depois, ploft, dormiu. Como eu tinha mencionado no post, são alterações de sono. Acontecem. De boa. Beleza. Só que depois daquela noite, nossas vidas nunca mais foram as mesmas. Viemos num processo de "desevolução" constante do sono que culminou com a atual situação: zero sono de dia, zero sono de noite. Com muita batalha, as sonecas do dia duram 20 minutos, às vezes meia hora. À noite, depois da rotina, ela cai no sono por uma hora e depois é um tal de mamar eterno. Mamar, mamar, mamar como se não houvesse amanhã. Tínhamos adotado a cama compartilhada estendida já (nós na cama grande e ela na caminha dela, sem a grade lateral, colada na nossa), tivemos que retroceder à cama compartilhada normal por duas razões: dou de mamar deitada pelo menos para descansar as costas e ela simplesmente não aceita ficar no seu canto sozinha, não interessa se é ali do lado. Então, estamos assim: José no canto dele entrevado, eu no meio bem entrevada e Malu na ponta num mix de agitação sonâmbula e contentamento por não estar sozinha. Ela tem dormido com o peito na boca. Sério. Peito na boca e mão agarrando meu pijama. Se eu me afasto um pouquinho pra tentar relaxar o braço ou ela acorda ou vem se arrastando com a cabeça (???????????) até encostar em mim de novo.

Agora quiséramos nós, o problema fosse só o sono. Quiséééééramos. Ela tem umas alterações bruscas de humor. Em um segundo estamos aqui lindamente brincando, sendo felizes. No segundo seguinte, chororô incrível sabe-se lá porque. Antes de chorar muito, ela aprendeu a gritar. Aí sempre rola a dúvida se o grito é uma verbalização primitiva de desejos não muito bem coordenados ou se vem zanga por aí. Nos dias mais críticos, ela não quer colo, não quer carrinho, não quer sling, não quer deitar de barriga pra cima, nem de barriga pra baixo, nem nada. Não anda muito afeita a brinquedos também. Duas coisas que ainda a entretém por um tempo são a Meg e a nossa cara. Ambas sempre tentando ser alcançadas por uns dedinhos cheios de baba. 

Estranha completamente as pessoas, exceto eu e o pai. Não quer nem saber dos outros. Não chegue junto, não fale perto, não faça contato visual. Ela bota logo a garganta no mundo! Começa a fazer aquele biquinho, as pessoas acham lindimais, falam ainda mais com ela e o resultado: UNHÉÉÉÉÉÉÉÉÉ! Só calará no peito. Ah o peito! Tenho impressão que ela olha pra mim e vê um peitão gigante (o que é quase verdade). Se recusa também a ficar no carrinho enquanto fazemos as refeições. Gosta de sentar no colo e observar o movimento dos copos, talheres, bocas. As mãos são um capítulo à parte. Ela está absolutamente maravilhada com seus dedinhos de salsicha. Encantada. Olha tanto pra elas que até fica vesga. Os pés ainda são só um detalhe curioso.

Meudeus, mas que coisa linda é essa que eu to vendo aqui? Ela se mexe!


Então, definitivamente, isto é um salto. O primeiro que eu soube reconhecer. Até porque, né, com essa agressividade toda, quem não reconheceria? Daí que eu tenho andado bem acabadinha, contando até 10 várias vezes, pedindo forças aos orixás, repetindo o mantra materno (Vai passar, vai passar). Já me senti bem menas por faltar a paciência alguns momentos. Já afundei minha cara no travesseiro e me perguntei: tanto bebê no mundo, por que logo o meu não dorme? Tentei banho de chuveiro, levar pra cama mais cedo, levar mais tarde, tirar soneca, botar soneca. Nada funciona e creio que não vá funcionar. O que me consola é que, pelas minhas contas, já vamos em quase 4 semanas de terror. Se o salto dura entre 4 e 6, logo deve passar (logo = mais umas duas semanas. senta e chora).

Daí que a lição de hoje é: não postar se achando a espertinha porque não há batalha vencida nessa coisa de maternagem. Não na minha maternagem.

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Tá todo mundo engravidando, gente! Que lindo! Também quero! (Brincadeira, mãe)
Parabéns, Talita! O em breve vai ser muito em breve mesmo.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Micromanual: como se comportar ao encontrar um bebê

Demorei, mas cheguei em 2014. Aeeeee!
Há tempos venho pensando em escrever sobre as manias estranhas, irritantes e incômodas que as pessoas têm ao encontrar com os nossos ricos bebezinhos, nossas pérolas criadas com amor e magia. Daí que tentei catalogar, reunir, listar as piores ou as que foram mais unânimes. Eis o resultado.

