terça-feira, 28 de abril de 2015

Feliz Dia da(s) Mãe(s) para quem?

Maio está à porta e, com ele, começam as enxurradas de "homenagens" pelo Dia da Mãe, no primeiro domingo do mês em Portugal, e Dia das Mães, uma semana depois no Brasil. Ou seja, já lá vêm duas semanas cheias de palavras afetuosas, publicidades que apelam para a emoção e deixam- nos a transpirar, suspirar de amor. Ninguém me perguntou, mas resumindo: é uma treta desgraçada e, como mãe, estou cada dia mais convencida disso.

Li as notícias hoje e tive vontade de voltar para cama, ficar lá em posição fetal. As mulheres portuguesas trabalham quatro vezes mais em atividades domésticas do que os homens e isso inclui prestar assistência aos filhos. Apenas 77 minutos do dia deles é dedicado a isso, enquanto o delas...bem, façam as contas. Não vi os dados brasileiros, mas não é surpresa se o quadro for bem mais díspar. Fora todas as outras problematizações, o que há de errado nesses números? Por que quatro vezes mais elas? Alguém diz "ah, porque se calhar os homens trabalham fora". Sim, existem inúmeros casos, tantos quanto o de mulheres que vão ao trabalho e ainda fazem jornada dupla ou tripla em casa. A minha questão com essa deambulação toda é: onde está a divisão? "Ajudar" dá a ideia de que o outro faz aquilo em caráter esporádico, porque tem tempo livre, porque é afável. Nós mães, nós mulheres não queremos a porcaria de uma ajuda. Queremos divisão. Não somos incansáveis, não somos inatingíveis.

Andando mais um bocado pela timeline, li o relato de parto mais triste dos últimos tempos. O pior de tudo é saber que a Melissa não foi a única e nem será a última a passar por isso. É assim que nascem muitas mães e deixemos os debates sobre a via de nascimento porque aqui não interessa se foi normal ou cesariana. Muitos constrangimentos começam mesmo no pré-natal. Somos "mãezinha", "mamã", diminuídas, infantilizadas, tratadas como números no momento em que o empoderamento é fundamental. As estatísticas de violência obstétrica são assustadoras, mas pouco ainda se fala sobre elas. Quando levantamos um pouco a voz e tentamos ser ouvidas, tentamos desabafar, mandam-nos deixar de cenas. "Você e o bebê estão bem e é isso que importa". Temos de nos conformar, de nos calar. O pós parto é duro. A nova conjuntura aliada às baixas hormonais rendem-nos questionamentos, incertezas, lágrimas. Quando levantamos um pouco a voz e tentamos ser ouvidas, mandam-nos deixar de cenas. "Olha que bebê lindo você tem! É um bênção!". Temos de nos conformar, de nos calar. A verdade é que uma mãe não pode reclamar, não querem ouvi-la dizer algo além de "estou radiante".

Depois os dias seguem. Um pai solteiro que cria o filho é notícia, as mães na mesma condição são coitadas. Amamentar é o melhor para o bebê, mas só quando feito em local apropriado. A mãe que coloca a mama de fora na rua é uma exibicionista. E aquela mãe que não conseguiu amamentar? Que preguiçosa! Foi porque não tentou! A criança está aos berros na fila do supermercado. Será que não tem mãe que lhe dê educação? Mãe é sagrada. Mãe tem instinto que não falha nunca. Que péssima mãe você é se não sabe porque seu filho está chorando!

Ser mãe não é um sacrifício, não deveria. Querem que acreditemos que sim porque convém. Não é fácil de todo porque envolve criar, educar, amar, estar disponível e tudo isso custa. É um sacrifício, dizem, porque muitas vezes é também solitário. Ninguém padece no paraíso, não deveria padecer. Há sempre alguém que aponta o dedo quando erramos. Mas, uma vez, um dia por ano, somos celebradas. Ganhamos flores, presentes, abraços, somos levadas para comer fora e agradecem-nos pelas vidas que geramos. Nos outros 364, só podemos sorrir e acenar porque, ao fim e ao cabo, estamos todos bem. Será?

Agora pensem comigo: Feliz Dia da(s) Mãe(s) para quem?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Do que a maternidade nos traz

Há uns bons meses atrás (daqui a pouco faz um ano), estava eu com a Malu naquela mamada antes de dormir. Ela a entrar no sono profundo (an ran) e eu recebi uma inbox no Facebook de uma pessoa que eu não conhecia. Era um texto enorme, uma mensagem que me fez sentir cada palavra. A remetente era uma puérpera que tinha encontrado o blog ainda durante a gravidez, em uma pesquisa no Google sobre partos induzidos na Maternidade Júlio Dinis. Ela estava em uma situação parecida com a minha: quase nas 40 semanas e o médico a falar na indução. Procurava palavras de conforto, uma esperança de que talvez não precisasse daquilo. E não precisou. Dias depois de ler o meu relato, entrou em trabalho de parto espontaneamente. Na altura em que enviou-me a mensagem, já tinha a filha quase 2 meses e ela achou que fazia bem agradecer-me por compartilhar coisas tão minhas, mas que serviam aos outros como consolo, conforto ou mesmo espelho. Lembro-me de ter lido aquilo umas 3 vezes e ido às lágrimas ao contar para o José. Como eu era capaz daquilo? De dar esperanças a alguém que eu nem conhecia?

Aquela mensagem foi a primeira de muitas e aqueles meses os primeiros de alguns. Aquela puérpera era a Diana, mãe da Margarida, que vai a caminho dos 12 meses. Desde então, nós duas passamos por muito, por todas aquelas agruras e delícias que envolvem ter um bebê em casa. As noites menos tranquilas, a ida à creche, as doenças persistentes, os dias com menos paciência, mas também as primeiras palavras, passos, demonstrações de carinho. Transferimos essa relação do online para o offline e, sim, tornou-se minha amiga (espero que ela não venha aqui me contradizer. risos).

A meio do caminho, debatemo-nos as duas com a questão da recolocação profissional pós-maternidade. As duas jornalistas, com um histórico de rotinas malucas de plantão, sem qualquer desejo de retomá-las neste ponto da vida, mas com sede de resgatar o lado profissional. Um coaching, intenso, necessário. Fomos abrindo algumas portas, arrombando outras, levando com mais algumas na cara e as coisas foram seguindo seu curso.

A Diana tem uma paixão que ficou adormecida um tempo: a fotografia. Além disso, tem imenso talento. Não poderia ter outro resultado, decidiu arrancar com essa empreitada, que chamou Matte Fotografia. Como ela não poderia passar incólume pela maternidade, um dos focos do trabalho é fotografar bebê e crianças.

Este é um post homenagem-agradecimento-publicitário-orgulhoso porque vi o projeto nascer e sair da casca, vi a Margarida crescer e virar a linda que ela é e vi a Diana crescer  e ser a mãe e profissional que ela é agora, acima de tudo. Aquela mensagem não nos deixou indiferente e é por isso que estamos ainda por aqui. Ainda bem que a maternagem traz coisas e pessoas boas para o nosso lado, o percurso acaba por ser menos solitário porque sim, às vezes é.

Se vocês quiserem saber mais sobre a Matte e o trabalho da Diana, espreitem o blog do projeto e façam like na página do Facebook.

Para verem como o que eu falo não é da boca pra fora, deixo algumas fotos da sessão que ela fez comigo porque eu sou linda e mereço. Muaahh! Agora, sério. Não usamos maquiagem mesmo, exceto o batom, e o resultado...bem, vejam aí.





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

"Mama África tem tanto que fazer..."

"...além de cuidar neném,
além de fazer denguim.
Filhinho tem que entender
que Mama África vai e vem
mas não se afasta de você"


Não estou trabalhando como empacotadeira nas Casas Bahia, mas sim, estou trabalhando. Todas comemora a conquista! Melhor do que isso, é trabalhar de casa. Não...espera...eu disse melhor? Ok, vá lá, pode ser.

Outro dia, assisti um workshop sobre organização (e é nessas horas que eu percebo o meu nível de adultice para com a vida) e a formadora (minha amiga Ligia Noia), aliás, e você deveria fazer like na página dela citou alguém que disse algo como "Nós só percebemos o quanto desorganizados somos quando começamos a fazer home office". E, meus amigos, essa é a dura verdade para quem trabalha em casa: caos! Confusão de horários, procrastinação no mais alto nível, a deadline chegando, e você vendo as gaivotinhas a passarem voando pela janela. Tudo bem, deve ter gente que já tem a malemolência para lidar com a coisa toda, o que ainda não é muito o meu caso. Tendo a Malu então e mesmo que ela vá para creche, é preciso coordenar as coisas de alguma forma minimamente funcional.

Analisando friamente a questão, eu ainda nem tenho um grande fluxo de trabalho, nada comparado com o que já foi a minha vida de jornalista-plantonista-não-preciso-parar-para-comer. É absolutamente suave na nave. Ou seria, não fosse o atual contexto e o fato de eu ter passado 2 anos mais ou menos sem escrever na linha profissional. Se eu contar pra vocês o desespero pessoal até a engrenagem funcionar...

E pronto, esse era mais um post prestação de contas com vocês se, por acaso, eu ficar muito tempo ausente. Pensaram que eu ia dar dicar, né, gente? Fuém...não vou mesmo. Não vou porque não deve haver caso de sucesso no mundo que trabalhe eficientemente, com bom aproveitamento, mergulhado em uma sala cheia de brinquedos e com um notebook afogado em migalhas de pão. Muito amor <3

Mas é isso aí, né? Bom de voltar à ativa, ainda que em passos lentos de quem recomeça, é poder escrever sobre coisas tipo esta. Afinal, falar com conhecimento de causa é outro nível. hahahihihoho

Não me abandonem, tá? "Mama África vai e vem, mas não se afasta de você"

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Deixem as grávidas em paz! (e as mães também)

Essa semana eu estive à conversa com uma amiga que está na reta final da gestação. Entre os assuntos de sempre (parto, cansaço, nervosismo), ela queixou-se que estava extremamente chateada com os comentários que as pessoas fazem sobre o aspecto dela enquanto grávida. Pensei um bocado e reparei que essa é uma questão recorrente. Não por acaso, passou-se aquilo da Fernanda Gentil, apresentadora que está grávida de dois meses.

Sempre tem um, dois, dez engraçadinhos que vêm com aquela pergunta e/ou comentário cheios de más intenções. "Quantos quilos tu já engordou, mulher?" ou "Nossa, que barriga peluda!" ou "Que barriga pequena! Tem certeza que já tem 7 meses?" ou "Ow, tua cara tá ficando manchada..." e ainda "Mas se tu engordar demais vai ser difícil emagrecer depois...". Caras...CARAS, a sério, é muito difícil ser agradável com uma pessoa que está fabricando uma vida? Assim, só uma pergunta inocente. É complicado encontrar uma grávida e perguntar se ela está bem, se está feliz ao invés de comentar as possíveis manchas que ela venha a ter? Dói muito desejar as maiores felicidades e não perguntar sobre os quilos ganhos? Assim, só pra saber.

Nós estamos presos a estereótipos tão cretinos de beleza que esquecemos de todos os outros contornos que a vida real tem. Grávida engorda sim, sejam 3 ou 30 quilos, e creio que só ela tenha a ver com isso. Não sei se vocês sabem, mas são 9 meses de reações químicas e hormonais, um corpo inteiro focado em funcionar minimamente bem e ainda produzir outro na maior perfeição, nos mínimos detalhes. Padrões anoréxicos sem celulites não entram nessa composição, quer vocês queiram ou não.

Eu engordei 22 quilos durante a gravidez. Apareceu uma estria na barriga, outras nas mamas. Ganhei mais pelos, as axilas escureceram um bocado. Se eu gostei? Achei péssimo. Não foram raras as vezes que me olhei no espelho e chorei de raiva. Mas também não foram raras as que analisei bem e achei que meu cabelo estava ótimo e que a minha cara brilhava mais que uma lua cheia. Na maior parte do tempo, comi o que quis comer, estiquei as pernas no sofá ao invés de fazer hidroginástica e não passei óleo na barriga por pura preguiça. Depois do parto, chorei mais um bocado com aquela barriga estranha, contei os dias para ter o meu "corpo de volta". O tempo passou, emagreci (mais por causa da recém descoberta tireoidite do que por outra coisa), comemorei o feito, chorei as pitangas com o peito visivelmente maior do que o outro. O tempo passou mais um bocado e só agora percebo. O corpo não volta. Não há volta possível. Eu tive uma filha. Ela esteve aqui dentro, foi feita pedacinho por pedacinho e depois saiu. O corpo moldado durante 9 meses para acomodar uma vida nunca mais voltará, nunca mais será o mesmo. Não só por causa das estrias, das celulites, das marcas todas. Nunca mais será o mesmo porque o corpo de antes não era um corpo grávido.