Não sei vocês, mas tem coisas que eu não consigo escrever, então acho melhor falar. Por isso, hoje habemus um ~~videopost~~. Videopost esse, aliás, totalmente dentro da maternidade do mundo real, com direito a olheiras, cabelo duvidoso e cachorro descontrolado.








segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O último mimimi de 2013

A esta altura, em 2012, eu estava decidindo de que cor pintar as unhas e fazendo minha tradicional faxina de fim de ano (ou parte dela). A esta altura, em 2012, eu estava enchendo os cantos da casa de sal grosso e separando as roupas que não mais usava. A esta altura, em 2012, eu aguardava ansiosa para adotar um cão (fizemos um acordo de que ele viria em janeiro). A esta altura, em 2012, eu estava grávida e sabia que sim, mas achava que não. Nas primeiras horas do dia 1º, preparava-me para dormir. Troquei de roupa em frente  ao espelho. 

- Amor, olha a minha barriga! Olha pra isso!
- Ihhh! Tá grávida mesmo!
- Rum...rum hum...

E deitamos rindo os dois, achando graça, mas sabendo. Sim, sabendo. Oito dias depois a Meg chegou. A 15 de janeiro, o Beta confirmava que a Malu também estava a caminho.

Este ano, a esta altura, não tive tempo de fazer a faxina de fim de ano, não posso por sal grosso porque a Meg tem apetite para esse tipo de coisa. Estou aqui sentada no tapete, ainda de pijama, com uma bebê obcecada pelas próprias mãos e sons que aprendeu a fazer. A cadela...bem, a cadela acabou de destruir a bola que ganhou de Natal.

Sou muito sensível ao fim do ano, mais do que ao Natal. Foi quase sempre assim. Gosto daquele friozinho na barriga que precede o novo, daquela contagem regressiva em que todo mundo para. Não dá mais tempo fazer o que se queria, então vamos apenas parar e ver o novo ano chegar. Eu fico nervosa, rio nervoso, faço todas as simpatias, distribuo todos os abraços e sou suficientemente ingênua para acreditar que vai ser melhor, que vou fazer diferente. Ainda canto a melodia que a minha vó entoava em todos os reveillóns que passei na casa dela: "Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Que tudo se realize no ano que vai nascer...". Posso até dizer que cresci, mas continuo depositando todas as fichas no que está por vir. As mesmas fichas que eu depositava quando beber Cidra Cereser em um copo de plástico era a maior das minhas transgressões.

Entre o positivo e essa tarde chuvosa ainda de pijama no tapete, aprendi que nem tudo é sobre mim, nem tudo é sobre o que vou vestir na passagem do ano. Aprendi que o amor não é preguiçoso. Ele depende da sua dedicação, do seu cuidado, do seu colo, do seu peito. Ele vai te chamar às 4h da manhã e nem sempre é fome, nem sempre é fralda suja. Pode ser só saudade. Ele não vai fazer questão que você tenha lavado o cabelo. Vai demorar 4 horas para pegar no sono e acordar 20 minutos depois. Finalmente, ele vai rir quando te apetece chorar e você vai rir também. Pode parecer sadismo, mas aprendi que amar dói. Dói porque significa sair da zona de conforto. É a zona de confronto. Amar é o todo dia mesmo quando não te apetece sair da cama.

O que 2013 me trouxe vai durar bem mais que seus 365 dias. Passei os dedos pelo teclado imensas vezes tentando não fazer soar demasiado clichê, mas é mesmo isso: nasci e fiz nascer. Nasceu minha filha e eu nasci mãe. Nasci porque assim como ela aprende sobre suas mãos, eu descubro a melhor forma de fazê-la crescer feliz. 

Ontem eu achei em um bloquinho antigo a lista de coisas que eu tinha a fazer no dia que "conheci" o José  (um dia conto a vocês essa estória). Foi a única lista que lembro de ter cumprido até hoje. 11/11/11. Como não dizer que foi um reveillón? O que eu quero dizer é que venho reaprendendo a comemorar minhas passagens de ano. São agora passagens de dias. Como o reveillón do dia 31 de agosto. A contagem regressiva culminou às 18h38 com 3,630kg e 50cm de ano novo.

Não vou me alongar muito mais, até porque começo a não fazer sentido querendo fazer. Mas vale salutar também que, nascendo Malu e nascendo eu, nasceu o blog. Nasceram vocês para mim. Nasceram histórias para acompanhar. Nasceram laços. Nasceu a Nana tentante que gestou a gestação e agora tem um biscoito no forno. Nasceu a Marina cheia de força, cheia de graça, cheia de um novo bebê. As duas primeiras pessoas com quem entrei em contato na "blogosfera materna" costuram esse ano no próximo. E que venha a maternagem, que venha!

Espero não esperar muita coisa de 2014. Espero que a Malu siga bem com seus picos de crescimento, saltos de desenvolvimento e curiosidade pelo mundo que a cerca. Que o José continue encantado com as coisas que ela aprende do dia para o dia. Que a Meg tente manter seus brinquedos intactos por pelo menos 24 horas. 

Que 2000 e catarse, amigos. Catarse.

Até para o ano!