Vejamos mais a beleza no sorriso nervoso daquelas mulheres, na comemoração que elas fazem com os primeiros movimentos do bebê. Vejamos mais a beleza de um ventre preenchido. Esqueçamos os valores, os pesos, as medidas.

Enquanto você toma o seu suco detox desta semana e aponta defeitos na grávida, o corpo dela prepara uma festa silenciosa chamada vida. Enquanto você critica a recém mãe que anda descabelada e continua 15 quilos acima do peso, ela descobre os cheiros, os sons, os trejeitos da vida que fabricou.

Deixem as grávidas em paz, e as mães, e os bebês, e todo mundo. Vivamos. A beleza é muito maior do que o número que vestimos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Precisamos falar sobre a febre

Vocês leem os posts que transpiram tranquilidade, com o modo "deixa a vida me levar" ligado e devem pensar "Nossa, como a Naruna é calma, super de boa, relax..."...porém não, hein, minha gente? Há duas coisas com que eu sou bem psicopata: alimentação e febre. Sobre a primeira, um dia eu volto a falar. Hoje o foco é mesma essa segundinha aí, essa fulaninha aí. 

As correntes homeopáticasantroposóficasrelaxosóficas podem dizer o que quiserem, mas eu tenho um certo pânico de febre. Sei que é um resposta normal do corpo aos invasores de treta. Eu já li, pesquisei, meditei e percebi muito em relação, só que não adianta. Ajo calmamente enquanto o meu interior trava uma batalha entre não baixá-la a todo custo e achar que é melhor medicar logo antes que suba demais. 

Se formos falar de febre por febre, a primeira vez que a Malu fez uma foi ao tomar as vacinas dos 2 meses. E pronto, essa eu desconto. Aliás, desconto todas as que sejam em decorrência de vacinas porque, vejam bem, eu sei a causa. Não medico, não surto. Deixo ela fazer o seu trabalho. 

No milionésimo episódio febril: só o colo salva
Com 3 ela teve uma bronquiolite. O quadro foi outro. Imagine acordar de madrugada com o bebê gemendo, colocar o termômetro e aquilo apitar 40,5ºC. Já narrei tudo aqui com a devida dramaticidade. O atendimento dela nas urgência esteve focado em fazer ceder o raio da febre que não ia embora por nada, para preocupação das enfermeiras e meu desespero. Creio que foi nessa altura em que fiquei traumatizada. Os outros sintomas pareciam menores, tanto que eu sequer os tinha percebido. A febre, para mim, era a doença, o mal, a causa da internação. 

Passado o susto, foram largos meses sem nada. O termômetro sempre a marcar 36,7ºC, 37ºC, no máximo. Como é doce a vida...como foi...até outubro, quando foi aberta a temporada de doenças 2014/2015. Desde então, ma friends, já perdi as contas de quantas vezes a febre veio. Sabem o que me deixa mais tensa? É que ela vem primeiro, anuncia que dias de tormenta estão a caminho. Geralmente, só quando ela cede ou passadas umas boas 24 horas é que conseguimos saber qual a moléstia da vez. Até lá..."será que é pneumonia? será que é catapora? meu deus, será que é febre aftosa?" e, felizmente, têm sido só aquelas viroses estúpidas e uns resfriados, uns 157 resfriados. Com esse vasto leque de bichezas, a Malu já teve febre baixa, mas que a deixa completamente abatida, a febre que só a deixa abatida quando passa dos 39ºC e aquela que chega aos 40ºC com ela completamente elétrica, tudo isso dependendo muito de como o organismo dela está e o tipo de vírus que veio dessa vez.

Devo surtar muitas vezes ainda, mas, como disse, aprendi coisas que me fizeram tentar encarar isso da forma menos louca possível. Então, deixo aqui alguma dicas:

- É bom avaliar a temperatura sempre na mesma parte do corpo. Se for na axilas, mantenha. Se for no rabinho, mantenha também.

- Eu avalio sempre via retal e, vejam bem, é uma temperatura mais alta do que a real. Pode variar de 0,3ºC a 1ºC. Dou um desconto de 0,5ºC. Então, para mim, só passa a ser febre acima dos 38ºC. Os últimos médicos que nos atenderam só têm considerado a partir de 38,5ºC (O que deixa fumaçando! Como assim a criança tem 38,1ºC há 3 dias e eles desconsideram????)

- Cuidado com a medicação, até porque ela pode mascarar os outros sintomas e retardar um diagnóstico. Só recorro a esse recurso se estiver muito alta ou se ela estiver muito abatida.

- Pés e mãos frios durante o estado febril são normais! Eu não sabia disso e achei que fosse sinal de uma convulsão. HAHAHAHAHAHA O que acontece é que a febre faz um caminho pelo nosso corpo e o último lugar em que ela chega é nas extremidades. Se estão frias é porque o caminho não está completo e ela ainda vai subir.

- Banho frio não! No máximo, 2ºC abaixo da temperatura do corpo do bebê. Não que eu ande medindo temperatura de água..pfff...Deixem-na tépida. Água gelada em corpo quente (além de ser uma tortura filha da mãe a qual fui submetida várias vezes na vida) é risco grande de choque térmico. A temperatura pode descer bruscamente também e aí sim, vir uma convulsão.

- Compressas mornas na testa, nas axilas e virilhas ajudam a fazê-la baixar. Nada de álcool.

- Hidratar é super importante! A febre desidrata. Oferecer líquidos sempre.

- Deixá-la com menos roupa quanto possível pra temperatura não subir muito

- Avalie o estado geral da criança. Febre acima de 39ºC em um bebê com menos de 6 meses é médico. Sem desespero, mas médico. Nos maiorzinhos, é bom prestar atenção no surgimento de outros sintomas. Às vezes até o excesso de roupa faz a temperatura subir demais. 

- E calma, né, gente? Isso é pra vocês e pra mim também que ainda estou aprendendo a ser menos febrofóbica. Acho que no dia que ela, sei lá, deslocar algum osso ou tiver uma hemorragia nasal vou achar que a febre não era nada demais. Não que eu prefira que aconteça isso...não...não...UM OSSO DESLOCADO NÃO! MALU, NÃO! 


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

16 meses e o ano que foi

2014 foi meu primeiro ano "mãe", de janeiro a dezembro, integralmente, full time, fins de semana, feriados, horas extras. E pronto, os outros a seguir também o serão porque não posso chegar pra Malu e dizer "Eu me demito!". Nem quero. Mas 2014 foi o primeirão, o primeiraço, o pioneiro. E foi, sabem. Foi.

Que eu me lembre, não esperava muito. Esperava estar aqui para ela, para nós e para contar a estória. Aliás, se há algo que mudou bastante para mim com a maternidade foi a geração de expectativas. Desde que engravidei, elas andam muito próximas de zero. E não levem isso a mal! No meu caso, é ótimo! Cinco estrelas mesmo! Ora vejam bem, eu sou Touro com ascendente em Touro, logo, gosto de segurança, dos dois pés bem assentes no chão. Os pés. Porque a cabeça voa, vai embora, sonha. Não contem a ninguém, mas eu conhecia um fulano em um dia e no outro estava completando o nosso álbum mental de casamento. Não contem, tá???? Então, eu engravidei e ansiosa foi o que eu menos fui. Levei tudo nas calmas, literalmente empurrei com a barriga. Não quis saber com quem a Malu pareceria, se teria os meus olhos ou a boca do José, se seria chorona ou sossegada. Ela nasceu e, eu nunca imaginei, mas saiu-me melhor do que encomenda. Tinha ela uma semana e vinham as perguntas "Mas será que os olhos dela ficarão claros?" "Será que o cabelo vai ficar como teu?". Quero lá saber, gente...curtam o momento! Malu cresceu, continua a crescer e eu não faço ideia que cara ela vai ter quando tiver 2 anos ou como vai ser quando conseguir formar uma frase. Não sei, não faço ideia, nunca me peguei pensando nisso. Acho que estive muito ocupada aproveitando a Malu de hoje que pode não ser a mesma de amanhã.

É basicamente isso. Ela me trouxe para o presente. Não quer que eu faça álbum mental de casamento, não quer que pense como ela ficará com o uniforme da escola, não quer que eu pense que curso ela vai escolher na universidade. Ela quer que eu sente no chão agora e leia o livro dos bichos pela sexta vez. 

Mas eu penso no futuro, claro. Penso quando tento adiar ao máximo a introdução das ditas "guloseimas", quando não nego o colo, quando atendo o choro, quando valorizo o encaixe de duas pecinhas de brinquedo que ela fez com tanto custo, quando rio junto. Estar no presente e presente é, de certa forma, pensar no futuro também.

Creio que não parei de gerar expectativas de todo. Parei de gerar as expectativas erradas, as expectativas errantes. 

Dia 31 fizemos 16 meses para encerrar o ano. O nosso primeiro ano inteiro juntas, de janeiro a dezembro. Que venha 2015, como ele tiver de ser. Nós daremos um jeito.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

"...ela disse adeus..."



Hoje, 7 de novembro de 2014, fui deixar a Malu na creche e ela me deu tchauzinho. "Diz xau à mãe" e lá ela acenou. Acenou e sorriu com tanta convicção que não havia dúvida, era a hora de eu descer as escadas e vir embora. Vim com a certeza da certeza de todas as certezas do mundo de que ela ficaria bem. Vim e chorei, pela segunda vez desde que começamos nessa empreitada. A primeira foi ao acordá-la para o primeiro dia, há coisa de um mês e meio atrás.

Já há algum tempo eu tinha como meta retornar ao mercado de trabalho quando a Malu completasse um ano. Não era nada mandatório, nada que tivessem me dito para fazer. Era o que eu achava que seria bom para as três cabeças e corações cá de casa. Cheguei a "descogitar" e tentar sabotar a minha deadline, pensei em continuar full time mom por mais um, dois, três anos, mas os últimos meses antes do ano completo foram verdadeiramente complicados. Eu mergulhei na maternagem sem saber nadar e tomei com muitas ondas na cabeça. Várias. Achei que o ideal seria ficar mesmo submersa, sem deixar a cabeça emergir porque "debaixo d'água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido". Mas esqueci que "só faltava respirar, tinha que respirar". Respirar não era deixar de ser mãe, não era ser menos mãe da Malu, era ser só mais um bocado eu, seja lá quem eu seja depois disso tudo. Eu queria mesmo voltar a trabalhar. Eu precisava mesmo voltar a trabalhar. Pelo financeiro, pela sanidade, pelo, pela.

Uma semana depois do nosso primeiro aniversário, comecei a enviar currículos e a creche tornava-se mais urgente, mais presente, mais palpável. Mesmo sem a certeza de nada, achei que ela deveria iniciar a adaptação. Uma separação brusca, assim do dia pra noite, poderia deitar tudo abaixo.

Saltando os pormenores burocráticos de procura por um lugar, preenchimento de papelada, visitas e conversas com diretoras, educadoras e auxiliares, chegava o primeiro dia. Ficaria por 2h30 e esse tempo aumentaria gradualmente até o horário mínimo das creches públicas de cá (6 horas). Conferi a mochila milhares de vezes. Fraldas, toalhitas, mudas de roupa. Era pensar para não pensar.

Acordamos naquele dia e eu fui explicá-la para onde iríamos, o que iria acontecer e que eu iria buscá-la depois daquelas horas. Expliquei e chorei, baixinho, a querer não tentar que a voz ficasse muito diferente. Chegamos e a educadora recebeu-nos com o melhor sorriso de boas vindas que ela deveria ter. A Malu foi ao colo dela, mas não sorriu. Despedi-me dela a sorrir, a dizer que ia buscá-la mais logo. Não sorriu, não chorou. Foi pelo corredor, eu a olhar pela porta de vidro. Não sorriu, não chorou. Não sorri, não chorei. Cheguei à casa e tinha aquelas 2h30 para limpar o que fosse e não pensar. Dada a hora, estava eu em frente à porta de vidro mais uma vez. Veio a Maluzinha a sorrir. Ficou bem, brincou, já tinha até almoçado e tirado um cochilo. "Afinal, isto não parece tão mau!". Fui cheia de confiança ao segundo dia, mas aí não correu tão bem. Ao ver a educadora, agarrou-me a blusa e chorou tanto. Eram lágrimas tão sentidas e cada uma delas navalhava o meu coração, assim dramaticamente mesmo. Foram assim todos os dias a seguir. Pensei que devia ser a maior asneira que eu tinha feito e cogitei desistir, mas ao mesmo tempo tentava passar-lhe segurança, dizia que iria sempre buscá-la, que não iria deixá-la. Curiosamente, apesar de deixá-la ser sempre devastador, levava-a pra casa absolutamente bem disposta, sem parecer que tinha passado horas a chorar (segundo as educadoras, nunca chorou mais que 10 minutos, mas na minha cabeça pareciam horas). E era nesse estado de espírito que me apegava, tentava pensar que claro que a separação era mais dolorosa e que depois disso sim, ela ficava bem.

Quando as coisas pareciam estabilizar, veio a maré de doenças. O último mês foi todo assim. Para cada uma semana de creche, era uma semana e meia em casa a recuperar de virose. O José ficou novamente muito doente. Ela melhorou, foi mais 3 dias para a creche e adoeceu outra vez por mais 5.Todos diziam que era normal, que era assim mesmo, que o organismo dela ainda estava muito indefeso. A mim não me parecia normal, não me parecia saudável tantas doenças em onda. Devia ser um sinal de que eu estava a fazer errado. Imagina se eu estivesse a trabalhar e ela ficasse doente, como seria? Ficaria fora do trabalho uma semana inteira? Se não, com quem deixaria? Incontáveis são as mães que passam por isso e trabalham e tocam a vida. Por que eu não haveria de conseguir? Por que eu estava a encarar a creche como uma vilã sendo que era a minha melhor aliada para eu fazer o que achava que tinha que fazer? Foi todo um contexto muito sensível e mais uma vez o apoio foi fundamental, especialmente o apoio de quem passou/está a passar pelo mesmo. Uma sempre ali a segurar a bola da outra...gratidão é o que tenho a quem esteve comigo nesse (mau) bocado.

Esta semana, depois de mais uns dias de repouso, tentamos retomar a rotina. Esperei o pior por causa dos dias afastada. Mas o pior não veio. Vi Malu a sorrir para as auxiliares, a "chamar" para que lhe fossem buscar, a mostrar a elas o boneco que tinha levado, a acenar para as outras crianças. A minha Maluzinha. Subimos as escadas juntas e hei de guardar na memória a felicidade dela ao ultrapassar cada degrau. Levo-a pela mão até a tal porta de vidro (acho que não contei aqui dos primeiros passos, pois não? :D). Não chora. Ri-se. Hoje, 7 de novembro de 2014, ela "correu" para os braços da educadora, deu-lhe um abraço, deu-me um beijinho e um tchauzinho. Passou pela porta de vidro, feliz. Desci as escadas, feliz. Estou orgulhosa de nós e daquilo que ainda poderemos fazer. Ela disse adeus e poderia não ser nada de especial, mas foi. Foi um adeus seguro, um adeus de "estou bem", um adeus de "Até já! Eu sei que virás me buscar". E irei. Irei e ouvirei que é uma menina muito alegre, muito carinhosa, que explora o ambiente, brinca sem precisar que estejam ao seu lado o tempo inteiro. A minha Maluzinha.

Dito isto, só hoje dou por encerrada a nossa adaptação. Recebi dela o sinal verde para seguir durante estas horas de separação. Não sinto-me a terceirizar a educação dela, não quero que ela vá para lá e aprenda inglês, quero que seja bem cuidada e acarinhada enquanto eu trato do resto.

Hoje, 7 de novembro de 2014, tive a certeza que todo o colo não foi demais, que todo o afago não foi exagero, que nunca estive errada quando dei-lhe a certeza. A certeza de que sempre irei buscá-la, de que vou, mas volto, e de que ela também sempre terá para onde voltar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um post honesto sobre amamentação

Vamos começar esse post com um exercício de imaginação. Preparados?

Imaginem as suas pérolas de bebês doentes depois de apenas 15 dias na creche. Chato, não é? Expectável, mas chato.

Agora imaginem as suas pérolas de bebês apanhando duas doenças ao mesmo tempo. Ai caramba! Super chato!

Puxem pela mente mais um bocadinho e imaginem bebês, papais e mamães doentes ao mesmo tempo, na mesma casa, uns passando vírus aos outros. Oh minhanossasenhora! Chato é favor!

Calma que estou quase a acabar...mas imaginem que o bebê começa a melhorar, retoma o interesse pela atividade qualificada de escalar móveis e os pais continuam a querer apenas morrer. Ui...

Então, tá. Beleza. Tudo estabilizado. Vamos restabelecer a rotina? Bebê na creche, mãe nos projetos, pai ao trabalho. Pensam que acabou, não é? Imaginem só mais uma coisa (juro que é a última!): o bebê tem uma recaída. Imaginaram tudo? Direitinho? Querem saber o nome do filme? "Minha vida na última semana". 8 dias de gripe AND virose, dos quais só a Meg escapou ilesa.

Malu andou aí praticamente em aleitamento materno exclusivo porque não aceitava mais nada. Com a virose, fiquei um dedinho à beira de desidratar, e o pânico da produção de leite cair? Felizmente não foi o caso. O José andou de baixa do trabalho...olha, levamos ao pé da letra o "na saúde e na doença". Lindo. Muitos lencinhos de papel, fraldas e "virulências" depois, acho que nos safamos. A-c-h-o porque, né, começou o outono. Outono numa creche rima com doenças de outono adquiridas na creche e passadas aos pais. Estou à espera daquela boa e velha catapora que não apanhei na infância, uma caxumba também quem sabe...Bichezas de criança pegas na fase adulta são sempre maravilhosas.

And that's it. Ainda não me sinto nadinha preparada para falar sobre esse processo da creche. É um ponto sensível. Por isso, vou adiar bem mais o post sobre esse assunto e presto-me a falar de outro, infinitamente mais útil: amamentação. Eu ouvi alguém aí que disse "de noooooovo"? Pois é, de novo. De velho. Mesmo com toda a informação exuastivamente compartilhada, há muito preconceito, ignorância e desatualização em relação ao aleitamento materno. Antes de tudo, deixo registrado que fala daqui uma mãe normal, que não tem super leite, que fica cansada, que perde a paciência por vezes e que tem limites, como é óbvio. Não encaro esses 13 meses de amamentação como um sacrifício não porque eu sou fodona ou fundamentalista, mas porque acredito fielmente que estou a fazer o melhor que eu posso por nós duas. Então, peço que guardem as palavras deste escrito no fundo do coração, sem amarguras, porque hei de escrever com honestidade.

Durante a gravidez, lembro de chegar ao consultório da médica com uma listinha de perguntas sobre a amamentação. 20 e tal semanas e já neurótica sobre o que eu poderia/deveria fazer para amamentar com sucesso. A primeira pergunta da lista era: devo beber mais leite? A médica foi muito enfática e disse que se eu achasse que sim, tudo bem, mas que isso em nada influenciaria o fato de eu produzir mais leite, que isso era algo que o meu corpo resolveria depois, já com o bebê fora da barriga. E mais não disse. Fiquei passada. Então era isso? Não posso fazer nada? Ela não fala mais nada? Saí de lá diretamente para uma consulta com o olho que tudo vê e tudo sabe: internet. Um erro e um acerto. Há que filtrar essa informação toda ou caímos em esparrelas que só visto. Sendo mais prática do que pragmática, vou abrir tópicos. Atenção: perguntas e respostas foram tiradas destes meses todos como amamentadeira e pesquisadora autodidata sobre o assunto. São questões que eu mesma já fiz ou que ouvi fazerem. Em algumas, falo um pouco sobre o que se passou comigo. Em outras, respondo baseada em evidências. Claro que cada um tem a sua experiência e isso é absolutamente particular.


Perguntas que eu já fiz/pensei em fazer/deveria ter feito sobre amamentação


Estou grávida e quero muito amamentar. O que posso fazer para ter sucesso?
Em termos físicos, nada. Não há comprovadamente qualquer coisa que prepare o corpo para produzir ou ter mais leite (exceto a gravidez em si). Não existem evidências que comprovem o uso da bucha vegetal ou do sol nos mamilos para "fortalecê-los". A bucha, aliás, é muito questionável porque pode produzir o efeito contrário e sensibilizar a zona (que já estará muito sensível...ai os hormônios). O sol...hm...sinceramente não sei. Há quem tenha feito o "bronzeamento mamilar" e disse que ajudou a proteger contra as fissuras e tal...eu, particularmente, não usei desse artifício e não cheguei a ter fissuras. Considero a preparação mental muito importante. Ler, informar-se e cercar-se de apoio. Isso sim! O resto é o resto.


Estou aflita. A prima da cunhada do vizinho do meu tio disse que durante a gravidez começou a sair leite. A mim não saiu nada até agora. Já tenho 35 semanas! Será que não vou ter leite?
Keep calm, amiga! Isso não quer dizer nada, mas nada mesmo. Existem corpos e corpos, gravidezes e gravidezes. Algumas mulheres têm escape de leite durante a gestação, outras não e isso não quer dizer rigorosamente nada sobre a produção pós parto. Não me saiu nada, nenhuma gota, de verdade. Aliás, meu leite só desceu no quarto dia depois do parto. Antes disso, era só colostro, importantíssimo nessa primeira fase!



Minha avó disse que não vou ter leite porque meu peito não cresceu quase nada. E agora??
Anotem: tamanho de peito NÃO tem a ver com quantidade de leite. Os seios são produtores de leite e não depósito. É normal acontecer algum inchaço durante a gravidez e depois do parto (com a descida do leite), mas isso é bem relativo. O corpo é muito sábio e único. Não dá pra comparar o seu com o da fulana. No mais, é esperar pra ver e não ficar se martirizando. Aliás, essas pressões psicológicas são do pior e o que verdadeiramente compromete a produção de leite.


Não formei bico do peito. Estou conformada pois não vou conseguir amamentar...

Quem te disse isso, mulher? Reitero: cada corpo é único. E sim, há mulheres que não formam o tal bico do peito ou os têm invertidos (para dentro). É um caso que exige mais dedicação? Sim. É impossível? Não. No caso dos mamilos planos, a preocupação deve ser fazer o bebê abocanhar a auréola toda (aliás, isso deve ser a preocupação de todas, pois abocanhar a auréola é o que define uma boa pega). No caso dos invertidos, diz-se que quando o bebê suga, o mamilo salta fora. Há mães que usam uma bomba de sucção para fazê-lo sair antes da mamada. Em ambos os casos, procurem ajuda. "Ai, a fulana disse que não conseguiu e que também não vou conseguir". Procurem segundas opiniões, experiências. Existem muitas mães que amamentam durante muito tempo nessas condições. Talvez exija mais paciência, mas não é impossível de todo.


Se meu bebê nascer de cesariana terei problemas com a produção de leite?
O que pode dificultar é aquela separação abrupta depois da cirurgia. Levam o bebê para o berçário e reaparecem com ele horas depois. Por que isso é um problema? Porque nessas horinhas ele fica com o reflexo de sucção mais comprometido. É apenas uma situação, mas não é definitivo. Imagina se todas as mães que tivessem passado por cesariana não conseguissem amamentar...Pode é depois custar um pouco mais para fazer o bebê pegar. Nessas horas de berçário já podem ter dado a famosa mamadeira...O que já acontece, aliás, o que deveria acontecer, era colocarem o bebê ao peito mesmo depois da cirurgia. Se ambos estiverem bem, não há evidências científicas que comprovem que esta separação abrupta é mandatória (separação esta que também tende a acontecer em partos normais, atenção!).Ao que parece, ela é apenas protocolar, como várias outras coisas dentro da realidade dos hospitais...Não vou entrar no mérito da questão. Apenas saibam: podem surgir essas questões, o leite pode demorar um pouco mais a descer...pode. Não é regra e não há nada que impeça a amamentação aqui. Vejam bem, tive parto normal, ficamos em alojamento conjunto e mesmo assim o leite demorou 4 dias a descer. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.


De quanto em quanto tempo devo dar de mamar?
Ora vejamos...sempre que o bebê quiser? Livre demanda sempre! Parece que estamos a assinar um tratado de escravidão quando se fala em dar o peito sempre que o bebê quiser. Sinceramente, existem coisas beeeeem piores. Para mim, a hora da mama foi sempre aquela em que eu podia estar ali sentada uns segundos que fossem. E quantas vezes a Malu mamava? Trocentrilhões. Quantas vezes a Malu ainda mama? Trocentrilhões. Nos primeiros tempos, a livre demanda é fundamental pra regular a produção. Um recém-nascido tem um estômago do tamanho de uma noz mais ou menos. Ele mama, evacua, faz xixi e já tem fome de novo. Esqueçam os relógios. Esqueçam.


O que fazer para ter mais leite?
Deixe o bebê mamar! Não há nada mais eficaz para aumentar a regular a produção do que a livre demanda. Quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido. Fora isso, beba água. Bastante. Se calhar, é até desnecessário eu dizer isso porque amamentar dá muita sede (e fome!!!!!). Outra coisa: o leite é produzido na sua cabeça, sabia? Stress, tensão e preocupações bloqueiam e fazem a produção cair. Portanto, foco em você, foco no bebê.


Socorro! O meu bebê só chora! Será que não tenho leite suficiente???? Será que meu leite não alimenta??? Meu marido disse que é melhor ir comprar suplemento!
Anotem mais essa: NÃO existe leite fraco! Repetindo: NÃO existe leite fraco. O seu leite alimenta sim, o seu leite é muito bom sim. Bebês choram por tudo e por nada. Ele vai ao peito direitinho? Pega bem? Dorme meia hora? Parabéns! É muito! Pode ser sempre fome e pode ser outra coisa qualquer. Lembrem que, além de alimento, estar ali nos braços da mãe é o melhor conforto de sempre pra um bebê. Ah, e sobre o seu marido: ligue o foda-se (desculpem, crianças!).


Minha vizinha veio aqui em casa e disse que meu bebê está sempre a mamar, que isso é muito ruim, que vai ficar viciado. Será verdade?
Olha que essa me dá cabo da cabeça...pior é ouvir do médico. Porque há médicos que dizem que existe o tal "vício da mama". ALÔU! Mas isso é heroína que nos sai do peito? Já existem estudos sobre? Amigan, viciado é esse pensamento. Sabe o botão que você ligou pro seu marido? Ligue pra vizinha também. Não existe bebê viciado em mama. Mas afinal, se existisse, era o melhor vício que se podia ter.


Que alimentos eu não posso comer estando a amamentar?
Já li muita coisa sobre e o meu conselho é: bom senso. Tenha bom senso. Considerando que está a amamentar e que isso implica um gasto calórico altíssimo, tem que comer bem. Não lembro de, em momento algum, chegar a evitar aquelas coisas que todo mundo diz que são más, tipo chocolate. Na primeira semana pós parto, já estava acompanhada de uns tabletes. A Malu nunca reagiu mal. A questão é ser cuidadosa e saber que o que se ingere passa pro leite sim, sob pena de alterações de sabor a depender do alimento. De sabor e de humor! Por exemplo, depois das 18h, eu não bebo mais café porque isso deixa as nossas noites alteradas. Também praticamente o leite de vaca, mas ainda consumo os derivados, uma vez que a Malu não é alérgica. Há que conhecer o vosso corpo e o vosso filho.


E medicamentos, posso tomar?
Essa é uma pergunta recorrente e acho que das mais "mitadas" de sempre. Existem imensos medicamentos, anestesias, substâncias seguras com a amamentação. Muito, mas muito raramente mesmo é preciso deixar de amamentar para tomar qualquer coisa. Como saber? Entre no e-lactancia, digite a substância ativa/nome do medicamento e veja o risco real. É um site confiável, atualizado, gerido por profissionais e que toda mãe amamentadeira deveria ter no seus favoritos. Acho que é, possível, inclusive saber do nível de risco de procedimentos como depilação a laser.



E se eu achar que há alguma coisa errada, o que devo fazer? Ligo ao médico?
Agora eu posso soar um bocado pedante, mas, em relação à amamentação, o médico deveria ser a última opção. Sente que algo não está bem? Procure um Banco de Leite, uma conselheira de aleitamento materno. São locais e pessoas especializados e orientados para lidar adequadamente com situações relacionadas à amamentação. "Ai, mas os médicos estudaram para isso..." PÉIM! Errado. Os pediatras e obstetras têm pouquíssimas horas de estudo sobre amamentação quando comparados com uma conselheira. O conhecimento é, muitas vezes, obsoleto e as orientações, do século passado. Maaaaaaaas, se você realmente sente-se segura com o médico, vá em frente. Acha que é caso médico, urgente, seríssimo? Não hesite.


Minha irmã disse que, agora que o meu bebê começou com os sólidos, eu não posso dar de mamar logo depois dele ter comido porque o leite atrapalha a absorção de ferro. Isso é verdade?
Não, senhora. O leite materno NÃO atrapalha a absorção de ferro. Essa orientação vale se estamos a faltar do leite artificial. Como, ao fim e ao cabo, é derivado do leite da vaca, tem um nível de cálcio alto. Cálcio este que, sim, atrapalha a absorção de ferro.


Sinto os meus seios mais murchos, não enchem mais como antes. Estou a ficar sem leite?
Lembram do que eu disse anteriormente? Peito é fábrica de leite e não depósito. Depois que o corpo aprende a regular a produção, qual a necessidade de ficar enchendo o peito? Ele sabe quanto o bebê vai mamar e aquilo começa a ser produzido na hora que ele encosta a boca. <3 Imagina que horror ficar vazando leite meses e meses? O corpo é sábio, acreditem!


Como sei que o meu filho está mamando o suficiente? Ele quase não aumenta de peso...não é gordinho como os outros...
Primeiro de tudo, confie no seu leite. Lembra que não há leite fraco? Pois. Vou repetir só mais uma vez. Não há leite fraco. O ritmo de engorda/crescimento dos bebês não é igual, longe disso. Não é igual e nem linear. As tabelas e curvas de crescimento não muito relativas. Há que levar em conta o histórico do bebê. Afinal, ele é uma pessoa e não um conjunto de números. Ele é ativo? Bem disposto? Molha muitas fraldas durante o dia? Então aparentemente está ótimo! Mesmo que ganhe pouco peso, é normal. Pode ser o ritmo dele. Se não estiver a perder peso, não há razão para preocupação a princípio.


Quando devo desmamar? O médico disse que meu filho, com 15 meses, já está muito grande para mamar e que depois de um ano não há qualquer benefício no leite materno.
Primeiro, desmame quando você e seu filho quiserem. Segundo, vamos mandar esse médico ir pastar com as vaquinhas? A OMS preconiza o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais. Não sou eu que estou falando e nem a dona Maria da quitanda. É a OMS. Uma entidade séria, atualizada e que prega a medicina baseada em evidências científicas. Eles devem saber bem o que estão a falar, não? Leite não vira água depois do primeiro aniversário, antes o contrário. A composição altera-se e passa a ser um complexo nutritivo que continua a ser muito importante no desenvolvimento da criança. Há um medo de criar bebês dependentes, um trauma de que eles andem sempre agarrados à barra das nossas saias . Veja bem, estamos a falar de bebês, não de marmanjos de 18 anos que ainda mamam. Ninguém tem rigorosamente nada a ver com o vosso desmame. Será a idade que vocês acordarem. O resto é resto.


Depois desse palavreamento todo, ninguém deve ter dúvidas de que eu sou defensora inegável do aleitamento materno. Defendo-o, defendo-o e defendo-o, além de praticar em casa o que prego aqui. Nem sempre a coisa corre bem, nem sempre conseguimos resolver os problemas de pega sozinhas. É preciso reconhecer quando se precisa de ajuda e saber onde procurar. A quem acompanha ou cerca uma mulher que amamenta: custa tanto assim apoiá-la? Custa tanto abraçar a escolha dela ao invés de apontar o dedo porque o bebê é muito "magro"? Custa tanto não ser desagradável e julgá-la por amamentar sem horários? Já há muitas coisas que temos que ouvir de desconhecidos, tudo o que queremos é que quem esteja ao lado nos apoie.

O mundo anda muito imediatista e isso vale para tudo. Os efeitos de amamentar não são imediatos e nem isolados. A obesidade é evitada a longo prazo, os riscos de diabetes são minimizados a longo prazo, o risco de câncer do útero para a mãe é reduzido com o tempo. Não será amanhã que todos os efeitos irão aparecer em onda e isso ensinou-me muito sobre a máxima "aguarde e confie".

Não acho, nem de longe, que eu sou maior, melhor e mais completa por ter escolhido e persistir amamentando. Veio no meu pacote e é algo que faz parte da minha vida. Da nossa vida, aliás. Tenho dias de impaciência completa, dias em não me apetece nada estar disponível. Amamentar é ter de estar quase sempre disponível física e mentalmente. É muito pouco aquela aura cândida e angelical das propagandas e muito mais real, tão real quanto todas as outras nuances da maternidade. Há pouco tempo, com a entrada da Malu na creche, vi-me extremamente preocupada e antecipadamente culpada. Achei que seria brutal para ela a separação, que não conseguiria tirar as suas sonecas sem mamar e que sofreria infinitamente. Para a minha surpresa e confirmação de tudo o que eu defendo, Malu adormece sozinha desde o primeiro dia sem stress, brinca sem precisar que fiquem o tempo todo ao seu lado e faz todas as refeições lindamente. Essa mesma Malu, criada a peito e colo em livre demanda, que ainda mama durante à noite e todas as outras vezes que quer quando está comigo. Veem como estou a criar um ser visivelmente dependente? :)

Não vou me alongar mais. Acho que já há muito dito. Acho fundamental que as mulheres e famílias informem-se, atualizem-se e não deixem-se levar por achismos ou opiniões dúbias, seja qual for a escolha, seja qual for o caminho.Vou deixar alguns links que sempre me foram muito úteis e que podem ajudar mais algumas cabeças.

Manual de Aleitamento Materno da Unicef
Recomendações da OMS
La Leche League
A cólica - por Dr. Carlos González (esse é pra quem acha que é sempre fome!)


13 meses, alguns dias de pouca disponibilidade e um saldo positivo, até o momento

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"Eu voltei...

...e agora é pra ficar
porque aqui
aqui é o meu lugar"

Juro que senti saudades.
Juro que não senti.
Juro que pensei em voltar 897 vezes.
Juro que pensei em não voltar outras 489.

Mas voltei, sabe? Voltei porque este blog deu-me imensas coisas e era injusto deixá-lo em suspenso. Voltei porque aqui que é aqui e ora nem mais!

Nesse break de 3 meses e uns quebrados aconteceram mundos e fundos. Serei incapaz de relatar aqui pormenores. De longe, o maior acontecimento foi o aniversário de um ano da Malu, meu aniversário e do José como pais. Um ano, meus caros. Um ano inteirinho. 365 madrugadas de loucura e amor nas quebradas. Um ano de colo e peito em livre demanda. 

Não somos os mesmos. Nenhum de nós, nem a Meg. E vai soar o maior dos clichès, mas amadurecemos juntos sim. Vocês estudaram em Biologia que quando se põe uma fruta madura junto com outras verdes, elas acabam por amadurecer também? Pois. Foi isso. Somos 4 frutinhas em simbiose.

E sabe o que mais? Vim dizer que voltei, mas por hoje that's all, folks. Amanhã a Malu começa a adaptação na creche. Os pensamentos estão assim meio anuviados. Tenho uma madrugada inteira pra fazer a minha adaptação também.

Fiquem comigo. Segurem na minha mão, tá?

quinta-feira, 12 de junho de 2014

(Temporariamente) Fechado pra balanço

Então, gente. 
Estou precisando por ordem na casa, no blog, na vida.
Por isso, vou fazer um ~~intervalo comercial~~ por aqui e volto. Daqui a dias, semanas, meses, não sei. Mas volto. Aliás, voltamos.
Zamigue blogueiras, continuarei a ler todo mundo e eventualmente comentarei se/quando a Malu deixar.
Nesse meio tempo, estarei aí vagando pelas redes sociais, caso queiram saber da piscina, da margarina, da Carolina e da gente.

Um beijo nos coraçõezitos e nos babies. 
Voltamos já.